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Aos cem anos, a manezinha Vó Luci esbanja vivacidade e boa memória

Nascida na Vargem Grande, em Florianópolis, Luci Pacheco da Rosa tem oito filhos, 32 netos, 31 bisnetos e um tataraneto

Felipe Alves
Florianópolis
20/10/2017 às 07H49

Manezinha da Vargem Grande, Norte da Ilha, Luci Pacheco da Rosa chegou aos cem anos na quarta-feira (18) esbanjando vivacidade e boa memória. Com tantas histórias para contar, ela lembra com detalhes momentos marcantes de sua vida na fazenda do pai, das brincadeiras de criança e dos primeiros encontros com o marido. Neste sábado, a família fará uma grande comemoração com mais de 200 pessoas para celebrar um século de vida da Vó Luci. Entre familiares e amigos, estarão seus oito filhos, 32 netos, 31 bisnetos e um tataraneto.

Luci, com a neta Deise (à esq.) e a filha Rose, ganhará uma grande festa neste sábado para comemorar o centenário - Marco Santiago/ND
Luci, com a neta Deise (à esq.) e a filha Rose, ganhará uma grande festa neste sábado para comemorar o centenário - Marco Santiago/ND



Quando pequena, Luci estudou, formou-se e chegou a ser professora na cidade de São Joaquim. Quando voltou, casou e criou os oito filhos. Foi lavadeira e servente. Hoje, dedica-se ao artesanato, à igreja e não deixa de ir ao salão de beleza para fazer o cabelo e as unhas.

Quem conversa com Luci não pensa estar diante de uma senhora de cem anos, tamanha lucidez e disposição. Mas a certidão de nascimento e o registro de identidade comprovam: foi em 1917 que sua história começou. Ela lembra do pai, José Luiz Pacheco, como o “homem mais rico” da Vargem Grande. “Nós tínhamos fazenda e só comprávamos o sal e a lata de querosene para acender a pomboquinha. Meu pai tinha engenho de farinha, cana e cachaça. A gente não comprava nada, tinha de tudo ali”, lembra.

Uma das imagens mais vívidas na infância que Luci tem na memória é de quando o pai ia para Lages e, quando voltava, trazia uma tropa de bois para vender às vésperas do Natal. O “evento” reunia toda a comunidade para ver a chegada dos bois. “Quando a tropa chegava era um galho batendo no outro e o pessoal colocando os bois pra ‘brincar’ na farra do boi. Lá em casa ficava cheio de gente. A minha mãe fazia um balaio de bolo de milho e rosca de polvilho para vender e vendia tudo”, conta.

Memória viva

Aos 12 anos, Luci saiu da Vargem Grande e foi morar com os padrinhos em Coqueiros, para continuar os estudos. Quando se formou, recebeu o convite do diretor da escola para dar aula em São Joaquim, onde lecionou para crianças por dois anos, mas decidiu voltar para Florianópolis. Retornou aos 28 anos, quando apaixonou-se pelo futuro marido, José Zacarias da Rosa.

“Quando eu cheguei minha madrinha disse ‘Olha, ele está viúvo, é um homem bom, mas tem duas crianças’. Eu disse que eu queria ele e cuidava das crianças”, lembra, se divertindo com o espanto que causou na época. Foi de Luci a iniciativa de ir falar com Zé, sempre com a madrinha espiando na porta a cada passo que ela dava. “Um dia ele passou, com calça preta e um paletó xadrez bonito. Vi passar com um menininho e aí fui falar com ele”, relembra.

O matrimônio só terminou por conta de um câncer de estômago, após mais de 50 anos de casados. A fazenda herdada pelo pai foi “vendida quase de graça” e o dinheiro foi dividido entre Luci e os irmãos – ela teve 16, mas hoje só restam ela e uma irmã. Com a morte do marido, Luci voltou a trabalhar para sustentar os oito filhos que moravam com ela no Estreito.

“Não tomo remédio nenhum”

Hoje aposentada, Luci divide o tempo entre os trabalhos manuais que faz em casa, as aulas de artesanato na igreja, visitas aos filhos e idas ao médico. Ela mora com uma das filhas, o genro e netos, em São José. “Ela é muito caridosa, bem querida com todo mundo. Se existe céu, a minha mãe vai pro céu”, diz uma das filhas, Rose Mere Rosa de Jesus.

E para chegar aos cem anos, Vó Luci diz que não há segredos: “Não tomo remédio nenhum. Como tudo que todo mundo come. Acho que é o cuidado que todo mundo tem comigo e também Deus cuida de mim”. A festa para comemorar os cem anos reunirá amigos e familiares de várias regiões do país. Como presente, os filhos pediram aos convidados cestas básicas, que serão doadas a entidades.

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