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Após passagem de ciclone, Prefeitura de Florianópolis calcula prejuízo de R$ 120 milhões

O Sul da Ilha e a Lagoa da Conceição foram as regiões mais afetadas com a falta de luz e de água, queda de árvores e de postes, e destelhamento de 350 casas. Em São José, uma família está desabrigada

Michael Gonçalves
Florianópolis
05/12/2016 às 19H58

A segunda-feira (5) foi de reconstrução e de avaliação dos prejuízos em Florianópolis, que foi a cidade mais atingida pela tempestade que assolou a região metropolitana na madrugada de domingo com rajadas de vento de 118 km/h e 161 milímetros de chuva em 18 horas. As regiões do Sul da Ilha e da Lagoa da Conceição foram as mais afetadas com a falta de luz e de água, a queda de árvores e de postes, e o destelhamento de 350 casas. Segundo a Defesa Civil, 800 pessoas ficaram desalojadas somente na Capital. No Morro do Quilombo, bairro Itacorubi, uma casa foi destruída e outra permanece ameaçada pelo deslizamento de terra. A estimativa de prejuízo ultrapassa os R$ 120 milhões.

O prefeito Cesar Souza Júnior (PSD), que decretou situação de emergência no domingo (4), reuniu os secretários na manhã desta segunda. Neste encontro, ele descobriu que 13 unidades de saúde foram atingidas, sendo que cinco estavam sem água e duas sem comunicação. Na educação, foram 33 instalações que sofreram algum tipo de dano. “Nossa prioridade é dar apoio para que as unidades de saúde e de educação voltem à normalidade o mais rápido possível. As vacinas foram recolhidas e nada foi perdido”, informa o prefeito, que visitou o Sul da Ilha no período da tarde.

A Celesc trabalha com 45 equipes para restabelecer a energia elétrica em mais de 30 mil imóveis, dos 260 mil que ficaram sem luz. O Corpo de Bombeiros tem 16 grupos para o corte de árvores e outras ocorrências do gênero. A Comcap também fez uma força tarefa para limpar a cidade. A Casan informou que metade do Norte da Ilha amanheceu sem o fornecimento de água na segunda. Já no Sul da Ilha foram 150 mil unidades, em virtude da falta de energia na Estação de Tratamento de Água do Peri.

Para piorar a situação, as usinas de asfalto da prefeitura e da empresa fornecedora foram danificadas. “Precisamos encontrar um fornecedor com rapidez para começar uma operação tapa buraco”, ressalta o prefeito.

 

Deslizamento atinge duas casas no Morro do Quilombo

A rua da Represa, no Morro do Quilombo, está intransitável. A força da água abriu crateras e os moradores precisam desviar por ruas secundárias, mas o ônibus da comunidade não consegue chegar até o ponto final. Quem levou um grande susto foi a dona de casa Nerci Terezinha Padilha, 48, que teve a sua casa destruída com o deslizamento de terra na noite de sábado. Desde então, ela está alojada na casa da filha.

“Chovia muito quando escutei um estrondo e achei que fosse morrer. A lama invadiu os cômodos pela parede da cozinha, que foi arrastada pela força da terra. Perdi a máquina de lavar roupa, o fogão e outros móveis. Do outro lado da casa, o terreno também cedeu. Ligamos para a Defesa Civil e nada dela chegar nem para trazer uma lona”, reclama a dona de casa.

O deslizamento também atingiu a casa da aposentada Rosa Gonçalves, 60, que vive com a neta. Elas também foram obrigadas a pedir abrigo na casa de parentes. Uma pedra invadiu a cozinha pela janela e a terra parou ao lado das paredes.        

 

“Chovia muito quando escutei um estrondo e achei que fosse morrer
“Chovia muito quando escutei um estrondo e achei que fosse morrer", conta Nerci, que mora no Morro do Quilombo - Daniel Queiroz/ND



Energia deve voltar ao normal nesta terça-feira

Três equipes de empresas terceirizadas da Celesc trabalharam em diferentes pontos da Rua Laurindo Januário da Silveira durante a segunda-feira. Segundo o eletricitário Rafael Fernando, 11 postes foram trocados no Canto da Lagoa. A Celesc ainda não contabilizou o número de postes danificados, mas afirmou que 20 alimentadores, de um total de 30, apresentaram problemas neste domingo (4).

De acordo com o chefe da Divisão Técnica da Regional Celesc em Florianópolis, Adriano Luz, uma força-tarefa com profissionais de todo o Estado continua atuando para restabelecer a rede o mais rápido possível, mas a previsão é para que o serviço total só volte ao funcionamento normal nesta terça-feira (6).

Morador da Servidão Tamanduá, no Canto da Lagoa, o aposentado Mário Medeiros, 59, continuava sem energia elétrica até o meio-dia de segunda-feira. Ele acompanha o trabalho dos eletricitários na Rua Laurindo Januário da Silveira. ”Pedi informações e a energia deve voltar a minha casa somente na terça-feira. Perto do prejuízo de outras pessoas, não temos outra opção a não ser aguardar”, lamenta.

Mário Medeiros estava sem luz até o começo da segunda-feira, no Canto da Lagoa - Daniel Queiroz/ND
Mário Medeiros estava sem luz até o começo da segunda-feira, no Canto da Lagoa - Daniel Queiroz/ND



 Mercadorias estragadas e furtos pela falta de energia

Dezenas de pequenos comércios sofreram com a falta de luz e de água. A padaria Floripão, no Porto da Lagoa, não abre desde de sábado e na madrugada de segunda-feira o estabelecimento foi arrombado por ladrões. Os criminosos aproveitaram a falta de energia elétrica e de policiamento para invadir a padaria. “O prejuízo fica perto dos R$ 20 mil. Isso porque estamos dois dias sem trabalhar, as mercadorias estragaram, o furto de alguns produtos e o dano à loja”, conta a proprietária Nilcéia Fontana Ramos.

