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Aos 104 anos morre Tia Hilda, uma das benzedeiras mais antigas da Ilha de SC

Hilda Martinha Vieira lutava contra uma infecção urinária há quase 20 dias e estava internada no Hospital Celso Ramos, na Capital

Ian Sell
Florianópolis
04/09/2018 às 20H32

Uma das benzedeiras mais antigas da Ilha de Santa Catarina morreu na tarde desta terça-feira (4). Hilda Martinha Vieira, que afirmava ter 104 anos – ela foi registrada mais tarde, por isso a data não é exata - era uma das últimas benzedeiras antigas da cidade e morava no Pântano do Sul. Tia Hilda, como era carinhosamente chamada, estava internada há cerca de 20 dias no Hospital Celso Ramos, em Florianópolis, com quadro de infecção urinária seguida por diverticulite. O velório será no Pântano do Sul, ainda sem horário definido.

Dona Ilda era conhecida pelo seu bom humor e sotaque tipicamente manézinho - Duda Hamilton/Divulgação/ND
Tia Hilda era conhecida pelo seu bom humor e sotaque tipicamente manézinho - Duda Hamilton/Divulgação/ND


Todas as tardes, Ilda saia de casa para se dirigir até o Bar do Arante, também no Pântano do Sul. Em um cantinho ela recebia pessoas que procuravam pelos dotes da benzedeira, além da rede de tainha utilizada pelos pescadores. A benzedeira era irmã do dono do Bar, Arante José Monteiro.

“Uma mulher simples, benzedeira de mão cheia, fazia rendas e era uma mãe na Ilha. Estou triste, mas o que me conforta é saber que está cantando ratoeira, fazendo renda e distribuindo amor. Me chamava carinhosamente de "faiada"”, conta a jornalista e amiga da família Duda Hamilton. “O que fica são os ensinamentos que ela me ensinou muito sobre a simplicidade da vida”, completa.

Hilda aprendeu a benzer já aos 15 anos, junto com a mãe. Dedicou a vida a curar pessoas doentes com cobreiros, mau olhado, calcanhar rachado, aplicando sobre elas gestos, em geral acompanhados por um terço, ou ervas com seus poderes sobrenaturais, ao tempo em que se aplica uma oração.

Em Florianópolis, bairros tradicionais como Lagoa da Conceição, Ribeirão da Ilha e Rio Vermelho, benzedeiras ainda mantêm sua prática, resistindo ao passar dos anos. Para conseguir a cura de determinado mal, tanto quem faz o benzimento quanto quem o recebe precisam acreditar que dará certo. Tia Hilda foi uma autêntica manezinha, que deixou além de carisma, vários ensinamentos.

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