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Sem acordo efetivo, SC continua sem combustível e com serviços limitados nesta sexta-feira

No 5º dia da greve dos caminhoneiros, Estado teve aulas canceladas, hospitais em alerta, desabastecimento em supermercados e comércio prejudicado

Redação ND
Florianópolis
25/05/2018 às 22H11

Apesar do acordo para suspender a paralisação por 15 dias anunciado pelo governo e um grupo de caminhoneiros, manifestantes continuaram ocupando as rodovias brasileiras nesta sexta-feira (25). Em Santa Catarina, há pelo menos 60 pontos onde a categoria está reunida, conforme divulgado pela PRF (Polícia Rodoviária Federal) por volta das 18h. Desde quinta-feira (25), a maioria do Estado já estava sem combustíveis e os serviços públicos e privados funcionavam de forma limitada.

Supermercados limitam compras por cliente - Andréa da Luz/ND
Supermercados limitam compras por cliente - Andréa da Luz/ND


Em sua conta no Twitter, a PRF explicou que somente o trânsito de carretas e caminhões está prejudicado nas rodovias federais que cortam o estado catarinense e os demais veículos circulam sem retenções.

>> Governo autoriza uso de forças federais para desbloquear rodovias
>> Caminhoneiros se dividem sobre acordo e greve persiste; entenda o movimento

Serviços prejudicados e fila em postos de combustível em Florianópolis

Em uma tentativa de minimizar os problemas causados pela greve, a Prefeitura de Florianópolis reuniu, na tarde desta sexta-feira, representantes das secretarias de Segurança, Defesa Civil e de Transporte para negociar junto aos caminhoneiros a passagem de combustível de emergência. Esse combustível seria destinado aos veículos que fazem a coleta de lixo, transporte coletivo e serviços de saúde e segurança.

Os manifestantes concordaram em liberar os caminhões, mas apenas para os serviços de coleta de lixo e limpeza pública, assistência social, defesa civil e segurança do município. Em relação ao transporte coletivo, não foi liberado, portanto seguem as medidas de funcionamento com horário do final de semana.

Na educação da Capital, foram feitas alterações nos atendimentos de algumas unidades de educação infantil nesta sexta-feira. Na Creche Municipal Almirante Lucas Alexandre Boiteux, no Centro, as 275 crianças foram dispensadas por conta da falta de gás. Pelo mesmo motivo foi realizado atendimento parcial na Creche Joel Rogério de Freitas, no Monte Cristo, apenas até o meio-dia.

Até a tarde desta sexta, a prefeitura ainda não havia decidido sobre como ficarão os serviços na segunda-feira, aguardando um desfecho da greve. No IEE (Instituto Estadual de Educação), no centro da Capital, apenas 5% dos estudantes compareceram às aulas nesta sexta.

Por causa da falta de combustível, a quantidade de veículos nas ruas é bem menor do que o comum para uma sexta-feira na Capital. O trânsito nas pontes e nas ruas de maior movimento está fluindo tranquilamente, exceto pelas regiões próximas aos postos de combustíveis que ainda estão abastecendo. Entre eles um estabelecimento no bairro Capoeiras, região continental, que estava lotado e com fila extensa. Alguns motoristas dormiram em seus carros aguardando para abastecer seus veículos.

Na avenida Mauro Ramos, outro posto também oferecia o serviço a veículos comuns, até por volta das 15h30. O estabelecimento foi reabastecido por uma carreta e comercializava apenas gasolina, por R$3,83 o litro, com limite de R$ 80 por cliente. Duas filas foram formadas para entrar no posto, uma no sentido Centro da avenida, que alcançou a Beira-Mar Norte, e outra na rua Ferreira Lima, que impedia a passagem de carros que tentavam acessar a avenida Mauro Ramos.

A diminuição do movimento de pessoas e as mudanças nos horários do transporte coletivo afetam também o comércio da Capital. O empresário Leandro Kimura, 35, é proprietário de uma loja de variedades no Centro e notou uma queda de 40% no movimento nesta quinta-feira.

Um levantamento feito pela CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas) de Florianópolis, o comércio da região central de Florianópolis sofreu prejuízos de 55% no faturamento diário, resultado da queda de 69% nomovimento durante esta sexta-feira. O dado foi apurado com os associados da entidade para avaliar os impactos da paralisação dos caminhoneiros. “O consumidor fica receoso de sair de casa, o que é compreensível diante do estado de emergência que o país se encontra”, lamentou o diretor de SPC (Serviço de Proteção ao Crédito) e serviços da CDL da Capital, Marco dos Santos.

