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Moradores pedem interferência do Ministério Público no desvio do tráfego no Campeche

Associação de Moradores do Campeche reclama a falta de um plano de contingência para situação gerada pelas obras do elevado do Rio Tavares

Cristiano Rigo Dalcin
Florianópolis
15/11/2018 às 19H00

Preocupada com as condições de segurança, principalmente de pedestres e ciclistas, a Amocam (Associação de Moradores do Campeche) solicitou a interferência imediata do MPF (Ministério Público Federal) e do MPSC (Ministério Público de Santa Catarina) em relação ao desvio do tráfego provocado pelas obras do elevado do Rio Tavares. O pedido é no sentido de condicionar o desvio à apresentação de um plano de contingência ou estudo de impacto de vizinhança a ser apreciado pela comunidade, ou que se faça uma via provisória no entorno da obra possibilitando o tráfego normal, como era até o dia 11 de novembro.

O desvio foi provocado por bloqueios de pista no trevo do Rio Tavares, realizado para construção da última parte do elevado que deverá ser entregue em 23 de março, aniversário de Florianópolis. As faixas que eram utilizadas para o acesso de veículos nos sentidos Lagoa/Sul e Sul/Lagoa precisou ser interditada para colocação de escoras de madeira que sustentarão a última parte do elevado, entre os pilares 1 e 4, em direção às praias do Sul da Ilha.

Tráfego ficou pesado no interior do bairro Campeche com implantação de desvio  - Foto: Marco Santiago/ND
Tráfego ficou pesado no interior do bairro Campeche com implantação de desvio - Foto: Marco Santiago/ND



Os bloqueios e o consequente desvio do tráfego deverão durar no mínimo três meses e, de acordo com a Amocam, as ruas, avenidas e pequenas servidões do bairro não estão preparadas para receber esse volume de tráfego. “Para piorar o quadro, as alterações se darão em meses da alta temporada de verão. Qualquer pessoa que more no bairro ou visita a comunidade sabe das dificuldades de mobilidade mesmo em épocas de baixo fluxo”, ressalta o presidente da Amocam, Alencar Deck Vegano.

O pedido para interferência do MPF e MPSC destaca também que a entidade não foi procurada pela Prefeitura de Florianópolis para explicar como funcionaria o desvio e quais as providências tomadas para amenizar os impactos no cotidiano do bairro. “Na verdade, tivemos notícia das alterações apenas por meio da imprensa ou de declarações em rede social da prefeitura e grupos de Whatsapp”, destaca Vegano.

Não há "plano B" em caso de problemas

No dia 8 de novembro, Alencar Deck Vegano conversou com engenheiros da empresa responsável pela obra e descobriu que não há um “plano B” em caso de problemas neste desvio. “Qualquer tipo de evento que possa acontecer, principalmente na avenida Campeche, entre as ruas da Capela e Pau de Canela, inviabilizaria todo o trânsito na região”, enfatiza.

Tal situação já foi verificada no segundo dia do desvio. Um ônibus estragou no cruzamento da rua Pau de Canela com avenida Campeche e provocou fila em horário de pico, bloqueando várias vias do bairro.

A comerciária Andréa dos Santos, que mora no Ribeirão da Ilha e trabalha no Campeche, foi testemunha do problema com o ônibus e classifica o trânsito como "infernal", principalmente após as 17h. "Os ônibus tentam virar aqui na rua da Capela, mas não conseguem porque essa rua e a avenida Campeche ficam congestionadas. Além disso, é um horário que os pais buscam os filhos na creche aqui perto, há bicicletas, vans de transporte escolar e um local onde não há ciclovia. Falta infraestrutura para viabilizar essa mudança no trânsito", critica.

Preocupação com veículos de emergência e alunos de duas escolas

Além do tráfego intenso, a Amocam destaca ainda duas situações que causam apreensão: os serviços de emergência, como Corpo de Bombeiros e ambulâncias, estão privados de rotas alternativas; e a insegurança de crianças e familiares que diariamente se deslocam até as escolas Januária Teixeira da Rocha e Brigadeiro Eduardo Gomes, localizadas nas proximidades de dois cruzamentos que receberam o fluxo de veículos do desvio pelo interior do bairro.

Em nota, a Prefeitura de Florianópolis ressalta que vem informando sobre a mudança do trânsito com um mês de antecedência, sempre se colocando à disposição para tirar qualquer dúvida. A interrupção de um dos trechos do trevo, que representa 8% do tráfego naquela região, é inevitável para o término da obra. Técnicos da prefeitura também estiveram na comunidade, antes da mudança, conversaram e tiraram as dúvidas dos moradores. Conforme o município, até o momento a Amocam não procurou a prefeitura e nem apresentou nenhuma sugestão de melhoria.

 

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