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Quinta-Feira, 15 de Novembro de 2018
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Time de várzea tem organização de clube profissional

Galáticos, de Biguaçu, tem estatuto e diretor jurídico

Daniel Silva
Florianópolis

O homem não precisa de motivação para jogar futebol. Como muitos dizem, está no sangue do brasileiro. Mas o que leva um grupo de jovens a formar um time que tem sede, estatuto, uniforme, camisa de passeio, premiação e até diretor jurídico, se ele não disputa nenhum campeonato? Simples. A paixão pelo esporte. Mesmo sem ter o compromisso da competição, os atletas levam a sério o escudo que ostentam no peito. A recompensa após duelar, muitas vezes, contra os próprios amigos, é fazer aquele churrasco regado a muita cerveja. E haja paciência das esposas/familiares, pois a bagunça só termina no fim da noite.

Eduardo Valente/ND
Galáticos tem 16 anos de estrada e mais de 200 jogadores no currículo

Esse é o caso do Galáticos Futebol Clube, que vem atropelando os adversários nos últimos 16 anos. Fundado pelo vendedor Douglas Prazeres, filho de um ex-jogador do BAC, que é goleiro, treinador, autor das estatísticas e responsável também pela marcação das partidas, o Galáticos já deu oportunidade para mais de 200 atletas, entre eles Rodrigo Silva, artilheiro do ABC, e Thiago Silvy. “Já tivemos convites para participar da Licob (Liga de Biguaçu), mas perde a graça. O legal do nosso time é o sábado à tarde. O nosso grupo é muito bom, não tem um que não sabe chutar uma bola com perfeição”, comentou Prazeres.

Sobre o horário dos jogos (13h30), em princípio incomum, o técnico tem a razão na ponta da língua – “o pós-jogo começa mais cedo”. Atualmente, cerca de 30 atletas integram o grupo do Galáticos. Cada um deles paga R$ 40 de mensalidade para que o clube se mantenha, além dos patrocinadores que têm o seu nome estampado no uniforme. Todas essas responsabilidades tomam o tempo do técnico, que tenta ser justo na escalação. “Paramos nesse sábado e não sei mais o que fazer. O Galáticos me dá bastante dor de cabeça, principalmente em ser o treinador. Tem que agradar todo mundo, mas quem falta é banco no próximo. Tento ser coerente”, disse.

O craque do ano

O Galáticos já teve site, mas a dificuldade em atualizar o espaço fez a diretoria criar uma fanpage no Facebook. Além das fotos e notícias sobre os jogos e adversários, o clube escolhe, partida após partida, o melhor em campo, votação feita pelos atletas e público que acompanha as peladas no estádio do BAC. Mesmo sem participar de 11 jogos, o professor de educação física Sérgio Coan foi escolhido o melhor do ano. O prêmio teve a importância dividida. No ano passado, o meia perdeu o pai e fez duas cirurgias no quadril. “Eu vinha numa decadência antes da cirurgia. Vir para cá e não poder pôr a chuteira era um martírio. Queria voltar a jogar futebol sem sentir dor. Fiquei feliz de ter esse reconhecimento”, declarou.

Coan trabalhou como preparador físico do Esporte Clube Biguaçu em 2011, sendo o campeão da Série C do Campeonato Catarinense. Com passagem nas categorias de base de Avaí e Figueirense, o camisa dez do Galáticos se desligou do sonho de ser jogador profissional após essa experiência. Por toda essa bagagem, tem o respeito dos colegas. “Trabalhar no futebol profissional foi mais uma graduação para mim. Tudo contribuiu para a tranquilidade dentro de campo. Tinha o sonho de trabalhar no futebol até 2011. Era uma coisa que eu precisava fazer. Já estive lá, sei como é. Me realizo no Galáticos”, afirmou.

O matador de Biguaçu

A prova de que o Galáticos reúne boa parte dos melhores jogadores de Biguaçu é a presença do atacante Jean Nunes, 33 anos. Um dos mais experientes do elenco, o camisa nove foi artilheiro quatro vezes da Licob (2000, 2009, 2010 e 2013). Nesse ano, Nunes marcou 48 gols, somando as bolas na rede com o BAC. “Não sei de outro jogador que foi quatro vezes artilheiro de Biguaçu. É provável que eu seja o maior artilheiro em atividade. Conto por ano, mas não tenho noção. Acredito que eu tenha feito uns 500 gols, mais ou menos”, revelou o matador, fã do Fenômeno.

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