>> Corrida por combustível cria congestionamentos e confusão no Centro de Florianópolis

Posto na avenida Mauro Ramos voltou a vender gasolina nesta sexta-feira - Daniel Queiroz/ND
Posto na avenida Mauro Ramos voltou a vender gasolina nesta sexta-feira - Daniel Queiroz/ND

Confira a Entrevista do governo catarinense sobre a greve dos caminhoneiros:


Transporte coletivo na Capital e região

A falta de combustível também afeta o funionamento do transporte coletivo na Capital e região, que deve funcionar até este sábado (26). De acordo com a prefeitura, as empresas utilizam cerca de 50 mil litros de combustível por dia e têm capacidadede de armazenamento para 100 mil litros em cada garagem. O último abastecimento foi feito na quarta-feira. A expectativa é de que o governo de Santa Catarina consiga negociar com os manifestantes, para que o combustível chegue à cidade.

Ônibus em Florianópolis circulam desde a manhã desta sexta com horários de sábado. Na tarde desta sexta-feira, um veículo da linha Morro da Cruz parou na metade da avenida do Antão por falta de combustível.

Supermercados

Em Florianópolis, o supermercado Bistek do Morro das Pedras limitou as compras a cinco unidades por cliente, para evitar o desabastecimento. Nas prateleiras, a farinha de trigo branca já está em falta.

Ônibus da linha Morro da Cruz parou na metade da avenida do Antão por falta de combustível - Flávio Tin/ND
Ônibus da linha Morro da Cruz parou na metade da avenida do Antão por falta de combustível - Flávio Tin/ND

Educação e concursos

A Unisul emitiu nota oficial suspendendo as atividades acadêmicas nas unidades Pedra Branca e Florianópolis, a partir do período noturno desta sexta até segunda-feira. A medida vale ainda para o campus de Tubarão e unidades universitárias de Araranguá, Braço do Norte, Içara e Colégio Dehon. Atividades administrativas continuam normais.

Em Balneário Camboriú, a prefeitura suspendeu as aulas de segunda-feira nos Núcleos de Educação Infantil e Centros de Educação Municipal. A medida foi tomada porque, já nesta sexta-feira, houve falta de servidores em algumas unidades, e caso a greve dos caminhoneiros permaneça, a dificuldade de locomoção dos funcionários deve aumentar, prejudicando o atendimento aos alunos. Outro motivo é o desabastecimento de frutas e verduras nas unidades, prejudicando a merenda escolar.

Segundo a secretária de Educação do município, Rosangela Percegona Borba, há estoque de alimentos não perecíveis no depósito da pasta, mas sem combustível não será possível fazer entrega em todas as unidades. No início da próxima semana, uma nova avaliação será feita.

A FURB (Universidade de Blumenau) emitiu um comunicado oficial avisando que todas as atividades acadêmicas estão suspensas desde a tarde de quinta-feira, até este sábado. Atividades administrativas permanecem normais e as aulas devem voltar ao normal apenas na segunda-feira. Qualquer alteração deve ser consultada no site da universidade (http://www.furb.br).

Também está suspensa a prova da OAB - Exame de Ordem Unificado - que seria aplicada neste domingo (27) em todo o território nacional. A Coordenação Nacional do Exame considerou que não há condições de logística para entrega e aplicação das provas de forma uniforme e segura. Ainda não há nova data definida para o exame.

Hospitais

De acordo com informações da secretaria estadual de Saúde, os hospitais da rede pública do Estado estão mantendo o atendimento com normalidade nesta sexta-feira, mesmo com a paralisação dos caminhoneiros.

As cirurgias eletivas marcadas em unidades estaduais serão reagendadas, conforme a situação se normalize, para garantir o atendimento emergencial nos hospitais. Até o momento não foi registrada nenhuma ocorrência relacionada à falta de medicamentos ou insumos em hospitais ou veículos que atendem as demais unidades estaduais de saúde.

No Hospital Regional de São José já estão faltando alguns materiais, mas a unidade continua oferecendo serviços de urgência e emergência.

Na Capital, o Hospital Infantil Joana de Gusmão cancelou as cirurgias eletivas (aquelas com data marcada) desta sexta-feira. O Hospital de Caridade também já havia adotado essa medida. No Hospital Universitário a preocupação é que pode faltar alimentos e outros materiais, nos próximos dias.

Nos postos de saúde de Florianópolis, o atendimento é normal. Não faltam medicamentos porque o abastecimento do estoque é feito a cada 15 dias e, recentemente, a secretaria municipal de Saúde havia reposto os materiais e remédios. Os veículos, no entanto, estão parcialmente parados por falta de gasolina.

Dos 40 veículos, somente 13 estão circulando. Isso porque a pasta conseguiu combustível com a Comcap para garantir o atendimento dos pacientes mais graves em tratamentos - como terapia renal substitutiva - e transporte de ambulâncias. Caso a greve não termine, a situação pode se agravar pois o combustível dura somente até segunda-feira.

Aeroporto Hercílio Luz 

No Aeroporto Hercílio Luz, a administradora Floripa Airpot informou que há querosene de aviação para operar normalmente nesta sexta-feira. Mas já neste sábado pode haver cancelamento de voos. Segundo informações da Infraero, seis aeroportos no Brasil já estão sem combustíveis. Em Santa Catarina, a situação mais preocupante é em Navegantes, onde o aeroporto só tem condições de operar até o final desta sexta.

