Publicidade
Sábado, 17 de Novembro de 2018
Descrição do tempo
  • 28º C
  • 21º C

Amigos de Florianópolis garantem ingressos para a Copa do Mundo e contam experiência

Eles conseguiram ingressos no formato condicionado para os jogos do Brasil, por isso correm o risco de não assistir nenhuma partida

Karin Barros
Florianópolis
15/05/2018 às 08H42

Entre os 1,7 milhões de ingressos já vendidos para os jogos da Copa do Mundo na Rússia desde setembro do ano passado, pelo menos seis terão nomes manezinhos gravados pela Fifa. Bruno Nascimento e Ricardo Vieira, ambos de 27 anos, já estavam achando que não seria dessa vez que assistiriam as amarelinhas em campo russo. 

Desde a abertura das vendas por meio de sorteio eles aguardavam ansiosos. São diversas etapas entre sorteio e ordem de chegada, e a última abriu no dia 18. “A venda começa às 6h, mas tu já podes deixar o computador ligado no dia anterior que quando tu chegares vai ter uma fila de três horas no mínimo para entrar no site. É super difícil mesmo”, explicou o empresário Bruno. Quando eles conseguiram a compra dos ingressos foi na terceira etapa, no formato condicionado para os jogos do Brasil para as oitavas, quartas, semifinal e final do campeonato.

Ricardo Vieira e Bruno Nascimento conseguiram comprar ingressos no formato condicionado para os jogos do Brasil na Copa do Mundo, na Rússia - Marco Santiago/ND
Ricardo Vieira e Bruno Nascimento conseguiram comprar ingressos no formato condicionado para os jogos do Brasil na Copa do Mundo, na Rússia - Marco Santiago/ND


Isso significa que, caso a seleção brasileira não passe da fase de grupos, os amigos serão reembolsados com 80% do valor pago e não assistirão a nenhum jogo. Como eles mesmos brincam: “o máximo que pode acontecer é que a gente vai conhecer a Rússia”. Porém, os números estão a favor dos amigos, que acreditam que, já que o Brasil nunca parou na fase de grupos, não é dessa vez que isso irá acontecer. 

A viagem será do início ao fim uma relação de risco e otimismo, e, com dois planos de roteiro de acordo com os resultados. “O principal é um roteiro totalmente otimista pela lógica do grupo que o Brasil pegou, mas já reservamos os hostels das outras cidades caso fique em segundo”, afirma Ricardo, que é advogado.

Ricardo, na realidade, foi o mais arriscado ainda em terras catarinenses, pois acabou comprando os ingressos de outro colega, que desistiu da viagem. Isso porque fazer as trocas dos nomes pelo site da Fifa também tem um processo demorado e rigoroso. “O Ricardo entrou como meu convidado. Dificilmente ele conseguiria a troca se fossemos estranhos. A Fifa exige que exista alguma relação entre eu e as outras duas pessoas envolvidas, se não eles repassam o ingresso de volta para a venda avulso”, explica Bruno. 

Um documento essencial para ser um torcedor na Rússia em 2018 é a Fan ID. A de Ricardo ainda está para chegar, já a de Bruno está em suas mãos desde a semana passada. A Fan ID é uma espécie de credencial russa exigida pelo próprio país para facilitar na hora da imigração nos aeroportos, na locomoção dentro do país e no acesso aos jogos e nos seus arredores. Com ela é possível conseguir até transporte gratuito. Sem ela praticamente não existe Copa.

Essa será a primeira Copa do Mundo dos dois amigos de infância. Ricardo confessa que a vontade de ir pra Rússia surgiu no ano passado, quando foi assistir ao jogo das eliminatórias no Brasil contra o Paraguai. “Fui com um grupo de amigos e o Brasil fez uma goleada. Foi um show do Brasil. Ali a gente começou a se empolgar e depois se planejar, mas acabou que do grupo só eu e mais um vamos”, diz. “De uma forma geral, nossa grande motivação para ir para a Copa é que a gente é apaixonado por futebol, as chances de ganhar são grandes, e quando foi no Brasil eu não consegui ir”, lamenta Bruno. 

Risco e otimismo o tempo todo

Junto deles ainda vão Thomaz de Bem Orleans e Gabriel Batista de Souza. Os amigos de Florianópolis vão sair do Aeroporto Internacional Hercílio Luz no dia 29 de junho, rumo a São Paulo. De lá, eles seguem em voo para a ponte aérea em Dubai, e finalmente para a Rússia. Se a seleção for bem no campeonato mundial, o primeiro jogo que eles irão assistir é no dia 2 de julho, nas oitavas de final.

