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Ações de JBS e BRF despencam e contaminam Bolsa, que perde 2,39%

As duas companhias de alimentos, entre outras, são alvo da operação que investiga adulterações na produção e venda de carnes

Folha de São Paulo
São Paulo
17/03/2017 às 19H45

EULINA OLIVEIRA

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Operação Carne Fraca, deflagrada pela Polícia Federal nesta sexta-feira (17), derrubou as ações de JBS e BRF e acabou contaminando o Ibovespa. O principal índice da Bolsa fechou em baixa de 2,39%, aos 64.209,94 pontos. Na semana, acumulou perda de 0,72%.

As duas companhias de alimentos, entre outras, são alvo da operação que investiga adulterações na produção e venda de carnes. Ambas negaram as irregularidades.

As ações da JBS lideraram as quedas do Ibovespa, com perda de 10,59%, terminando o pregão cotadas a R$ 10,72. As da BRF ficaram em segundo lugar no ranking de principais desvalorizações, e caíram 7,25%, a R$ 37,10.

Somente nesta sessão, a JBS perdeu cerca de R$ 3,5 bilhões em valor de mercado e a BRF, R$ 2,4 bilhões.

Segundo analistas, a forte crise de imagem provocada pelo escândalo de adulteração de produtos de frigoríficos acabou provocando a queda generalizada da Bolsa.

"Pegou muito mal o fato de duas das maiores exportadoras de alimentos estarem sendo investigadas nesse caso; é extremamente negativo para o mercado acionário brasileiro", diz Vitor Suzaki, analista da Lerosa Investimentos.

Ele destaca também que, aos olhos de muitos investidores, as vendas desses frigoríficos podem cair por causa do escândalo, afetando seus balanços financeiros.

"O que vimos hoje na Bolsa foi um problema corporativo, que gera desconfiança dos investidores e contamina toda a Bolsa", diz Raphael Figueredo, analista da Clear Corretora.

"A JBS já vinha sendo investigada pela Operação Lava Jato e agora mais uma acusação é deflagrada contra a companhia, o que deve pressionar ainda mais a empresa", diz a equipe de análise da Guide Investimentos, em relatório. "Quanto à BRF é a primeira vez que a empresa enfrenta acusações de ilegalidades", acrescentam.

As ações da Petrobras caíram 4,01% (PN) e 3,68% (ON). Os papéis da Vale perderam 3,04% (PNA) e 3,78% (ON).

Entre os bancos, Itaú Unibanco PN recuou 2,87%; Bradesco PN, -3,07% e; Banco do Brasil ON, -2,72%; e Santander unit, -1,88%.

As ações da empresa de educação Estácio caíram 4,64%, e as da Kroton perderam 3,66%. O conselho de administração da Estácio determinou o afastamento do presidente da empresa, Pedro Thompson, dos assuntos relacionados ao processo de fusão com a Kroton no Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômico), após denúncia anônima de que o executivo estaria articulando contra a transação.

CÂMBIO

Seguindo o exterior, o dólar recuou ante o real. A moeda americana à vista encerrou a sexta-feira em queda de 0,29%, a R$ 3,0967, acumulando desvalorização de 1,68% na semana.

"Além disso, os quatro aeroportos arrematados por investidores estrangeiros no leilão desta quinta-feira trazem a perspectiva de entrada de mais recursos no país, o que beneficia o real", comenta Figueredo, da Clear.

O BC rolou nesta manhã mais 10 mil contratos de swap cambial tradicional que vencem em abril, equivalentes a US$ 500 bilhões. A operação equivale à venda futura de dólares.

No mercado de juros futuros negociados na BM&FBovespa, as taxas ficaram próximas à estabilidade. O CDS (credit default swap) brasileiro de cinco anos, espécie de seguro contra calote e indicador de percepção de risco, caía 1,63%. aos 213,211 pontos -menor patamar desde o final de janeiro de 2015.

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