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Alvo de investigações da Polícia Federal, UFSC anuncia criação de portal da transparência

Novidade foi divulgada nesta terça-feira, pelo reitor eleito Ubaldo Balthazara, que busca garantir veracidade às informações da universidade

Cristiano Rigo Dalcin
Florianópolis
24/07/2018 às 22H29

A UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) anunciou nesta terça-feira (24) a implantação de um portal da transparência próprio para garantir veracidade às informações da instituição. Recentemente, a universidade foi alvo de investigações da Polícia Federal, nas operações Ouvidos Moucos e Torre de Marfim, e de apontamentos da CGU (Controladoria-Geral da União). O portal é uma das 467 ações elencadas pelo reitor eleito Ubaldo Cesar Balthazar, que tem uma meta ambiciosa para os quatro anos de mandato: colocar a UFSC entre as melhores do país.

Ubaldo Balthazar, que toma posse nesta sexta-feira, elencou 467 ações para os próximos quatro anos - Marco Santiago/ND
Ubaldo Balthazar, que toma posse nesta sexta-feira, elencou 467 ações para os próximos quatro anos - Marco Santiago/ND


De acordo com o reitor eleito, que toma posse nesta sexta-feira (27), no Ministério da Educação, em Brasília, a meta é difícil, mas “factível”. Atualmente, de acordo com o ranking universitário da Folha de São Paulo, que avaliou 175 instituições públicas do país, a UFSC ocupa a sexta posição. Para isso, uma das ações é o acompanhamento semanal ou quinzenal das ações que cada secretaria ou pró-reitoria desenvolverá no plano de gestão.

A falta de transparência em relação às taxas administrativas cobradas pelas fundações de pesquisa para execução dos projetos foi um dos problemas apontados pela CGU, e o portal tem um papel importante neste planejamento da reitoria. O primeiro esboço deverá estar pronto no prazo de dois a três meses. A ideia é disponibilizar todas as informações, sem exceção, à comunidade. “Nós queremos clareza nas informações e transparência em tudo. Para acabar com as fofocas e maledicências que estamos cansados de responder e que são frutos da imaginação de muita gente”, declarou o reitor, sem fazer referências às operações Ouvidos Moucos e Torre de Marfim, que ainda repercutem junto à comunidade acadêmica.

Cobrança por clareza das fundações 

Para garantir a transparência, Ubaldo Cesar Balthazar disse que irá se reunir com os representantes das quatro fundações de pesquisa, que recolheram cerca R$ 6 milhões para administrar projetos da UFSC este ano. “Tem que ser uma fundação transparente e colocar na rede tudo que recebeu e tudo que pagou”, cobrou, adiantando que o atual portal da transparência da Sead-UFSC (Secretaria de Ensino a Distância) estará integrado ao portal de transparência a ser criado.

Por outro lado, o reitor reconheceu que a UFSC precisa melhorar alguns processos internos. “Em uma universidade desse porte é impossível que não se cometa aqui ou ali alguma irregularidade. Não digo ilegalidade, pois não existe má-fé, mas irregularidades que precisam ser corrigidas, e isso é normal em uma instituição com algo em torno de 50 mil pessoas”, afirmou.

RU, HU e Moradia Estudantil são prioridades 

Ubaldo Cesar Balthazar também anunciou que tratará com prioridade três questões muito alardeadas pela comunidade acadêmica: ampliação do RU (Restaurante Universitário), a manutenção do HU (Hospital Universitário) como instituição 100% pública e gratuita, e a solução dos problemas físicos e de equipamentos da Moradia Estudantil.

A ampliação do RU será viabilizada com a utilização de uma cozinha desativada como salão de refeições para acabar com as filas diárias, uma reivindicação antiga. “É uma festa que ninguém quer participar, e com o novo salão 1.500 a 2.000 mil refeições podem ser servidas em um período de até uma hora e meia”, estimou.

No HU, a intenção é fiscalizar "sem trégua" o contrato com a Ebserh (Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares), responsável pela administração até 2025, para que o hospital permaneça atendendo pelo SUS (Sistema Único de Saúde), e servindo de hospital escola do curso de medicina e dos demais cursos da área de saúde. “Tem muita coisa que precisa ser resolvida, mas estamos no caminho. Vamos exigir o projeto do HU com 500 leitos. E queremos que dê certo”, afirmou.

Já a Moradia Estudantil, que atualmente dispõe de 167 vagas, está em fase de reforma externa e interna. O canteiro de obras para realização das melhorias foi instalado nesta terça. Além disso, os apartamentos receberam também 30 fornos de microondas, dez fogões e cinco máquinas de lavar. E nos próximos dias deverão chegar dez refrigeradores e dez secadoras. “Só vamos conseguir ampliar o número de vagas com a construção de novas moradias, mas para isso falta projeto e dinheiro. Tenho o entendimento que não precisamos construir necessariamente no campus, mas isso é apenas uma ideia”, salientou.

Jornada de trabalho

Sobre a falta de flexibilização da jornada de trabalho, também apontada pela CGU como uma das distorções administrativas da UFSC, Ubaldo Cesar Balthazar adiantou que muitos setores já foram flexibilizados porque têm atendimento externo. “Mas na minha gestão, os setores que não têm atendimento externo não serão flexibilizados”, sentenciou.

Já o EaD (Ensino a Distância), alvo da operação Ouvidos Moucos, está próximo da normalização. “Eu não diria que está 100% normalizada, mas 98%”, afirmou. Os problemas estão restritos ao curso de administração, e está prevista uma série de formaturas em agosto e setembro, apesar da mudança do regime financeiro, uma vez que agora todos os recursos são provenientes da própria instituição.

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