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Após suspeita de surto de febre amarela, governo de SC lança campanha para vacinação

Febre amarela urbana não era registrada no Brasil desde 1942; governo do Estado aponta municípios catarinenses que fazem parte das áreas de risco

Redação ND
Florianópolis
10/01/2017 às 19H35
Ministério da Saúde definiu a manutenção de duas doses da vacina contra febre amarela no calendário nacional - Arquivo/Secom
Ministério da Saúde definiu a manutenção de duas doses da vacina contra febre amarela no calendário nacional - Arquivo/Secom


O incentivo à imunização contra a febre amarela está sendo reforçado pelo Ministério da Saúde e pela Secretaria de Estado da Saúde em razão das notificações e mortes suspeitas de febre amarela no Brasil. Os meses de dezembro a maio são o período de maior número de casos com transmissão considerada possível em grande parte do país.

Segundo a Secretaria de Estado da Saúde, apesar de Santa Catarina não registrar casos de febre amarela em humanos desde 1966, a vacinação contra a doença é indicada para 100% da população dos 162 municípios catarinenses que integram a Área com Recomendação de Vacina contra Febre Amarela (ACRV).

Além da população residente nestes municípios, a vacinação é recomendada para todas as pessoas que residem ou viajam para regiões silvestres, rurais ou de mata de qualquer um dos 3.530 municípios brasileiros considerados ACRV. Essas cidades são localizadas em todos os estados das regiões Norte e Centro-Oeste; em Minas Gerais e no Maranhão e em alguns municípios do Piauí, Bahia, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

 >> Os municípios de Santa Catarina que integram a Área com Recomendação de Vacina

Casos em Minas Gerais e São Paulo

O Ministério da Saúde anunciou na segunda-feira (9) que enviaria equipes para investigar um aumento de prováveis casos de febre amarela em municípios do interior de Minas Gerais. Os casos também motivaram um alerta à OMS (Organização Mundial de Saúde) e ações de reforço na vacinação nestes locais.

Em pouco mais de uma semana, 23 casos suspeitos de febre amarela silvestre foram notificados em dez cidades do interior do Estado, com 14 mortes registradas.

Do total de casos suspeitos, 16 tiveram resultado positivo para febre amarela nos primeiros exames, de acordo com a secretaria estadual de saúde. Agora, os casos, considerados como "prováveis", devem passar por novas investigações para analisar a possibilidade de outras doenças e histórico de vacinação dos pacientes.

Os dados divulgados na segunda reforçaram a preocupação de autoridades de saúde diante de um possível aumento de casos suspeitos de febre amarela em algumas cidades do interior da região Sudeste. Na última semana, uma morte foi confirmada para febre amarela no interior do Estado de São Paulo, ocorrida no dia 26 de dezembro.

Em comum, todos os pacientes eram da área rural dos municípios, locais onde há circulação do vírus. "Na investigação inicial, são pessoas que não têm histórico de deslocamento para outras regiões e são a grande maioria aposentados ou agricultores", afirma o subsecretário de vigilância e proteção à saúde de Minas Gerais, Rodrigo Said.

Segundo ele, até o momento, não há transmissão em área urbana. No Brasil, a febre amarela urbana, que é transmitida por meio do mosquito Aedes aegypti, não é registrada desde 1942.

Há, no entanto, casos de febre amarela silvestre, que ocorrem em áreas rurais e de mata por meio de um ciclo que envolve primatas não humanos, como macacos, e mosquitos como o Haemagogus -que, por sua vez, podem transmitir o vírus a pessoas não vacinadas e que circulam nessas regiões.

No ano passado, houve seis casos confirmados de febre amarela silvestre, segundo dados do Ministério da Saúde. A suspeita de um possível surto fez com que o Ministério enviasse uma notificação à OMS. A medida segue recomendação do Regulamento Sanitário Internacional, que prevê que todas as ocorrências importantes à saúde pública sejam informadas e monitoradas.

Morte de macacos indica perigo

O vírus da febre amarela se mantém naturalmente num ciclo silvestre de transmissão, que envolve primatas não humanos (hospedeiros animais) e mosquitos silvestres. O Ministério da Saúde realiza a vigilância de epizootias (doenças que atacam animais) desde 1999 com o objetivo de antecipar a ocorrência da doença.

Os macacos têm um papel muito importante no combate da doença. Por conviverem no mesmo ambiente do vetor silvestre, são os primeiros a adoecer, sinalizando que o vírus amarílico encontra-se circulando na localidade.

Portanto, toda a morte de macacos deve ser notificada às autoridades de saúde municipais para que sejam tomadas as devidas providências de investigação e vacinação da população local. “Qualquer cidadão pode notificar um provável óbito de macaco. Basta entrar em contato com a Secretaria Municipal de Saúde de sua cidade”, alerta Macário.

A vacina

De acordo com Eduardo Macário, diretor da Vigilância Epidemiológica de SC, quem ainda não é vacinado e pretende viajar para essas áreas deve procurar um posto de vacinação pelo menos dez dias antes da viagem.

“Pessoas que ainda não foram vacinadas ou que receberam apenas uma dose há mais de dez anos, devem se vacinar contra a febre amarela. A vacina é indicada para as pessoas acima de nove meses de idade, tendo eficácia de 95%, produzindo anticorpos protetores a partir do 10º dia após a vacinação”, alerta.

A imunização oferece total proteção contra a doença, que pode ter curta duração ou evoluir para formas graves e levar até mesmo à morte. A vacina é gratuita e está disponível nas salas de vacinação das unidades de saúde pública de Santa Catarina.

O Ministério da Saúde definiu a manutenção de duas doses da vacina contra febre amarela no calendário nacional, sendo o esquema vacinal uma dose aos nove meses de idade com reforço aos quatro anos. Para pessoas de dois a 59 anos, a recomendação é duas doses.

“Idosos, gestantes e lactantes devem ser avaliados previamente por médicos antes de serem vacinados”, explica Vanessa Vieira da Silva, gerente de Imunização da Vigilância Epidemiológica.

Sintomas

Os sintomas iniciais são febre alta de início súbito, sensação de mal-estar, dor de cabeça, dor muscular, cansaço, calafrios, náuseas e vômitos. Quando a doença evolui para a forma grave, há aumento da febre, diarreia, reaparecimento dos vômitos, dor abdominal, icterícia (olhos amarelados, semelhante à hepatite), manifestações hemorrágicas (equimoses, sangramentos no nariz e gengivas) com comprometimento dos órgãos vitais como fígado e rins.

Se a pessoa se deslocou nos últimos 15 dias para áreas com recomendação de vacina para febre amarela, exerceu alguma atividade em área de mata (ecoturismo, pesca, desmatamentos etc.) e apresentou alguns dos sintomas mencionados acima, deverá procurar o mais rápido possível as unidades de saúde municipais (postos de saúde e equipes de saúde da família). A investigação, o diagnóstico, o tratamento e o acompanhamento serão realizados pela rede pública de saúde.

Sobre a doença

A febre amarela é uma doença infecciosa viral aguda, transmitida por mosquitos, presente em países da África e das Américas Central e do Sul. A transmissão pode ocorrer de duas formas: silvestre e urbana. Mas se trata de uma só doença.

Na forma de transmissão silvestre, os vetores são os mosquitos Haemagogus e Sabethes, que mantêm a circulação do vírus entre os macacos, podendo, também, transmitir ao homem, caso esteja nesse ambiente sem estar vacinado. Na forma de transmissão urbana, o veículo do vírus é o mosquito Aedes aegypti, o mesmo transmissor da dengue, da febre do chikungunya e da zika.

Com informações da Folhapress.

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