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Manifestantes do acampamento pró-Lula em Curitiba exigem a soltura do ex-presidente

Por volta das 10h, em reunião, os coordenadores do movimento declararam que devem manter o acampamento de forma permanente até que o ex-presidente seja solto

Folha de São Paulo
Curitiba (PR) e São Paulo (SP)
08/04/2018 às 17H45

KATNA BARAN E JOÃO PEDRO PITOMBO

CURITIBA, PR, SÃO PAULO, SP, E SALVADOR, BA (FOLHAPRESS) - Durante toda a manhã, o movimento no entorno da sede da Superintendência da Polícia Federal foi tranquilo. Até às 12h, cerca de dez ônibus com manifestantes pró-Lula se juntaram aos que já acamparam no local durante a noite. A expectativa é de que ao menos 40 ônibus com manifestantes venham a Curitiba integrar o movimento.

Acampamento
Acampamento "Lula Livre", próximo da sede da Superintendência da PF em Curitiba - Katna Baran/Folhapress/ND


No acampamento, apelidado de "Lula Livre", as tarefas de cozinha, limpeza e segurança, por exemplo, são divididas entre os manifestantes, definidos por assembleia. Por volta das 10h, em reunião, os coordenadores do movimento declararam que devem manter o acampamento de forma permanente até que o ex-presidente seja solto.

"Se o Lula ficar 11 anos aqui (na PF), eu virei todos os dias. Ele é meu ídolo. Abaixo do céu, ele é meu Deus, e é inocente", declarou a aposentada ngela Maria Pereira de Oliveira, de Curitiba, que chegou por volta das 8h ao acampamento.

As professoras Márcia Lima e Vanda Santana integram o movimento desde a manhã de ontem. "O presidente Lula é o melhor que já tivemos, governa para os trabalhadores e necessitados", declarou Márcia.

Elas fazem parte de uma das coordenações do acampamento, arrecadando mantimentos. "Cada um foi se organizando com barracas e colchões. Quem ficar aqui vai ter uma experiência única, é um acampamento político e pedagógico", conta Vanda.

Cerca de quatro quadras estão tomadas por manifestantes

Do outro lado, os vizinhos do acampamento estão apreensivos. Cerca de quatro quadras no entorno da PF já estão tomadas por manifestantes, carregando materiais dos diversos tipos, como suprimentos e colchões.

"Temos receio porque não é uma situação normal, não sabemos o que o pessoal é capaz de fazer, bagunça, invasão", disse o motorista Sérgio Moisés Alves de Souza.

"Eles bloquearam acesso à rua, sendo que deveria caber à PF fazer isso. Já falamos com a polícia e só falaram que iam tentar conseguir mais uma viatura", conta o aposentado Ataide da Silveira Júnior.

Os coordenadores do movimento, no entanto, prometem convivência pacífica com os vizinhos, respeitando os horários de silêncio e o acesso aos moradores.

Porém, depois de divididas as tarefas do grupo, seguranças dos manifestantes passaram a abordar inclusive jornalistas que trabalham no local, pedindo identificação para que eles possam circular no acampamento.

“Preparados para fazer uma vigília pacífica”

Perto das 12h, políticos do PT visitaram o acampamento. "Estamos preparados para fazer uma vigília pacífica até a libertação do Lula", declarou o ex-deputado federal Angelo Vanhoni.

"Continuamos recebendo caravanas e voluntários de diversos estados num grande movimento pela liberdade do Lula", disse o deputado estadual pelo Paraná, Professor Lemos.

Manifestantes pró-Lula definem planos para atos em Curitiba, Brasília e Rio

Próximo das 10h, os manifestantes pró-Lula que estão acampados no entorno da sede da superintendência da Polícia Federal, em Curitiba, fizeram uma assembleia para decidir questões envolvendo o acampamento montado no local.

Gritando palavras de ordem, principalmente "Lula livre", os acampados definiram líderes para cuidar de tarefas como limpeza, organização, cozinha, infraestrutura e segurança.

Ao final, os coordenadores do acampamento falaram com a imprensa. Segundo Roberto Baggio, da Frente Paraná Brasil, a intenção é manter a manifestação próximo à PF até que Lula seja solto.

Os coordenadores do acampamento pró-Lula afirmam que também haverá um movimento permanente em frente ao prédio do Supremo Tribunal Federal e ao menos um ato no Rio de Janeiro, neste domingo (8). Eles exigem a soltura do ex-presidente.

Em Curitiba, os protestantes prometem uma convivência pacífica com os moradores do local. "Há uma orientação para que os acampados não aceitem provocações de qualquer tipo, vamos ter a atitude de pacificação, porque não queremos causar nenhum tipo de problema para os vizinhos", declarou Baggio, da Frente Brasil Popular.

Conforme Regina Cruz, da CUT, já há no local manifestantes dos estados da Bahia, Maranhão, Espírito Santo, Mato Grosso, Santa Catarina, entre outros. Segundo ela, há ao menos 40 ônibus com caravanas pró-Lula indo em direção ao local para integrar o grupo.

"Só vamos usar o som e fazer falas caso necessário, vamos respeitar a lei do silêncio e dar atenção aos moradores", disse ela.

Petistas fazem carreata pró-Lula na orla de Salvador

Um dia depois da prisão do ex-presidente Lula, um grupo de militantes petistas fez uma carreata na orla de Salvador na manhã deste domingo (8) pela libertação do ex-presidente e por sua participação nas eleições presidenciais deste ano.

Pré-candidato ao Senado, o ex-governador da Bahia e ex-ministro da Casa Civil Jaques Wagner (PT) participou da carreata, que percorreu um trecho de cerca de 20 km entre Ondina e Itapuã.

Em um vídeo postado numa rede social online, Wagner afirmou que a eleição de outubro só será limpa de Lula for candidato. E pediu que os militantes organizem atos e fiquem em vigília em defesa do ex-presidente.

"É importante que cada um de vocês fique em vigília permanente. Não é hora de ficar em casa. É hora de vir para a rua, de reunião em prédio, no condomínio, no trabalho, na escola, seja onde for. Não precisa ser uma to grande, o importante é estar na militância", disse o petista.

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