A poucos metros, o Supermercado RP também tentava reduzir os prejuízos. Sem energia elétrica por mais de 30 horas, os produtos do açougue foram levados para outra unidade da empresa no bairro Carianos. Já os laticínios e os picolés foram totalmente perdidos. “Só de picolé o prejuízo ultrapassa R$ 1.000. Teve cliente até querendo levar o queijo, mas não podemos cometer essa irresponsabilidade. Estamos vendendo muita água, pão, fósforo e velas. Aliás, todo o nosso estoque de velas terminou em algumas horas ainda no domingo”, afirmou a supervisora Cleonice Pereira.

 

Cleonice calcula os prejuízos com a falta de luz - Daniel Queiroz/ND
Cleonice calcula os prejuízos com a falta de luz - Daniel Queiroz/ND


Telhas estão em falta no Sul da Ilha

O proprietário do Material de Construção Campeche, Fábio Antunes, acabou com o estoque de telhas em poucas horas. Ele recebeu um novo carregamento na tarde de segunda, mas toda a carga já estava reservada. Fábio fez mais uma encomenda com a fábrica para a terça-feira. “Um distribuidor abriu no domingo e vendeu 5.000 telhas. Eu tinha umas 400 na minha loja e foram vendidas em três horas. Comprei um pouco no atacado e somente as reservas já ultrapassaram essa reserva. Assim, encomendei com a fábrica mais 1.000 telhas que devem ser entregues nesta terça-feira”, explica.

A garçonete Raisa da Silva, 30, chegou de Curitiba (PR) após a tempestade. Ela encontrou o telhado destruído e os quartos alagados. Ela foi até a loja de material de construção e levou um susto do orçamento para 50 telhas. O valor foi de R$ 759, e o produto estava em falta. Quem teve mais sorte foi o vendedor Rogério Zucati, 40, que teve a casa atingida por uma árvore. Enquanto aguarda a chegada do Corpo de Bombeiros, ele conseguiu comprar 50 telhas. “Estou comprando um pouco já prevendo a necessidade, mas somente saberei o prejuízo total quando a árvore for retirada”, contou o morador da Servidão Aroeiras do Gramal.

Prefeitura vistoria leste e sul da Ilha

Na tarde de terça, o prefeito Cesar Souza vistoriou as regiões do leste e sul da Ilha afetadas pelo cicloine acompanhado do secretário de obras, Rafael Hahne, e da educação, Rodolfo Pinto da Luz. Na avenida das Rendeiras, na Lagoa da Conceição, quando foir finalizao o restabelecimento da luz, o desafio será a limpeza dos galhos de árvores na borda da pista e nas servidões próximas. No Canto da Lagoa, muitos abrigos de ônibus foram danificados e alguns tombaram por inteiro. De acordo com Hahne, esses trabalhos devem levar 10 dias. Na Joaquina, o principal problema foi a invasão das areias das dunas na pista.

No Sul da Ilha, no Campeche, o posto de saúde estava às escuras. Na Armação, a escola básica Dilma Lúcia dos Santos teve o ginásio destelhado e as novas telhas devem ser colocadas nesta terça. No Núcleo de Educação Infantil da Armação também foi destruído o telhado e o beirado de alvenaria. Na escola básica José Amaro, no Morro das Pedras, o prédio e o ginásio tiveram os telhados destruídos. No Ribeirão da Ilha, a creche Caetana Marcelino Dias e a escola básica Batista Pereira também foram destelhadas.

 

Uma família desabrigada em São José

O diretor da Defesa Civil de São José Telson Ronei do Nascimento informou que recebeu a ligação de oito ocorrências, mas ele acredita que mais imóveis foram danificados. Na Beira-Mar, o monumento do padroeiro do município foi danificado e, segundo informações publicadas pela prefeita Adeliana Dal Pont, não há como recuperar a estrutura. "A Fundação de Cultura e Turismo e o Conselho de Cultura irão estudar e discutir o melhor formato para um projeto e quais materiais são adequados para a nova escultura." Uma árvore também caiu no bairro Bela Vista.

No Jardim das Palmeiras, bairro Forquilhinhas, uma casa foi interditada pela Defesa Civil. “Realizamos a interdição porque um muro de contenção ameaça cair sobre a residência. As quatro pessoas estão abrigadas no Colégio Príncipe da Paz e serão encaminhadas para a assistência social e, consequentemente, ao aluguel social”, explicou o diretor.

Em Palhoça, a Defesa Civil registrou, até as 18h30, 45 ocorrências. As regiões mais atingidas foram a Pinheira (19 ocorrências), Pontal (10) e Praia de Fora (8). Ainda foram atingidas a Praia do Sonho, Pacheco, Bela Vista, Enseada do Brito e Furadinho. Escolas na Guarda do Cubatão e em Morretes tiveram as aulas suspensas nesta segunda-feira e devem retornar apenas na terça, em virtude da falta de energia elétrica e destelhamentos. Nenhuma família ficou desalojada.

Monumento padroeiro de São José amanheceu destruído - Marcelo Muller/Reprodução/ND
Monumento padroeiro de São José amanheceu destruído - Marcelo Muller/Reprodução/ND



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