Publicidade
Sábado, 17 de Novembro de 2018
Descrição do tempo
  • 28º C
  • 21º C

Alcides Abreu era um intelectual à frente de seu tempo, dizem admiradores

“Uma enciclopédia viva", contou deputado Esperidião Amin sobre economista que morreu nesta quarta, aos 88 anos. "Um dos homens mais importantes para o desenvolvimento do Estado", afirmou desembargador Volnei Carlin

Fábio Bispo
Florianópolis
Daniel Queiroz/Arquivo/ND
Alcides Abreu participou praticamente de todos os governos nos últimos 50 anos


Na década de 1960, pela primeira vez um Estado da federação apresentava planejamento plurianual capaz de dimensionar os investimentos de um governo. Foi durante o mandato de Celso Ramos (1961-1966). O feito, que marcou um dos períodos de maior transformação do Estado de Santa Catarina, veio acompanhado da fundação de entidades como Udesc, Celesc e Besc, tendo como principal idealizador o professor Alcides Abreu, considerado uma das maiores cabeças pensantes do Estado no século passado. 

Doutor em direito, professor universitário, economista e administrador, Abreu morreu na madrugada desta quarta-feira, no Imperial Hospital de Caridade, aos 88 anos, vítima de uma pneumonia aguda. Pai de três filhas, Márcia, Ana Claudia e Maria Alsina, Abreu será enterrado nesta quinta-feira no cemitério Jardim da Paz, em Florianópolis.

Natural de Bom Retiro, onde nasceu no dia 5 de setembro de 1926, Abreu exerceu sua influência na vida econômica, política e acadêmica de Santa Catarina nos últimos 50 anos. Letrado pelas mãos do professor Júlio Alexis Marc, refugiado da Revolução Russa de 1917, antes mesmo de ingressar na Escola Tereza Ramos, Abreu se graduou em direito, filosofia e economia, mais tarde conquistando o título de doutor em direito pela Sorbonne (França).

Dono de inteligência e perspicácia sem comparação, chegou a ser cogitado para comandar o Estado em 1965, como sucessor do governo que idealizara. Mas o futuro e as pressões oligárquicas que na época o impediram de concorrer ao cargo de governador lhe reservaram lugar cativo não em um, mas em praticamente todos os governos desde então.

“Era um assessor para tudo em todas as horas. Um inspirador. Atuou ativamente nos meus dois governos”, disse o ex-governador e atual deputado federal Esperidião Amin (PP).

Além da capacidade incrível de transitar por assuntos desde educação, desenvolvimento industrial, cultura, planejamento estratégico e gestão pública à globalização, democracia, conceito de lucro e regras de mercado, Abreu dedicou ainda esforços como colaborador assíduo da Federação Espírita Catarinense e inúmeras instituições filantrópicas e assistenciais. “Era uma enciclopédia viva, atualizada e futurista. Um homem de grandeza, bondade e humanidade, nunca de mesquinharia”, afirmou Amin.

“Um homem insubstituível”

Aluno, amigo e sobretudo admirador, o desembargador Volnei Carlin, autor de “Alcides Abreu: o construtor do futuro”, publicado em 2009 em parceria com o jornalista Moacir Pereira, não hesita ao mencionar a grandiosidade dos ensinamentos do professor Alcides.

“Um crânio, às vezes era até difícil de acompanhá-lo, dada a visão de futuro que tinha. Certamente foi um dos homens mais importantes para o desenvolvimento do Estado”, declarou. “Foi um destaque na minha vida, extremamente inteligente e humano. Um homem insubstituível”, completou Carlin.

Fundador da Esag (Escola Superior de Administração e Gerência) e do curso de mestrado em direito pela UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), Abreu ocupou lugares estratégicos nas pastas de planejamento dos governos Celso Ramos e Colombo Salles.

Lecionou na Universidade de Brasília, publicou 17 livros e criou 11 centros de treinamento profissional do Senai, além de imortal da cadeira 16 da Academia Catarinense de Letras. “Quando sentávamos para conversar parecia que estava de férias, falava muito além da nossa imaginação, sempre com uma intelectualidade incrível, mesmo agora no fim da sua vida”, contou o sobrinho Marco Aurélio Abreu.

Em um de seus últimos escritos publicados, na ocasião de comemoração dos 50 anos de fundação da Udesc, ele escreveu: “O homem e a mulher são o ‘ambiente’ que assumiram a consciência, tudo é sistêmico, holístico, quântico, não desmembrável – tudo está ligado a tudo – por isso nós estamos aqui para validar nossa existência no planeta, já que somos eternos aprendizes nessa escola da vida que amplia a qualificação da sociedade e aprofunda a formação do indivíduo na construção de um ‘ser’ melhor para ajudar a sociedade”.

Publicidade

0 Comentários

Publicidade
Publicidade