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Trabalho em equipe e superação fazem do Volta à Ilha prova mais cobiçada do gênero

Prova de Revezamento reunirá 3.800 atletas de 400 equipes no próximo sábado, em Florianópolis

Matheus Joffre
Florianópolis
31/03/2017 às 22H57

Planejamento, trabalho em equipe e superação. Participar do Revezamento Volta à Ilha exige mais do que agilidade e bom preparo físico. Não é à toa que essa é uma das provas mais cobiçadas por centenas de corredores de todo o país e até do exterior. Além dos cenários paradisíacos de Florianópolis, contemplados durante os 140 quilômetros do percurso, que incluiu trechos de asfalto, dunas, trilhas e praias, o desafio de percorrer os quatros cantos da Ilha e o espírito de grupo são o que tornam a corrida a principal prova do gênero da América Latina. 

Cenários paradisíacos fazem do Volta à Ilha prova mais charmosa de Floripa - Flávio Tin/ND
Cenários paradisíacos fazem do Volta à Ilha prova mais charmosa de Floripa - Flávio Tin/ND


Realizada desde 1996, o Volta à Ilha chega à 22ª edição no próximo sábado (8) e reunirá 3.800 atletas de 400 equipes do país inteiro. Entre eles, Marines Camargo, 33, que participará pela primeira vez da prova e correrá três dos 17 trechos do trajeto: da Decathlon até Santo Antônio de Lisboa, da Praia do Moçambique até a Barra da Lagoa e do Saco dos Limões até a chegada no trapiche da Beira-Mar Norte. “Sempre sonhei em correr o Volta à Ilha. Este ano, consegui uma equipe, a Tribo do Esporte, que também é minha assessoria de corrida, e passei a fazer treinos mais específicos dos trechos que vou correr. Mas o principal é curtir a prova. Nosso técnico sempre fala que em primeiro lugar vem a diversão, o companheirismo. A equipe é bem animada, bem unida, então acho que vai ser uma prova super alto astral. E também tem o visual da Ilha que é fantástico”, ressaltou.

A edição deste ano conta com novidades. A organização fez alterações na quilometragem de dois trechos do trajeto, na Praia da Joaquina e no Campeche. As equipes podem ser formadas por dois, oito ou até doze atletas e competem em oito categorias: duplas, aberta, aberta mista, feminina, veteranas 40, 50, 60 anos e veterana mista. “Fomos pioneiros neste formato de prova no Brasil, neste formato de grupos. Às vezes, a pessoa pode até correr bem, mas se for individualista demais vai ter dificuldade. O diferencial do Volta à Ilha, além das belezas naturais de Florianópolis, é claro, é esse espírito de união. Os atletas passam 12, 15 horas juntos e cada um contribuiu de um jeito, tem seu próprio limite, e um ajuda o outro”, explicou o idealizador e organizador da prova Carlos Duarte.

Marines Carmago participará pela primeira vez do Volta à Ilha - Flávio Rin/ND
Marines Carmago participará pela primeira vez do Volta à Ilha - Flávio Rin/ND



Equipe exclusiva de cegos superará os mesmos desafios

A prova inclui desde atletas profissionais, que vêm atrás de pódios e recordes, a corredores amadores e conta, inclusive, com uma equipe formada exclusivamente por cegos. Apenas com o auxílio de guias, eles percorrem o mesmo percurso de 140 quilômetros e enfrentam os mesmos desafios que os demais participantes.

A equipe, chamada Sexto Sentido, surgiu em 2011 em parceria com a Acic (Associação Catarinense para Integração do Cego). Atualmente, o projeto conta com 15 cegos e 30 guias. A equipe e é coordenada pelo guia Fábio Popeye Charneski, que atua há dez anos como guia. “É muito legal trabalhar com eles. Na verdade, nossa equipe é toda horizontal. Eu sou só corrdenador porque tem que ter um no regulamento. As decisões são tomadas todas em conjunto. Na nossa equipe ninguém é melhor do que ninguém, todo mundo tem o seu valor”, afirmou.

Um dos mais experientes da equipe, Gilmar Amaral, 46, irá correr a largada e o Morro do Sertão, que é considerado o trecho mais difícil da prova. Gilmar perdeu a visão aos 22 anos, após um acidente de carro em sua cidade natal, São Luiz Gonzaga-RS, e veio para Florianópolis para se reabilitar. “O para-brisa estourou no meu olho e perdi a visão. Aí fiquei sabendo da Acic e vim para cá reaprender desde atividades básicas, como andar de bengala, até a fazer esportes, como goalball e corrida. Acredito que o esporte é fundamental para a saúde e para ressocialização do cego e, principalmente, para acabar com o preconceito contra pessoas com deficiência. Descontruir aquele imagem preconceituosa de coitadinho”, ressaltou.

Equipe Sexto Sentido é formada exclusivamente por corredores cegos e seus guias - Marco Santiago/ND
Equipe Sexto Sentido é formada exclusivamente por corredores cegos e seus guias - Marco Santiago/ND


Marco Antônio Laurindo, 54, também perdeu a visão com 22 anos em um acidente de carro no Itacorubi, e encontrou no esporte uma forma de reabilitação e o amor de sua vida. O carioca, que mora há 32 anos na Capital, corre com o auxílio da esposa e guia, Rosangela Alexandre. “Ela é os meus olhos. Claro que para nós cegos, além da dificuldade natural da prova, também tem a questão da acessibilidade. São 10 km na mata fechada. No ano passado choveu muito, tinha limo, então estava bem escorregadio. Tenho que confiar 100% nela”, explicou o corredor que irá fazer os trechos da Cachoeira do Bom Jesus à Praia Brava e da Joaquina ao Campeche.

Atleta da seleção catarinense de goalball, Mauricio de Souza, 46, também integra a equipe Sexto Sentido. Ele perdeu a visão por descolamento de retina e gosta da integração da prova de revezamento. “Gosto desta coisa de estar envolvido com a galera no ônibus, a amizade, a parceria. O ano de corrida não começa antes do Volta à Ilha”, destacou.

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