Publicidade
Sexta-Feira, 16 de Novembro de 2018
Descrição do tempo
  • 26º C
  • 19º C

Acampamento: a rusticidade dá lugar ao conforto

Quem se dispõe a passar os dias acampado no rodeio faz questão de reviver a tradição com conforto

Saraga Schiestl
São José
Foto Washington Fidélis/ND
Cunha, em sua cozinha improvisada, todos os dias prepara um cardápio diferente

 

Foi-se o tempo que acampar era sinônimo de passar frio, tomar banho gelado e comer uma comida improvisada. Boa parte dos seis mil participantes acampados na 11ª edição do Rodeio Internacional e 39ª do Rodeio Nacional, promovido pelo CTG Os Praianos, carregam em seus trailers e caminhões uma segunda casa, que garante conforto àqueles que dividem sua vida com as provas campeiras.
O clima caseiro é tão forte, que o tradicionalista Israel Cunha, 58, acampado desde o dia 30 de abril, faz questão de trazer até os bichos de estimação. Bem em frente à cozinha campeira, construída exclusivamente para o rodeio, um cão dá as boas vindas aos visitantes. Porém, é dentro da cozinha que está o convidado ilustre: Barroso, um galo responsável por colocar em pé todos os acampados, pontualmente às 4h30. “Aqui temos que acordar antes do sol. Não pode ter preguiça”, informa o irreverente Cunha.
Quando os visitantes do acampamento de Cunha são acordados por Barroso, eles não estão encolhidos em uma barraca, mas sim confortavelmente instalados no espaço do trailer, que pode receber até quatro pessoas. E o frio fica longe do acampamento, afinal o espaço é aquecido por um ar-condicionado (quente e frio) e no banheiro a água quentinha do chuveiro garante um bom banho.
Situação bem parecida no trailer da empresária Amanda Silveira, 29, moradora de Florianópolis. Mãe de um menino de cinco anos, ela até instalou um televisor de LCD para que o filho possa assistir seus desenhos prediletos. “Mas quando ele está no rodeio, quer mais é cavalgar comigo e com o pai”, confirma Amanda, que participa das competições de laço.
 


A culinária vai muito além do churrasco
Andar pelas ruelas que dão acesso às barracas e trailers é ser tentado por um cheiro irresistível de churrasco. Assados em churrasqueiras em forma de tonéis ou ainda naquelas improvisadas com tijolos, pedaços generosos de costela, lingüiça e outras carnes dão a entender que esse é o prato predileto dos campeiros.
Mas também há as variações. No acampamento de Israel Cunha, 58, todos os dias o menu é diferente. Na quinta-feira, por exemplo, o prato principal era a dobradinha, mas durante a semana havia passado pela cozinha de Cunha receitas de entrevero, peixe assado, ovelha e, é claro, costela.
Pela manhã, para rebater toda a comilança da noite passada, o tradicional chimarrão acrescido com um toque de chá de marcela, ideal para dores de estômago. O primeiro “chima” é tomado logo cedo, assim que o galo Barroso faz suas primeiras canções. “A regra aqui na cozinha é não usar fogão a gás. Para cozinhar, tem que aprender a acender o fogão com a lenha”, informa Cunha.  
“Aqui a gente cozinha o que tem vontade de comer”, destaca a Caroline Lehmkul Pereira, 31, que faz companhia à empresária Amanda Silveira, 29. Como no trailer das amigas duas crianças fazem parte da turma de viciados em rodeio, até receitas de pizza e pastel frito entram no cardápio.


A semana toda dentro do CTG
Boa parte dos acampados passou a semana inteira, literalmente, sem sair do limite das porteiras do CTG. “Como trazemos a casa inteira aqui para dentro, acabamos saindo só para comprar alguma coisa que falta”, explica Caroline Lehmkul Pereira, 31, que todos os dias precisou acordar o marido, José Luis Barreto, 40, às 4h30 para ir ao trabalho em Biguaçu. Até mesmo a filha de Caroline, a pequena Manoella Catarina Barreto, de cinco anos, sofre para ir à escola em dias de rodeio. “É difícil convencê-la a ir estudar e só depois voltar para cá”, admite a mãe.
Ter a certeza de um clima familiar e de amizade é o que move as amigas Amanda Silveira, 29, e Caroline a participar de todos os rodeios possíveis. “Nós crescemos nesse meio, é uma paixão que não vamos deixar morrer”, concordam as duas. A vontade de estar acampada é tanta, que as amigas antecipam a próxima parada: Tijucas, no dia de 13 de maio.


Rotina começa logo cedo
Para o casal Itacir Santolin, 38, e Nil Rodrigues, 45, o dia começa cedo mesmo no acampamento. “Vamos dormir quando os pés estão frios e acordamos com o sol batendo na testa”, brinca Itacir. Ele relata que por volta das 6h, antes mesmo de lavar o rosto ou tomar um banho, a água para fazer o chimarrão já está esquentando no fogaréu improvisado.
Por volta das 9h da última quarta-feira, 32 quilos de costelas já estavam assando no fogo de chão, em frente às barracas. “A carne estará pronta para comer lá pelas 19h. Basta colocar o garfo que ela vai se desmanchando”, contava Itacir. Para o almoço, o carreteiro era a pedida e, para o jantar, o casal aguardava dezenas de amigos e familiares que também montaram o acampamento para acompanhar as provas campeiras e invernadas.

Publicidade

0 Comentários

Publicidade
Publicidade