Publicidade
Quinta-Feira, 15 de Novembro de 2018
Descrição do tempo
  • 27º C
  • 20º C

Acidente na cabeceira da ponte Pedro Ivo Campos reacende debate sobre mobilidade urbana

Caminhão tombado na alça de acesso a Avenida Beira-Mar Norte provocou reflexos na Grande Florianópolis

Cristiano Rigo Dalcin
Florianópolis
30/08/2018 às 21H35

O tombamento de um caminhão baú na alça de acesso à avenida Beira-Mar Norte atrapalhou a vida de milhares de pessoas ontem, na Grande Florianópolis, com reflexos na Via Expressa e na BR-101, e reacendeu o debate sobre os problemas de mobilidade. O caminhão tombou entre 5h e 5h30 e foi retirado às 9h15. De acordo com a Polícia Rodoviária Federal, o trânsito na BR-101 só voltou à normalidade às 16h, quase sete horas após a liberação do tráfego na alça de acesso à Beira-Mar. 

Toda vez que um caminhão estraga nas pontes ou um acidente ocorre nas imediações das pontes Pedro Ivo e Colombo Salles, os problemas de mobilidade de Florianópolis são visíveis. Alternativas já foram pensadas e até projetadas, mas todas ainda se mostram incipientes e incapazes de solucionar a imobilidade urbana na Capital e região.

Trânsito foi paralisado na entrada da Capital - Foto Daniel Queiroz/ND
Trânsito foi paralisado na ponte Pedro Ivo Campos. Foto Reprodução/ND

Para o secretário de Transportes e Mobilidade da Capital, Marcelo Roberto da Silva, o problema começa pela política equivocada do governo federal, que privilegia a utilização de carros, com facilidades para a aquisição, e se intensifica com a luta desigual entre o número de carros e a capacidade das vias. Uma das alternativas é a liberação da ponte Hercílio Luz, prevista 2019. O tráfego será restrito para pedestres, ciclistas e linhas de ônibus. “Vai contribuir e desafogar um pouco, mas não há como colocarmos as linhas intermunicipais, pois teríamos dificuldade de escoamento”, disse.

A tão sonhada quarta ponte seria uma solução, mas só pode ser executada pelo governo do Estado. Já o processo de implantação do transporte marítimo é liderado pelo Deter (Departamento de Transportes e Terminais) e está em fase de licenciamento após uma bem sucedida viagem teste de 20 minutos, entre Florianópolis e Palhoça.

Enquanto uma solução viária não se torna realidade, a prefeitura tem procurado qualificar o sistema de transporte coletivo na tentativa de convencer o cidadão a trocar o carro pelo ônibus. “De acordo com o Plamus [Plano de Mobilidade Urbana Sustentável da Grande Florianópolis], 95% dos carros que trafegam em Florianópolis tem uma única pessoa. E agora ainda temos 8.000 motoristas de aplicativos. A prioridade precisa ser dada ao transporte coletivo”, afirmou.

Guinchos na ponte dependem de parceria

Da janela do gabinete da Secretaria de Transporte e Mobilidade, Marcelo Roberto da Silva acompanhou toda a operação integrada de retirada do caminhão e limpeza só finalizada à tarde. De acordo com o secretário, a ideia é retomar uma parceria público-privada para garantir a presença de guinchos nas cabeceiras das pontes.

A parceria já existiu e havia sido formalizada por meio de um termo de cooperação entre Consórcio Fênix, uma empresa privada e prefeitura, mas segundo Silva, teve “pouquíssima utilização”, o que motivou o cancelamento ainda na gestão do prefeito Cesar Souza Júnior. “Tentamos retomar este ano, mas ainda não consegui agenda com o prefeito. Vamos retomar as conversas em setembro para manter guincho na cabeceira da ponte”, garantiu.

Segundo o secretário, as pontes Colombo Salles e Pedro Ivo são jurisdição da Polícia Militar e registram, em média, quatro paralisações por dia, decorrentes dos mais variados motivos, desde a falta de combustível até pequenos incidentes, como colisões traseiras com danos materiais. “Mas a maior parte dos veículos envolvidos em acidentes chama o guincho do respectivo seguro e não utiliza o guincho disponível”, disse.

Os dois guinchos utilizados na retirada do caminhão baú fazem parte de um contrato da prefeitura com a SSP (Secretaria de Estado de Segurança Pública) e normalmente são utilizados para apreensão de veículos em operações de fiscalização.

Pista foi interditada por segurança

A Polícia Militar foi a primeira a chegar ao local do acidente, seguida da Guarda Municipal. A ação integrada ainda mobilizou o Corpo de Bombeiros, que encaminhou o motorista, com ferimentos leves, para o hospital, e a Comcap (Autarquia de Melhoramentos da Capital). Apesar de a carga do caminhão ter caído fora da pista, do outro lado da mureta, o tombamento provocou vazamento de óleo que motivou a interdição total da pista para evitar novos acidentes, depois que alguns motociclistas se arriscaram a passar pelo local.

“Era uma grande mancha de óleo, quase impossível de ficar em pé. Foram utilizados 15 sacos de serragem para absorção do óleo”, contou o chefe de operações da Guarda Municipal, Ivan Couto. O trabalho de limpeza foi realizado por funcionários da Comcap e do Corpo de Bombeiros.

De acordo com Couto, dois guinchos chegaram para retirar o caminhão ainda antes das 7h, mas as filas já eram intensas nas pontes, na Via Expressa e na BR-101, entre São José e Palhoça. “O que me revolta é a demora para resolver esse tipo de problema. A impressão que dá é que tiveram que esperar a serraria abrir para obter a serragem, depois o guincho, que deve ter vindo de outro planeta, e a carga? Às 10h batiam cabeça para decidir o que fazer”, escreveu Jeorge Renato Souza na página do ND no Facebook. “Sabemos o reflexo causado por um problema desses. É inevitável, mas temos que resolver o problema”, afirmou Couto.

Publicidade

12 Comentários

Publicidade
Publicidade