Viagens no Terminal Rita Maria

No Terminal Rita Maria, onde circulam 8 mil pessoas diariamente, nesta sexta-feira a movimentação não passa de 4 mil. As empresas estão tomando medidas isoladamente, dependendo de seus estoques de combustível. Uma delas já cancelou 20 itinerários. Outras estão optando por juntar percursos, otimizando a frota para que ninguém fique sem viajar. Por exemplo, a pessoa que vai até Tubarão ou Araranguá, utiliza o mesmo ônibus de quem segue para Porto Alegre.

A orientação é para que as pessoas fiquem atentas, porque mais itinerários podem ser cancelados nas próximas horas. Quem comprou passagem com antecedência deve procurar a empresa para saber se houve alteração, antes de embarcar.

A administração do terminal rodoviário disse que as empresas têm condições de manter as operações, ainda que de forma precária, até a próxima segunda-feira (28), quando devem fazer nova avaliação sobre a possibilidade de cancelamentos ou agrupamentos de mais itinerários, sejam intermunicipais ou interestaduais.

Abastecimento de água

A Casan emitiu um comunicado pedindo à população que economize água. A companhia possui 295 unidades de tratamento que utilizam produtos químicos, cuja entrega está comprometida com a greve dos caminhoneiros.

Juntamente com a Defesa Civil, a Casan está tentando garantir o recebimento de sulfato de alumínio líquido, hidróxido de cálcio em suspensão e cloro gás que são utilizados para tratamento da água. Só há estoque para mais alguns dias.

A empresa sugere que as pessoas tomem banhos rápidos, fechem a torneira durante a escovação dos dentes e ao lavar a louça, e só use a máquina quando ela estiver com sua capacidade máxima de roupas sujas. Não lave pátios, casas, calçadas, carros e vias com mangueira e só molhe plantas com o uso de regador.

Liberação de cargas essenciais

A Fetrancesc (Federação das Empresas de Transporte de Carga e Logística no Estado de Santa Catarina) e a Defesa Civil estadual pedem sensibilização para o transporte de cargas essenciais para a preservação da vida, que incluem o GLP para hospitais, combustível para veículos de emergência, cloro para tratamento de água, medicamentos para hospitais e ração animal. Os veículos que prestarem este tipo de serviço receberão o adesivo da Defesa Civil e terão escolta garantida.

Caminhões da Copagaz, quinta maior distribuidora de GLP do País, têm saído escoltados dos plants - onde o produto é colocado dentro dos botijões - por viaturas e até helicópteros das polícias Civil e Militar, para efetuar as entregas com segurança para serviços essenciais. A medida tem ocorrido em estados como Santa Catarina, Pernambuco, Minas Gerais, São Paulo e Paraná.

Confira informações sobre a greve em Santa Catarina:

Confirma a situação nas estradas catarinenses na noite desta sexta-feira:

Panorama da greve no início da noite desta sexta em SC - PRF/Divulgação/ND
Panorama da greve no início da noite desta sexta em SC - PRF/Divulgação/ND


De acordo com a PRF, havia 56 pontos de manifestação nas rodovias federais de SC às 14h15. No relatório mais recente, registrado às 18h15, o número de pontos passou a ser 63.

Aeroportos ficam sem combustível; aérea cancelam voos

Ao menos 12 aeroportos do país estão sem combustível nesta sexta-feira. Eles continuam abertos, segundo a Infraero, mas só pousam e decolar as aeronaves que já tiverem reserva de querosene. O aeroporto de Brasília afirmou que suas reservas se esgotaram por volta das 8h, após receber apenas dez caminhões de abastecimento desde terça-feira (22), sendo que a média diária é de 20 caminhões. Segundo a concessionária Inframerica, algumas medidas tomadas conseguiram retardar o problema.

Outros aeroportos que também estão sem combustível são: de Carajás (PA), São José dos Campos (SP), Uberlândia (MG), Ilhéus (BA), Palmas (TO), Goiânia (GO), Juazeiro do Norte (CE), Maceió (AL), Recife (PE), Joinville (SC) e João Pessoa (ES), todos administrados pela Infraero.

Os principais aeroportos de São Paulo continuam com operações normais. O aeroporto de Cumbica, em Guarulhos (Grande SP), afirmou que seu abastecimento acontece também por dutos, o que deve impedir impactos. Já Congonhas (zona sul) disse que pode ter problemas caso a situação persista, mas não informou o quanto ainda pode durar suas reservas.

As companhias aéreas também acumulam voos cancelados devido à falta de combustível. A Latam tem ao menos 30 cancelamentos, número próximo aos 36 cancelados pela Azul. A Gol teve dois cancelamentos e a Avianca outros dois.

*Com informações da Folhapress

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