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Após incêndio, Parque do Rio Vermelho pode levar até 50 anos para se recuperar

O fogo começou na terça-feira (25) por causa de uma vela deixada em uma oferenda religiosa

Dariele Gomes
Florianópolis
30/07/2017 às 15H18

De terça-feira até este domingo (30) a PMA (Polícia Militar Ambiental) e o Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina trabalharam no combate a um incêndio no Parque Estadual do Rio Vermelho, uma área de 1.500 hectares, e com um dano causado em aproximadamente 10 hectares de vegetação rasteira. O que se vê por lá, agora, às margens da rodovia João Gualberto Soares, no bairro Rio Vermelho, é um cenário cinza, que para o biólogo Daniel de Araújo Costa, representa algumas décadas de recuperação.

Combate às chamas foi concluído na tarde desta quinta-feira - Polícia Militar Ambiental/Divulgação/ND
Combate às chamas durou toda a semana - Polícia Militar Ambiental/Divulgação/ND



Segundo ele, o incêndio que teria sido causado por uma vela de oferenda religiosa, deixada na mata, traz um prejuízo à natureza de 20 a 50 anos. “Essas ações irresponsáveis podem colocar toda nossa vegetação em risco de forma muito rápida”, alerta. “Ainda hoje há sinais da destruição por onde o fogo passou num incêndio em 2012 no parque. Com o desta semana, a mata pode levar até 50 anos para se recuperar”, comenta Costa, biólogo responsável pelo parque. Ele explica que o local, de vegetação rasteira é uma área contaminada por árvores de pinus, considerada invasora, o que diminui o dano ambiental, já que há pouca vegetação nativa no local.

“Mas o dano existe de qualquer forma, porém afetando mais a vegetação rasteira, matando insetos e pequenos répteis. Há chances de recuperação daquele verde, porém de forma bem lenta”, enfatiza Costa.

Palha e seiva servem como combustível para as chamas

Conforme o biólogo e administrador do Parque do Rio Vermelho, Daniel de Araújo Costa, no caso do incêndio mais recente, o fogo foi o maior problema, pois queima toda a
vegetação. Nos estudos de combate ao problema foi observado que a palha de pinus e a própria seiva largada pela árvore servem como combustível para as chamas. “Foi feito, então, o que chamamos de combate ao triângulo do fogo. O triângulo é composto por combustível, na situação identificada como a vegetação, temperatura de ignição (calor) e o oxigênio. A ação foi acabar com o combustível, então um trator abriu alguns caminhos com areia para impedir que as chamas se alastrassem para a vegetação ainda intacta”, explica Costa.

O biólogo diz ainda que quanto ao dano ao meio ambiente, quando esses incêndios são mais constantes, o solo vai morrendo, fica cada vez mais difícil de recuperar, eliminando as possibilidades de ver a natureza crescer ali novamente. “O solo no local já é arenoso, pobre, sensível até ao pisoteio. Será preciso muito cuidado
para não ter outros incêndios ali”, enfatiza o biólogo. Costa diz ainda que a Fatma (Fundação do Meio Ambiente) tem um projeto de recuperação da vegetação
nativa do local, com a plantação de ipês e capororoca, e a retirada gradativa dos pinus.

“O trabalho da comunidade é muito importante, na ajuda de fiscalização de incêndios florestais, considerado crime ambiental, e agora no cuidado com este solo, já comprometido pelas cinzas. Temos registros de churrascos e fogueiras feitos no chão e que causam danos ambientais irreparáveis. Muito comum nessa época,
e a causa deste incêndio, as oferendas religiosas com velas. É preciso ter consciência”, alerta ele.

Costa enfatiza ainda que nenhum animal de trilha do Parque foi atingido pelo fogo ou pela fumaça, e que em uma ronda não encontrou nenhum réptil morto, como serpentes e lagartos, comuns na região.

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