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Quinta-Feira, 20 de Setembro de 2018
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Adesão a greve nacional dos bancários é de 82,5% em Florianópolis e 35% em Joinville

Categoria se disse desrespeitada com proposta patronal e prevê paralisação "dura e, talvez, longa"

Rafael Thomé
Florianópolis

Bancários em diversas cidades do país entrarem em greve nesta terça-feira (6) e paralisaram os serviços na “boca do caixa” por tempo indeterminado. A medida foi tomada depois de verem fracassadas as tentativas de negociação com a Fenaban (Federação Nacional dos Bancos), que institui o piso salarial da categoria. Ainda não foi divulgado um balanço oficial, mas, de acordo com alguns sindicatos regionais, Santa Catarina teve adesão considerável: enquanto Florianópolis teve 82,5% de adesão (95% das agências de bancos públicos e 70% dos privados), em Joinville o índice foi de 35% e em Blumenau, 80%.

Marco Santiago/ND
Greve dificultou a vida de Bruna nesta terça, mas número de clientes afetados é pequeno 


Na Capital catarinense, os cidadãos mais desavisados que foram procurar agências no Centro deram com a “cara na porta”. Com contas a pagar no começo do mês, o vigilante Renato Alves dos Reis, 45, reclamou da paralisação.

“Não sabia que ia ter greve. Tenho que pagar a parcela do meu carro, mas como está com dois dias de atraso, só posso fazer na boca do caixa. Agora vou ter que pedir à financeira que emita um novo boleto, para que eu possa pagar no caixa eletrônico”, afirmou.

Auxiliar de serviços gerais, Bruna Regina, 25, teve o vencimento de setembro depositado em uma conta errada e, sem poder conversar com os bancários, ficou sem o salário.

“Eu sabia que teria greve, mas ligamos para a agência [do Banco Santander] e o pessoal disse que estaria funcionando. Agora vou ter que esperar o fim da greve para resolver meus problemas”, lamentou.

Os casos de Renato dos Reis e Bruna Regina mostram como a greve pode causar transtornos à população, mas foram exceções na tarde desta terça-feira. Durante uma hora, a reportagem do Notícias do Dia entrevistou cerca de 20 clientes das agências bancárias do Centro de Florianópolis e apenas os dois relataram problemas.

Com a possibilidade de realizar serviços nos caixas eletrônicos, agências do Correio, casas lotéricas e internet, a maioria dos entrevistados afirmou não sentir os efeitos da greve. “Na quinta-feira (1º) fiquei sabendo [da paralisação], mas como pago minhas contas na lotérica e faço saques no caixa eletrônico, não chegou a me afetar”, resumiu o supervisor de serviços Felipe Nunes, 29.


Bancários reivindicam ajuste salarial

A greve foi deflagrada pelos bancários em todo o país depois que a Fenaban se retirou da mesa de negociações sobre ajuste salarial. De acordo com o presidente do SEEB (Sindicato dos Bancários de Florianópolis e Região), Marco Silvano, o piso da categoria é de R$ 1.299,00 e a proposta dos bancos foi de aumento de 5,5% (R$ 71,44), o que não alcança nem a inflação do período, calculada em 9,88%. “Reivindicamos como aumento a inflação do período mais um ganho real de 5,6%, o que daria mais ou menos 16% (R$ 207,84)”, disse.

“Ofendido” com a proposta dos bancos, o dirigente sindical lembrou que, somente no primeiro semestre deste ano, os cinco maiores bancos do país (Itaú Unibanco, Bradesco, Banco do Brasil, Caixa Federal e Santander) tiveram lucro líquido de R$ 36,2 bilhões, muito às custas dos altos juros do cartão de crédito (395,03% ao ano) e do aumento das tarifas cobradas (169% nos últimos três anos).

“Esperávamos que os banqueiros valorizassem a categoria, até pelos resultados que os bancos apresentam, mas nós fomos, na verdade, ofendidos com a proposta”, afirmou.

Apesar da insatisfação, Silvano espera que os bancos se proponham a negociar as reivindicações, para que a greve termine o quanto antes.

“Hoje, o quadro é que teremos uma greve dura e, talvez, longa. Não queremos isso. Queremos que os bancos apresentem, o quanto antes, uma proposta minimamente aceitável para que a gente possa voltar ao trabalho. A gente sabe que a greve sempre traz transtorno, principalmente para aqueles que ganham menos”, encerrou o presidente do SEEB.

Norte do Estado

Em Joinville e região, bancários de 26 das 75 agências ligadas ao Sindicato dos Bancários aderiram à greve nacional da categoria que começou nesta terça. Aproximadamente 500 funcionários estariam de braços cruzados no Norte do Estado, segundo o levantamento do sindicato.

Pela manhã, os funcionários dos bancos de Joinville já formavam piquetes em frente às agências e os cartazes pendurados nas fachadas alertavam os clientes sobre a paralisação.

Fabrício Porto/ND Joinville
Sindicalista José Hilton: Proposta patronal "chega a ser ridícula frente aos lucros dos bancos"

 


Na agência central do Banco do Brasil, um pequeno aviso colocado na porta informa aos correntistas que o atendimento de caixa está contingenciado. Na primeira hora de funcionamento, apenas um bancário estava trabalhando no caixa desta agência.

Segundo o presidente do Sindicato dos Bancários de Joinville e Região, José Ilton Belli, nesta quarta o comando de greve vai continuar.

“O primeiro dia é sempre difícil porque ficamos tentando convencer os bancários a aderirem. Amanhã o trabalho deve continuar o mesmo. Vamos visitar mais agências”, disse Belli. O sindicalista ainda apontou que para a categoria existe uma dificuldade da paralisação surtir efeito.

Na avaliação dele, como muitos serviços bancários são feitos pela internet e via caixa eletrônico, a manifestação dos trabalhadores atinge menos a população do que outros setores.  

Sobre a proposta da Fenaban (Federação Nacional dos Bancos) de aumento de 5,5% em vez dos 16% pedido pela categoria não é satisfatória para os funcionários do Norte do Estado. "Esta proposta é um desrespeito com a categoria, chega a ser ridícula frente aos lucros dos bancos", afirmou Belli.

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