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Surftrip: manezinha Jacqueline Silva leva meninas para surfar na Costa Rica

Projeto nasceu da parceria da ex-surfista da elite mundial com Tina Vilela, diretora de surfe feminino da Fecasurfe e criadora do movimento "Elas Também Dropam", em Florianópolis

Matheus Joffre
Florianópolis
04/09/2017 às 14H34

Surfar umas das melhores ondas do mundo em Pavones, na Costa Rica, na companhia da bicampeã do WQS, a manezinha Jacqueline Silva. Uma experiência inesquecível para sete meninas – seis delas de Florianópolis e a maioria iniciantes –, que fizeram uma surftrip no país da América Central, no mês passado. Além da evolução do surfe, durante dez dias elas também tiveram a oportunidade de conhecer lugares paradisíacos e de ter contato com a cultura local. Pura Vida. Como eles dizem por lá.

Meninas de Florianópolis participam de surftrip - Flávio Tin/ ND
Tina Vilela (à esq.) e Jacque Silva, organizadoras da surftrip, e Ana Luisa, umas das sete surfistas que foram para Costa Rica - Flávio Tin/ ND


O intercâmbio é um projeto que nasceu da parceria entre a diretora de surfe feminino da Fecasurfe, Tina Vilela, 37, e a surfista profissional da Barra da Lagoa Jacque Silva. Gaúcha de Porto Alegre, Tina mora em Floripa há 15 anos e também é a criadora do movimento “Elas Também Dropam”, que hoje conta com mais de 400 meninas de várias faixas etárias e diferentes níveis de surfe. Elas também tiveram a ajuda da agência de viagens de um amigo, a Welcome Surftrips.

“Eu já organizava algumas viagens para lugares mais próximos, Garopaba, Ferrugem. No ano passado, levei um grupo para Itamambuca [em Ubatuba, litoral norte de São Paulo] para a etapa do Brasileiro. Mas esta foi a primeira viagem para o exterior. A Jacque abraçou a ideia comigo e deu super certo. No ano que vem estamos planejando levar dois grupos em julho, um feminino e outro misto”, contou Tina.

Por U$S 1.100 o pacote incluía passagem aérea de ida e volta, translado num carro 4x4 alugado durante os dez dias e três diárias – o restante da hospedagem foi pago à parte. O roteiro passava por seis cidades: San Jose, Playa Hermosa (Jaco), Esterillos, Pavones, Zancudo e Dominical. Depois do retorno do grupo, Jacque e Tina ainda estenderam a viagem por mais 13 dias e surfaram em Matapalo, Santa Teresa e Playa Hermosa de Santa Teresa.

“Quando recebi o convite da Tina não pensei duas vezes porque já estive na Costa Rica há muitos anos e sempre tive vontade de retornar. E voltar em um grupo só com meninas foi muito legal. Deu para acompanhar a evolução do surfe de cada uma, em uma condição de mar diferente do que a gente tem aqui. Antes, as minhas viagens costumavam ser muito para competição e, desta vez, misturou trabalho e lazer, até porque a gente estendeu nossa viagem mais um pouco”, revelou Jacque.

Surfistas viajaram em sete meninas, mas a ideia é ter também um grupo misto em 2018 - Arquivo Pessoal/Divulgação
Surfistas viajaram em nove meninas, mas a ideia é ter também um grupo misto em 2018 - Arquivo Pessoal/Divulgação


Ana Luisa, 17, foi uma das sete meninas que viajaram com o grupo. Foi a primeira viagem internacional da estudante de educação física da Udesc, que surfa desde os quatro anos e há dois faz parte do movimento “Elas Também Dropam”.

“Foi uma viagem dos sonhos, na companhia delas. Fiz grandes amizades com as outras meninas também, que espero manter aqui e o lugar é incrível. O medo mesmo foi uma coisa que eu dei uma superada, porque lá achei a onda mais fácil, só que maior, então acho que dei uma evoluída no psicológico e que agora posso entrar em qualquer mar”, destacou Ana. 

Arroz e feijão de café e crocodilo de 8 metros

Além de surfar duas vezes ao dia, o grupo também fez uma imersão na cultura local. Aperfeiçoou o espanhol, comeu pratos típicos da região – que incluíam arroz e feijão no café da manhã e banana frita – e curtiu um bom reggaeton. “Ouvimos muito Despacito”, brincou Tina.

Surfista tiveram bastante contato com a natureza exuberante da Costa Rica - Arquivo Pessoal/Divulgação
Surfistas tomaram banho de cachoeira e tiveram bastante contato com a natureza - Arquivo Pessoal/Divulgação


O contato com a natureza também chamou a atenção. Era comum revoadas de araras e papagaios enquanto elas surfavam em meio a tartarugas, arraias e até baleias jubarte. Mas também era preciso ficar atentas aos eventuais tubarões e, principalmente, aos crocodilos de quase oito metros. “Contei 42 crocodilos na chegada do aeroporto, quando passamos por uma ponte. Lá chove muito e a correnteza dos rios é muito forte e os crocodilos desembocam no mar”, contou Tina.

“Fiquei muito contente com a receptividade de Pavones. Eles praticamente fizeram um guia turístico de graça para nós. Fizeram passeios, nos levaram para cachoeiras, abriram coco na praia. E entrar na água com nativo também é diferente”, afirmou Ana.

Ex-surfista da elite, Jacque lamenta falta de patrocínios  

Bicampeã do QS e vice do CT, Jacqueline Silva, 38, não corre o Circuito Mundial desde 2014 por falta de patrocínio. A única competição que a surfista da Barra da Lagoa disputa é a etapa única que decide o título brasileiro feminino em Itamambuca.

Depois de surfar umas das melhores ondas em Pavones, Jacque Silva caiu no mar na Barra da Lagoa, de onde é nativa - Flávio Tin/ND
Depois de surfar umas das melhores ondas em Pavones, Jacque Silva caiu no mar na Barra da Lagoa, de onde é nativa - Flávio Tin/ND


“Parei por falta de patrocínio, senão estaria na ativa ainda, mas infelizmente as coisas não aconteceram como eu esperava e essa falta de apoio acabou me prejudicando. O que tem no Brasil eu tenho feito, mas a gente só tem uma etapa do feminino por ano, que é a etapa que o Wigolly Dantas faz em Itamambuca. Até daqui a três semanas estou indo pra lá de novo disputar o título”, contou.

A manezinha, que era reconhecida pelos nativos na Costa Rica, acredita que o caminho cada vez mais é seguir no empreendedorismo com o surfe. “Tenho que buscar outras alternativas que não seja a competição. Até porque tenho planos de competir só mais dois anos. Estou com 38 anos e acho que até os 40 eu ainda consigo competir, a nível de Brasil. E depois vou tocar outros projetos de surfe, como surftrip, surfcamp”, projetou.

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