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Quarta-Feira, 26 de Setembro de 2018
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Ambulantes continuam nas ruas de Florianópolis

Apesar da promessa da prefeitura, comércio ilegal permanece forte no Centro da Capital

Emanuelle Gomes
Florianópolis
Marco Santiago/ND
Marco Santiago/ND
José Nildo Barbosa, presidente da Associação dos Ambulantes, troca o controle remoto que vende para Sirlei da Rosa

 

As ruas do Centro da Capital continuam repletas de ambulantes, mesmo depois da determinação da Prefeitura de Florianópolis, de que após o dia 23 de março todos os produtos seriam apreendidos e a atividade seria severamente combatida. A promessa do secretário executivo de Serviços Públicos, Acácio Garibaldi, não foi cumprida. Segundo ele, os ambulantes foram retirados, mas retornaram às ruas.

Entretanto, a Guarda Municipal afirmou que não realizou nenhuma ação naquela data em parceria com a Sesp (Secretaria Executiva de Serviços Públicos). A Associação dos Ambulantes garantiu que ninguém teve mercadorias retiradas das ruas e que conseguiu um novo prazo com a prefeitura.

Para Garibaldi, o problema dos ambulantes é social. Muitos receberam autorização para atuar no Centro da administração passada, mas não tiveram a renovação este ano. “Estamos avaliando e vamos tirar novamente aos poucos. Os que não têm a licença terão que sair”, afirmou.

A intenção agora é diminuir o número de ambulantes e combater os ilegais. Entretanto, o diretor da Guarda Municipal, Jean Carlos Cardoso, disse que não houve intensificação da ação de apreensão de produtos de ambulantes ilegais no Centro. “O controle disso é da Sesp. Nós apenas acompanhamos os fiscais. Hoje [ontem] de manhã até apreendemos 20 celulares falsificados, mas são ações pontuais, não fiscalização constante. Somos apenas apoiadores”, relatou.

Sem efetivo suficiente, a Guarda não consegue dar conta da enorme demanda gerada pela venda de produtos ilegais. Além da venda de camisetas, CDs e DVDs piratas e aparelhos eletrônicos, todos sem nota fiscal, ainda há a presença dos comerciantes que estão no local há dez, 20 ou 30 anos, vendendo controles remotos, panos de pratos, meias e outros. “Nossa associação tem hoje 70 ambulantes que estão dentro das normas que determinamos. Os que vendem produtos contrabandeados não estão na associação. Estamos apoiando os que são pais de família e vivem da atividade por muitos anos”, explicou José Nildo Barbosa, presidente da associação, ambulante há 15 anos.

Ambulantes querem qualificar a atividade

Pai de cinco crianças e com a mulher grávida, José Nildo Barbosa decidiu ficar à frente da associação para travar uma discussão com a administração municipal. A venda de controles remotos, segundo ele, é a única forma de sustento. “Todos os outros estão na mesma situação que eu. Não têm estudos, não conseguem encontrar outro trabalho. Por isso, estamos conversando com a prefeitura e pedimos mais 30 dias para entregar uma proposta que possa nos manter nas ruas”, declarou.

De acordo com Barbosa, a ideia é que o ambulante possa ser útil à sociedade, ajudando na fiscalização dos irregulares e ainda dando informação aos turistas. “Queremos organizar a atividade, colocar os ambulantes em locais que não atrapalhem a passagem de pedestres e o comércio. Assim, não vai ter bagunça”, argumentou.

Barbosa está, inclusive, estudando modelos de cidades que têm parceira entre ambulantes e prefeitura e afirmou que a questão dos ilegais é caso de polícia. “Não apoiamos esse tipo de ação ilegal e representamos quem está fazendo as coisas certas. Estamos defendendo os mais antigos. No meu caso, o dinheiro que ganho é para evitar que meu filho passe pelo que estou passando”, justificou.

Opiniões divididas

Para os consumidores, as opiniões sobre os ambulantes são divididas. Sirlei da Rosa saiu correndo do trabalho para trocar o controle remoto que tinha comprado com José Nildo Barbosa. Não funcionou na televisão digital. “Cada um tem seu trabalho. É melhor ser honesto do que estar roubando e matando. Pelo menos ele não se negou a trocar o produto”, disse.

Sirlei não tinha tempo para ir a uma loja e Barbosa estava com os controles no local em que passa todos os dias. Mas ela afirmou que não pretende mais comprar na rua. “Tive que vir três vezes trocar o produto. É a primeira e última vez que compro aqui”, revelou.

Maria Aparecida Ramos, no entanto, aprovou todos os produtos que já comprou na rua. Adora comprar panos de prato na Conselheiro Mafra. “Eles precisam vender e a gente precisa deles”, disse.
Segundo ela, é mais prático comprar na rua e o preço também é melhor. Porém, a vendedora autônoma admitiu que a bagunça está grande no Centro por causa da ação dos ambulantes. “Eu já fui a Belém e lá é uma loucura. Tem ambulantes na porta das lojas. Aqui está começando a ficar assim. Eles têm que continuar vendendo, mas precisam de um lugar específico para isso”, opinou.

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