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Após reabilitação, 16 pinguins são soltos na praia do Moçambique, em Florianópolis

Os animais receberam tratamento no Cetas (Centro de Triagem de Animais Silvestres), do Parque do Rio Vermelho

Alessandra Oliveira
Florianópolis
10/10/2016 às 16H50

Equipes da ONG R3 Animal que atua no Parque do Rio Vermelho, Unidade de Conservação coordenada pela Fatma (Fundação do Meio Ambiente) devolveram ao mar, na manhã desta segunda (10), 16 pinguins-de-Magalhães. Os animais foram recolhidos na orla de Florianópolis e, após 45 dias de reabilitação foram soltos na praia do Moçambique, região Leste da Ilha.

Eles chegaram magros e muito fracos. Por serem inexperientes na migração e na busca de alimentos entre a Patagônia e o litoral catarinense, os pinguins-de Magalhães jovens geralmente sofrem mais com os efeitos climáticos, como o El Ninõ, e ainda com o contato com embarcações e redes.  A travessia geralmente se dá entre os meses de abril e setembro, mas em 2016 sofreu um certo atraso, razão pela qual ainda há animais para serem soltos até o fim de outubro.

No hospital veterinário, os pinguins receberam durante quase dois meses a atenção de biólogos, veterinários e voluntários da R3 Animal. Os indivíduos passaram por exames, incluindo de sangue, além de receberem alimentação regrada. Para melhor acompanhar a recuperação de cada exemplar, os veterinários utilizaram anilhas provisórias. Antes da soltura, alguns pinguins ganham microchips para serem acompanhados caso sejam encontrados em outros locais.

Redes de pesca são problema para pinguins

Em 2015 mais de 80 animais foram recolhidos em Florianópolis. Em 2016, o número caiu pela metade. A reprodução menor nas colônias e a baixa oferta de alimento foram fatores que contribuíram para tal quadro, segundo a médica veterinária e presidente da R3, Cristiane Kolesnikovas. Em agosto, 11 animais foram soltos. Na segunda (10), foram 16 e outros 13 estão em reabilitação, esperando a hora de voltar ao mar. Nesta segunda, um dos motivos para comemoração da equipe envolvida no trabalho foi a recuperação de um pinguim que foi o único sobrevivente entre os 22 indivíduos encontrados emalhados em uma rede de pesca na praia dos Ingleses, em agosto.

O Ibama ainda trabalha na identificação do proprietário da rede tipo feiticeira, que fica presa por âncoras. A modalidade de pesca é proibida pela portaria do IBAMA/SC Nº 54, de 9 de junho de 1999, no litoral de Santa Catarina. A instalação do equipamento também desobedece à Instrução Normativa Interministerial Nº 12 de 22 de agosto de 2012, do Ministério do Meio Ambiente, que proíbe a instalação de redes a menos de uma milha náutica da costa; o equivalente a 1.852 metros.“Perdemos muitos animais de uma vez só. Foi lamentável”, observou Cristiane.

Embora a Fatma não tenha o costume de divulgar a data, horário e local da soltura a informação algumas vezes chega a um ou outro morador da região. Isabel Brautiner, 30, levou parte da família para assistir a soltura dos pinguins. “Soube por uma rede social. É a primeira vez que vemos”, contou a moradora da Lagoa da Conceição.

 “É uma despedida alegre. Nem posso falar muito senão eu choro”, disse o cozinheiro Luis Cristian Soto, 64. O morador do bairro Rio Vermelho já ajudou em outras oportunidades a recolher animais na orla. Um dos pinguins soltos nesta segunda foi recolhido por um amigo de Soto. Para acompanhar a soltura, o cozinheiro caminhou os mais de oito quilômetros para chegar ao final da praia do Moçambique. “Fico feliz por ter gente que cuida dos bichinhos e depois solta.”, observou, emocionado.

 Projeto de Monitoramento de Praias

A R3 Animal recolhe animais marinhos no litoral catarinense, por meio do PMP (Projeto de Monitoramento de Praias) da Bacia de Santos (PMP-BS), conduzido pelo Ibama e financiado pela Petrobras, com o objetivo de avaliar eventuais impactos das atividades de produção e escoamento de petróleo sobre aves, tartarugas e mamíferos marinhos. O PMP atende uma condicionante do licenciamento ambiental federal das atividades da Petrobrás de produção e escoamento de petróleo e gás natural. As equipes envolvidas resgatam animais vivos para tratamento e recolhe os mortos para descobrir a causa da morte dos indivíduos.

 

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