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Após restauração, 40% das peças da ponte Ponte Hercílio Luz, em Florianópolis, serão novas

Das cinco mil toneladas da ponte inaugurada em 1926, duas mil toneladas de peças novas serão trocadas na estrutura. A parte crítica da operação acontece na primeira semana de outubro

Michael Gonçalves
Florianópolis
23/09/2017 às 08H46

A restauração da ponte Hercílio Luz trocará 40% das peças da estrutura inaugurada em 1926. Das cinco mil toneladas do peso total da ponte, duas mil toneladas serão trocadas por peças novas. Da parte visível à população, as torres do vão central e dos viadutos e as treliças são as peças que permanecerão após o fim da recuperação prevista para dezembro de 2018. Além doa artefatos construídos na Usiminas, em Minas Gerais, a ponte recebeu partes que foram produzidas na Espanha e na Itália. O processo de transferência de carga para a troca das 360 barras de olhal está confirmado para a primeira semana de outubro. Fechada totalmente desde 1991, a ponte será pintada de cinza.

Da parte visível da ponte, apenas as torres e as treliças serão mantidas - Marco Santiago/ND
Da parte visível da ponte, apenas as torres e as treliças serão mantidas - Marco Santiago/ND



A regra para a troca das peças partiu da avaliação de um instrumento denominado paquímetro, que serve para medição das espessuras. “Se mais de 10% da seção da peça corroeu, a gente tem duas alternativas. Ou faz um reforço, colocando uma chapa, ou troca a peça. Antes do reforço, colocamos os dados no programa e confirmamos a viabilidade, caso contrário a peça será trocada. Foi o que aconteceu em uma peça de suporte das treliças, que precisou ser trocada”, explicou o fiscal da obra de restauração do Deinfra (Departamento Estadual de Infraestrutura), engenheiro Wenceslau Diotallevy.

Para evitar o desgaste natural da estrutura sobre o vão central, os engenheiros da empresa portuguesa Teixeira Duarte realizaram uma mudança e retiraram as emendas. Não há mais junção por cantoneiras nesse local, para evitar a corrosão. Assim, as transversinas vieram soldadas para evitar a umidade e a entrada de oxigênio, mas as ligações das peças continuam sendo por meio do rebite como no projeto original.

As peças que estão sendo retiradas têm três destinos. Os pequenos pedaços e as mais desgastadas são encaminhados para leilão. “Estamos preparando o segundo leilão. Além disso, a FCC [Fundação Catarinense de Cultura] aproveitará as peças para construir um memorial nos acessos à ponte e o Iphan [Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional] determinou que o Deinfra guardasse um exemplar de cada peça trocada para a preservação da história”, contou o engenheiro. A restauração da ponte custou, até agora, R$ 273 milhões.

Estrutura metálica precisa ser pintada e o cinza foi a cor escolhida

O engenheiro Wenceslau Diotallevy chegou à conclusão que toda a estrutura metálica precisa ser pintada. Ele lembra que quando participou da construção da ponte Pedro Ivo Campos questionou o responsável sobre a utilização da estrutura metálica sobre o mar. “Na época, o projetista informou que a constituição do aço utilizado levava o cobre, além de outros produtos químicos, e criaria uma película sobre a peça onde o oxigênio não passaria e preservaria a estrutura. Esse mito caiu. Chegamos à conclusão de que o oxigênio passa e, por isso, a estrutura metálica precisa de pintura”, disse.

A restauração está prevista para terminar em 2018 - Marco Santiago/ND
A restauração está prevista para terminar em 2018 - Marco Santiago/ND



A ponte Hercílio Luz receberá três camadas de tinta. Segundo Diotallevy, a primeira será rica em zinco, que é chamada de pintura de sacrifício. Acima será colocada uma camada rica em alumínio, que não deixa o oxigênio passar. A terceira protegerá contra os raios ultravioletas. “A cor cinza escolhida pela engenharia é para facilitar a manutenção daqui a 15 anos, para que não precise fabricar a tinta novamente e ter um custo mais alto. As peças compradas vêm de fábrica com essas camadas e as que estão aqui serão jateadas e pintadas”, explicou.

Preocupação com as treliças durante a transferência de carga

A interação das barras de olhal com as treliças preocupa o engenheiro Wenceslau Diotallevy para a transferência de carga programada para o início de outubro. A operação será realizada em quatro etapas, quando a ponte será erguida em dez centímetros a cada etapa. Os últimos preparativos estão sendo executados, como o suporte das torres.

“Quando começaram a montar a ponte (década de 20), ela ficou transversal e tiveram de colocar peso em um dos lados para acertar. O problema é que essas tensões estão dentro das treliças e precisamos ter o cuidado para abrir. Até hoje a ponte tem uma pequena diferença e isso tudo está sendo monitorado”, esclareceu. Os 54 macacos hidráulicos perfilados em duas fileiras já estão posicionados para a transferência de carga.

As peças novas

Celas

Rótulas

Barras de olhal

Pendurais

Longarinas e transversinas do vão central

Montantes do vão central

Porcentagem das longarinas dos viadutos

Contraventamento inferior do vão central

Extremidades da viga de rigidez do vão central

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