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Remo catarinense alcança data histórica nesta quinta com os 100 anos do Riachuelo

Atletas de todas as idades compartilham histórias do esporte em Florianópolis

Matheus Joffre
Florianópolis
02/09/2016 às 02H56
Flávio Tin/ND
Remadores na baía Sul são parte da história dos três clubes mais antigos

 

Enquanto um grupo de remadores se aprontava para mais uma madrugada de treino em Florianópolis, o ex-atleta Décio Couto Filho, de 80 anos, tomava café no Clube Náutico Riachuelo antes de retomar um trabalho que exige zelo. Com um pouco de dificuldade, as mãos que fizeram parte da história do remo catarinense colavam fotografias no painel de 100 anos do clube, o primeiro da Capital a atingir a marca centenária. Fundado em 11 de junho de 1915, o Riachuelo é 50 dias mais antigo que o Martinelli, que faz 100 anos no dia 31 de julho — o Aldo Luz é de 27 de dezembro de 1918. 

Entre uma foto e outra, Seu Décio para, viaja no tempo e relembra passagens da época de ouro do remo. “A ideia é fazer com que a história do remo catarinense não se perca. Daqui a pouco, não estaremos mais aqui para contá-la. Eu sempre esperei por este momento, não sabia se viveria para isso. Alguns bons amigos partiram desta vida antes, como o Sadi, que morreu este ano, mas nós estamos aqui firmes e fortes para celebrar estes 100 anos”, afirmou com os olhos cheios d’água. 

A lembrança mais especial que Seu Décio guarda na memória remete ao pai já falecido, Décio Klettenberg Couto, timoneiro de mão cheia e único catarinense a disputar os Jogos Olímpicos de Berlim, em 1936. No mesmo ano, a guarnição de Santa Catarina, representada pelos atletas do Riachuelo, conquistou o primeiro título brasileiro de remo do Estado, em Salvador, na Bahia, o que lhe rendeu o direito de representar o Brasil na Olimpíada.

 

Daniel Queiroz/ND
Décio Couto Filho viajou pela história do remo em Florianópolis ao montar painel dos 100 anos do Riachuelo

 

Em Berlim, no entanto, os catarinenses foram surpreendidos pelos cariocas, que romperam com a Confederação e forçaram um pré-olímpico entre as duas guarnições brasileiras em águas alemãs. Sem tempo hábil para treinar no barco enviado à Alemanha na véspera, pelo então governador Nereu Ramos, a equipe do Riachuelo perdeu para o Rio de Janeiro e ficou fora dos Jogos. Apenas Décio Couto, o pai, que substituiu o timoneiro carioca, que sofreu um acidente de bicicleta e não pôde competir, participou dos Jogos.   


Aterro na década de 70 afastou o remo da cidade 

A história construída ao longo do século dentro da água, hoje é compartilhada entre os amigos nos cafés, nas partidas de dominó e nos bate-papos, nos galpões dos três clubes náuticos. São fragmentos da memória de cada um, que se misturam e se fundem não apenas em uma verdade, mas em várias versões da mesma narrativa. 

Aos 86 anos, Odilon Martins é o remador mais velho em atividade e se prepara para o Mundial de Bruxelas, na Bélgica, no fim do ano. “Nos 50, 60, o remo era o principal esporte da época, tinha muito mais prestígio que o futebol. Depois do aterro no início da década de 70, ele quase acabou. Mas nós continuamos aqui resistindo”, contou com o remador que conquistou o primeiro catarinense de out-riggers a oito pelo Martinelli, em 1954, e que hoje tem mais de dez títulos mundiais pelo Aldo Luz no máster. 

Rivais em décadas anteriores, a velha guarda dos três clubes se uniu para formar uma associação de atletas máster e ter mais chances em competições internacionais. Valmir Silva, 65, que compete pelo Martinelli desde os anos 60, também já está com a passagem comprada para o Mundial e guarda boas lembranças da época de ouro do remo.