Todos os jogos são em cidades diferentes, por isso, de novo, o risco aparece: eles já compraram todas as passagens de trem e de avião entre as cidades dos jogos e reservaram as hospedagens. Porém, nada disso poderá ser ressarcido se o Brasil perder. “Entre Kazan e São Petersburgo de trem são 24 horas, e a gente não quer passar esse tempo em um trem, então já garantimos a passagem de avião e já assimilamos que se não der, perdemos esse dinheiro. É um risco calculado, porque é muito longe”, diz Bruno, que mais do que nunca está confiante que o Brasil chegue à final. 

Nos 21 dias de estadia russa os quatro amigos ficarão em hostels. Opção que assim como na maioria dos países se torna barata e prática, já que a ideia não é aproveitar o hotel, e sim a cidade. A vantagem maior nisso é que a moeda russa, o rublo, está valendo na cotação R$ 0,0570. 

No planejamento deles o intuito é ficarem três dias em cada cidade, por isso eles já estão de olho em tudo que é referência e ponto turístico entre Moscou, São Petersburgo, Samara e Kazan. “Mas tudo vai depender de como estará o clima em cada cidade. Vamos olhar um para o outro e decidir”, relata Ricardo. 

Economia e idioma 

Não, eles não falam russo. O inglês até que sai bem, porém, nas pesquisas que fizeram sobre o país e conversando com pessoas que já tiveram experiência por lá, o que foi visto é que os russos falam apenas o russo mesmo. Como o campeonato é algo mundial e realizado por uma confederação como a Fifa, a expectativa otimista e gerada a partir de outros eventos, é que tudo tenha um pouco das duas línguas. 

Se nada der certo, Bruno, por exemplo, já separou frases rápidas e que poderão surgir com frequência em russo no celular para mostrar para algum nativo em caso de desespero. A mímica também deve funcionar bem no país da vodca.

Pelo que os amigos pesquisaram até então sobre as questões financeiras, o mais interessante para levar para a viagem será o dólar, mesmo assim há melhor aceitação se elas foram notas novas e de valores altos. “Vamos levar um pouco de rublo, mas a maioria em dólar, porque chegamos em Moscou e já pegamos um trem para Samara no mesmo dia, e o câmbio dentro do aeroporto vai ser muito mais caro”, diz Ricardo.

Brasileiros estão em segundo lugar nos ingressos 

O maior site de planejamento de viagens do mundo, Kayak, fez um levantamento sobre a alta na procura por pacotes para a Rússia e também sobre os valores que subiram significativamente com a proximidade da data.  Segundo eles, o preço médio da passagem de ida e volta para a Rússia saiu de R$ 3.772 em junho de 2017 para R$ 6.662 em março deste ano. Ou seja, um salto no preço das tarifas de 76,6% em dez meses. Quando Ricardo e Bruno compraram as passagens, ainda conseguiram um valor intermediário, por volta de R$ 5.400 ida e volta por São Paulo.

O levantamento também revela um crescimento de 1.150% na procura por passagens aéreas para a Rússia de junho de 2017 para cá. O preço médio de passagens ficou mais salgado em setembro, quando a venda de ingressos foi anunciada. Em abril, o preço chegou a ficar 100% mais alto em relação a junho do mesmo ano. 

Para a Copa do Mundo na Rússia foram liberados 2,7 milhões de ingressos. Destes, 2,2 milhões são destinados a torcedores pelo processo de compra comum, enquanto cerca de 500 mil ficam reservados inicialmente para patrocinadores da Fifa e das seleções. Quase 770 mil ingressos já foram comprados por russos. Entre os compradores estrangeiros, o Brasil aparece na vice-liderança, com cerca de 65 mil ingressos, atrás de torcedores dos EUA, que já compraram 80 mil mesmo sem que sua seleção tenha se classificado para a Copa.

A CVC, operadora e agência de viagens com sede em São Paulo, afirma que a busca por viagens para o destino Rússia teve um expressivo aumento. Segundo o diretor de produtos internacionais da CVC, Sylvio Ferraz, até o momento, o número de orçamentos gerados nas lojas para o destino com embarques no período da Copa do Mundo praticamente triplicou desde o final de fevereiro, quando começaram a fazer anúncios e comunicações voltadas ao evento.

Publicidade

0 Comentários

Publicidade
Publicidade