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Abcam diz que 'fará o possível' para evitar paralisação de caminhoneiros

Nesta sexta (31), a Abcam diz ter detectado focos de mobilização por aplicativos de trocas de mensagem, mas afirma ainda não ver adesão suficiente para nova paralisação

Folha de São Paulo
Rio de Janeiro (RJ)
31/08/2018 às 19H04

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - A Abcam, entidade que reúne os motoristas autônomos, disse nesta sexta (31) que pretende se reunir com o governo para discutir o aumento do preço do diesel e que "fará o possível para evitar nova paralisação" da categoria.

Cidades como Florianópolis, São José, Palhoça, Santo Amaro da Imperatriz e Biguaçu voltaram a receber combustível - Jeferson Baldo/SECOM/Divulgação
Cidades como Florianópolis, São José, Palhoça, Santo Amaro da Imperatriz e Biguaçu voltaram a receber combustível - Jeferson Baldo/SECOM/Divulgação

O reajuste foi anunciado na quinta (30), pouco mais de três meses após acordo que garantiu subsídio e corte de impostos sobre o combustível com o objetivo de pôr fim à greve de duas semanas que parou o país. Durante esta sexta, a Abcam diz ter detectado focos de mobilização por aplicativos de trocas de mensagem, mas afirma ainda não ver adesão suficiente para nova paralisação.

"A associação, que sempre acreditou no diálogo, fará o possível para evitar uma nova paralisação", disse a entidade, em nota divulgada nesta sexta-feira, na qual cobra o cumprimento do acordo de maio e quer uma reunião com a Casa Civil para discutir o tema. 

De acordo com a Petrobras, o aumento médio no país será de 13%. Considerando que o combustível representa 55% do preço final, o repasse às bombas deve girar em torno de 7%, caso não haja aumento de impostos e margens. Será a primeira alta expressiva no preço final desde o início do programa de subvenção, resultado da alta do dólar e das cotações internacionais.

O aumento desta sexta ocorre sem que o preço de bomba tenha caído os R$ 0,46 por litro prometidos pelo governo -R$ 0,30 de subsidio mais R$ 0,16 de cortes de impostos. Entre a primeira semana de greve, em maio, e a semana passada, a queda foi de R$ 0,41 por litro, segundo dados da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis).

O secretário executivo do MME (Ministério de Minas e Energia), Márcio Félix, negou nesta sexta, porém, possibilidade de aumento do subsídio para cobrir os efeitos da alta do dólar. "Não há espaço no orçamento da União para colocar mais do que os R$ 9,5 bilhões que foram colocados no programa de subvenção", disse ele, em entrevista após leilão de contratos de petróleo do pré-sal.

"Estamos vivendo um momento delicado no mundo, não só no Brasil. O câmbio está muito apreciado e o preço do petróleo também subiu", argumentou Felix. "O que foi prometido pelo governo, o governo cumpriu."

Pelos próximos 30 dias, o preço médio do diesel vendido pela Petrobras sobe para a R$ 2,2964 por litro, apenas R$ 0,0752 abaixo do recorde atingido no dia 23 de maio, ainda no início dos protestos dos caminhoneiros 

O reajuste autorizado pela ANP no preço de venda nas refinarias varia por região: será maior na região Centro-Oeste (14,4%) e menor na Sudeste (10,5%). Além do repasse da alta do dólar, o novo valor considera ressarcimento às empresas pelo período em que o desconto não foi suficiente para cobrir a diferença entre o preço tabelado pelo governo e as cotações internacionais.

Desde o dia 23, o desconto de R$ 0,30 vinha sendo insuficiente -na quinta, a diferença superou R$ 0,50 por litro. Nesta sexta, com a adoção dos novos preços, volta a R$ 0,30 por litro.

MARGENS

O reajuste foi definido com base em nova fórmula elaborada pela ANP, que considera os custos para trazer o produto ao país, conceito conhecido como paridade de importação. Embora tenha absorvido sugestões do mercado, a fórmula foi alvo de críticas das empresas do setor.

Em evento no Rio nesta sexta, o gerente executivo de Marketing e Comercialização da Petrobras, Guilherme França, disse que o preço novo aperta as margens de lucro, mas não inviabiliza importações.

"A gente entende que ela [a paridade de importações] está um pouco pior, um pouco mais restritiva do que a que vigorou [nas primeiras fases do programa]. Mas, no imite, em alguns pontos, a gente acha que ainda dá para fazer a importação", disse ele.

A expectativa do mercado é que as importações por empresas privadas, que inundaram o mercado na virada do ano mas se retraíram após o início do programa de subvenção, permaneçam tímidas.

"A fórmula como está é terrível e compromete investimentos", afirmou no evento Ricardo Musa, vice-presidente de Transporte, Distribuição e Trading da Raízen, que opera com a marca Shell.

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