“A gente saía da cabeceira da ponte Hercílio Luz e ia até à Prainha, onde hoje é a Assembleia Legislativa. As pessoas se amontoavam para assistir às regatas na Ilha do Carvão, que deixou de existir depois do aterro, e para acompanhar a chegada, no Miramar”, recordou o remador que foi presidente do Martinelli por 16 anos e que chegou a dormir no galpão do clube para não perder os treinos quando era mais novo. 

De Fabiana Beltrame e Macarrão à nova geração na seleção 

Apesar de não ter o mesmo apelo que teve até a década de 60, o remo catarinense continua produzindo atletas de nível internacional, como a campeã mundial Fabiana Beltrame e Anderson Nocetti, o Macarrão, que se prepara para ir a sua quinta Olimpíada. Fabiana é formada no Martinelli e, hoje, compete pelo Vasco, no Rio de Janeiro. Já Macarrão, que começou no Aldo Luz e despontou no Martinelli, hoje, defende o Botafogo, mas continua treinando em Florianópolis. 

“O remo catarinense é muito forte. Não dá para comparar com os clubes do Rio de Janeiro e de Porto Alegre, mas, além da tradição, a qualidade técnica que temos aqui é de alto nível. Foi aqui que eu surgi. Depois fui para Porto Alegre, onde treinei por dez anos, e hoje estou no Botafogo, do Rio, mas aqui tem um potencial muito grande”, avaliou Macarrão, que tem 11 títulos sul-americanos, 26 brasileiros, quatro medalhas em Pan-Americanos e duas em etapas da Copa do Mundo. 

Mesmo sem incentivo, a nova geração tem feito bonito no cenário nacional e até internacional. Hoje, quatro atletas – três do Aldo Luz e um do Martinelli – fazem parte da seleção brasileira júnior, que disputa uma vaga no mundial do Rio de Janeiro, em agosto. “Nós temos uma escolinha no clube e buscamos, acima de tudo, formar cidadãos, mas também temos bons valores aqui”, ressaltou Valmir. 

Livro conta a história do remo catarinense 

A história do remo catarinense também está eternizada nas páginas do livro do jornalista e historiador Maury Borges, Remando nas águas da história: as heroicas conquistas do remo de Santa Catarina, 1861-2002. 

O escritor, cujo pai foi remador e viveu a época de ouro do esporte, reuniu os fatos mais marcantes desde a chegada do remo a Florianópolis, em 1861. “O remo foi trazido para Florianópolis pelos alunos da Escola de Aprendizes de Marinheiros. A primeira regata em águas catarinenses ocorreu em 17 de novembro de 1861, com cinco páreos de escaleres e um de baleeiras”, contou. 

O primeiro clube da Capital foio 29 de Abril, criado em 1902 e que durou apenas três anos. Em 1915, surgia a maior rivalidade do remo em Santa Catarina. Primeiro surgiu o Riachuelo e, logo em seguida, o Martinelli. Em 1918, foi fundado o Clube de Regatas Florianópolis, que no ano seguinte trocou o nome da cidade para Aldo Luz, em homenagem póstuma a um de seus fundadores. Além dos três rivais vizinhos, hoje, ainda há o América, de Blumenau.

Programação das festividades do Riachuelo

11 Junho

8h - alvorada
8h15 - hasteamento da bandeira do clube
8h30 - inauguração do novo pátio
9h - lançamento do Painel do Centenário

13 Junho

9h - regata interna
10h - lançamento da camisa do centenário
10h30 - painel fotográfico
11h - lançamento do selo comemorativo
12h - risoto do centenário

15 Agosto

9h - regata interna
10h - batismo dos novos barcos
11h - coquetel

14 Novembro

9h - regata interna
10h - homenagem aos ex-presidentes, diretores, ex-atletas e amigos do clube
11h - lançamento da cápsula do tempo
11h30 - encerramento do ano do centenário

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