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Ações colaborativas ajudam a desenvolver a educação no Brasil, dizem especialistas

Essa nova realidade fez com que as escolas locais precisassem repensar a sua forma de atuar

Folha de São Paulo
São Paulo (SP)
23/08/2018 às 21H58

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Construir processos de aprendizagem em rede, como compartilhamento de experiências, é uma ação importante para desenvolver a educação no Brasil e que pode ser útil para auxiliar em questões que vão desde a melhora da autoestima e formação de professores até a manutenção da segurança dos estudantes.

A ideia foi discutida durante o debate que encerrou o 3º fórum Inovação Educativa, nesta quinta-feira (23), evento promovido pela Folha de S.Paulo em parceria com a Fundação Telefônica Vivo e com apoio do Todos Pela Educação.

Um exemplo é o caso de uma rede formada por diretores, educadores, estudantes e familiares de alunos na favela da Rocinha, no Rio de Janeiro. A comunidade, que estava pacificada até 2017, passou a enfrentar um novo desafio com a escalada da violência na região.

Essa nova realidade fez com que as escolas locais precisassem repensar a sua forma de atuar, segundo Marcela Oliveira, diretora da escola municipal André Urani, que fica na comunidade.

“É um ambiente onde não podemos trabalhar como trabalhávamos antes. Se eles estão impedidos de transitar por determinados espaços, como garantir que não tenham seu direito à educação cerceado?”, questionou.

Por meio de articulação em redes sociais, como Whatsapp e Facebook, os colégios da Rocinha criaram uma comunidade online para trocar informações sobre casos e locais atingidos por violência, fazendo uma espécie de mapeamento da região.

Além disso, por meio do Gente (Ginásio Experimental de Novas Tecnologias Educacionais), modelo de aprendizagem inovador instalado no colégio André Urani, a escola ainda compartilha atividades e exercícios nas redes sociais, de forma que os alunos participem mesmo que não possam comparecer presencialmente.

A professora e formadora do Instituto Chapada Janaína Barros, que trabalha com redes de educação no município de Seabra (BA), também destacou a importância de ações colaborativas para alavancar a formação dos professores e garantir o acesso a conhecimentos que eles não teriam apenas dentro da escola onde trabalham.

“O professor precisa estar em outros espaços. Com o trabalho em rede, a análise de uma única região pode ajudar a desenvolver um projeto em todo o Brasil. De Seabra, hoje consigo acessar mais de 12 mil professores e, indiretamente, 80 mil alunos no país. Estar em rede é conhecer pessoas que têm soluções”, afirmou Barros.

Para Camila Stefaneli, professora da Emei (Escola Municipal de Educação Infantil) Maria Lúcia Petit, na zona norte de São Paulo, essa aquisição de conhecimento ainda ajuda a desenvolver a autoestima dos educadores, o que impacta no processo de ensino.

“Quando o professor tem encantamento pelo que faz, tudo acontece. Ele precisa ter isso para cumprir seu papel de despertar o sonho no aluno, a vontade de transformar, de ser alguém melhor”, disse.

De acordo com o coordenador da pós-graduação em comunicação e semiótica da PUC-SP, Rogério da Costa, para criar iniciativas em rede bem-sucedidas na sala de aula, o educador não deve tentar transformar a tecnologia para atender as necessidades dos alunos, e sim inseri-los em uma realidade que já existe.

Uma possibilidade, segundo ele, seria tentar usar a favor da aprendizagem o interesse dos alunos em celulares e redes sociais, hoje vistos como ferramentas dispersivas em sala de aula.

“Na rede, o aluno fala, publica, conversa. Na escola, tem alguém para escutar, ou só ele tem que escutar? Será que se interessam pelo que o estudante pensa? Como ele vai virar um cidadão, capaz de conversar e contestar, se, em uma parte importante de sua vida, é pedido que só fique quieto ouvindo?”, questionou Costa.

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