Publicidade
Terça-Feira, 25 de Setembro de 2018
Descrição do tempo
  • 26º C
  • 18º C

Alckmin repete domínio de Dilma e de FHC ao testar poder do horário político

Geraldo Alckmin (PSDB) é disparado o candidato à Presidência da República com mais tempo de TV e rádio

Folha de São Paulo
São Paulo (SP)
30/08/2018 às 22H26

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Se você escuta rádio e vê televisão, acostume-se a ouvir o Geraldo falar. Ainda patinando nas pesquisas de intenção de voto, Geraldo Alckmin (PSDB) é disparado o candidato à Presidência da República com mais tempo de TV e rádio. Ele tem 44% dos 25 minutos dos blocos diários do horário eleitoral, que inicia neste sábado (1º).

Alckmin defende a redução do número de ministérios  - Record TV/Divulgação/ND
Alckmin defende a redução do número de ministérios - Record TV/Divulgação/ND


Além disso, conta com 434 inserções, de 30 segundos cada, que serão veiculadas a partir desta sexta (31), entre 5h e 0h. O tucano terá 14 por dia, em média, até 4 de outubro.

A candidatura do PT, que tem Lula--preso em Curitiba-- à frente da chapa, acumula 19.16% do tempo do bloco TV e terá 189 inserções, seis por dia, em média.

É a terceira maior diferença entre o candidato com mais tempo e o segundo colocado desde a redemocratização. A maior da história foi em 1998, quando Fernando Henrique Cardoso, do PSDB, acumulava 49% do espaço no horário eleitoral. Lula tinha 21%. Então presidente, FHC se reelegeu no primeiro turno.

Outros candidatos já tiveram uma parcela maior do espaço que Alckmin na história das eleições presidenciais desde 1989. Dilma Rousseff, por exemplo, chegou a ficar com 52% do tempo na campanha de 2010, mas a diferença em relação ao segundo colocado era menor do que a atual. José Serra (PSDB) tinha 35% do espaço no horário eleitoral.

Das sete eleições presidenciais desde a redemocratização, o candidato com mais tempo de TV ganhou em quatro disputas. Ulysses Guimarães, Serra e Alckmin, em 1989, 2002 e 2006, respectivamente, foram os únicos que perderam sendo dominantes na propaganda.

No período, o tempo total do horário variou, com reduções ao longos dos anos. Em 1989, por exemplo, os dois blocos diários somaram 2h20min. Hoje, são 25 minutos, mais cerca de 14 minutos das inserções ao longo da programação.

"Ao longo do tempo, as pesquisas mostram que a horário tem uma audiência baixa. Muitas pessoas desligam a televisão. Mas para Alckmin, o horário obrigatório parece ser a última salvação", afirma David Fleischer, professor e cientista político da UnB.

O candidato do PSDB está com 6% das intenções de voto na pesquisa Datafolha, do dia 22 de agosto, no cenário com Lula candidato. Sem o ex-presidente e com Fernando Haddad como substituto, o tucano tem 9%.

"O domínio nas inserções [que entram ao longo da programação], sim, pode ser vantajoso para o candidato do PSDB, pois pegam o eleitor desprevenido", opina Fleischer.

Para conseguir o maior tempo na propaganda, o PSDB fechou uma aliança com oito partidos: PRB, PP, PTB, PR, PPS, DEM, PSD e Solidariedade.

No cenário sem Lula na disputa, Jair Bolsonaro (PSL) é o líder na disputa presidencial, segundo pesquisa Datafolha.

O capitão reformado conta com tempo ínfimo de televisão. São 16 segundos por dias, divididos nos dois blocos do horário eleitoral, o que representa 1,21% do programa. Ele ainda, até o dia 4 de outubro, 11 inserções de 30 segundos.

Nesta quinta-feira (30), a Folha de S.Paulo publicou um vídeo que o PSDB levará para a TV. Apesar de não citar Bolsonaro, a propaganda, inspirada numa campanha inglesa pró-desarmamento, ataca uma das bandeiras do candidato do PSL.

Ao som de música clássica, um projétil de uma arma atinge objetos que simbolizam fome, desemprego e saúde. No último quadro, ele encontra a cabeça de uma criança.

"Não é na bala que se resolve", diz a legenda. O vídeo indica uma linha que o tucano deverá seguir, de usar seu tempo para atacar o líder nas pesquisas, no cenário sem Lula.

"Qualquer candidato só cresce em pesquisa de intenção de voto se consegue mudar a opinião de eleitores que estão com outro", afirma o publicitário Lula Guimarães, marqueteiro de Alckmin.

Publicidade

1 Comentário

Publicidade
Publicidade