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Projeto que ensina judô em São José reúne pais e filhos no tatame

Iniciativa nasceu com a parceria da Fundação Municipal de Esportes em 2013 e cerca de 100 atletas de várias gerações praticam judô gratuitamente

Matheus Joffre
Florianópolis
16/02/2017 às 11H32

O judô é conhecido por ser uma das artes marciais mais democráticas que existem. É comum crianças serem matriculadas já desde bem novinhas, com quatro, três anos, e não há restrições de idade para sua prática, o que o torna um dos esportes com atletas de maior longevidade. É nesse contexto que o projeto Ippon São José reúne várias gerações no tatame da Fundação Municipal da cidade da Grande Florianópolis, desde 2013, sob a coordenação do mestre Fabio Maciel, 42.  

Pais e filhos participam juntos das atividades - Marco Santiago/ND
Valdemir e Laura participam do projeto - Marco Santiago/ND



São cerca de 100 judocas, entre eles pais e filhos que partilham o amor pela mesma arte marcial, como Valdemir Fagundes, 53, e Laura Fagundes, 11.  “Eu pratico judô desde garoto. Tenho três filhas e as três também fazem judô. Duas delas moram fora e eu não consegui acompanhar muito, mas agora com a Laura estou tendo essa oportunidade de acompanhar de perto, de treinar com ela, ver a evolução dela. Nossa relação de pai e filha é diferente, não dá nem para explicar. É uma relação de amizade, de respeito também, porque o judô tem essa questão da disciplina muito forte. Ela virou minha parceirona”, explicou Valdemir.

Incentivado por uma foto de sua primeira troca de faixa, o supervisor de vendas Marcio Laranjeira, 40, voltou para o judô 30 anos depois e, logo, nas primeiras aulas ganhou a companhia dos filhos Marcio Junior, 17, e Enzo, 12. “Eu voltei e trouxe a família toda. Fortaleceu muito nossa relação, até porque o judô educa, dá disciplina também”, contou Marcio. “Eu vim ver o primeiro treino dele e na semana seguinte já estava no tatame também. Depois veio meu irmão. É legal porque a família inteira treina junto”, ressaltou Junior.

Na família Fernandes foi o contrário. O analista de sistemas Anderson, 37, começou a praticar judô incentivado pelos filhos Matheus, 11, e Pollyana, 9, e descobriu uma nova paixão. “Eu comecei por causa deles. Geralmente é o contrário. Mas primeiro coloquei eles no judô e depois acabei tomando gosto e resolvi vir fazer também. O dia a dia já é tão corrido, aqui é um tempo a mais que temos juntos”, destacou Anderson.

Promessa recebe apoio da família no tatame 

Uma das promessas do judô josefense, João Victor Pavão, 19, tem uma história de superação nos tatames graças ao apoio da família. O judoca sofreu uma lesão séria no joelho, na final da seletiva para o Brasileiro, em 2014, e teve que passar por uma cirurgia.

Após a recuperação de João Victor, o pai Claudio, 52, e o irmão mais velho Felippe, 22, que treinavam esporadicamente, passaram a acompanhá-lo diariamente e a praticar o judô com mais frequência para incentivá-lo a retornar às competições. “Nós conversamos os três e decidimos que viríamos treinar com o João mais vezes. Sempre fomos muito unidos e foi uma forma de que encontramos de incentivá-lo a continuar e a não desistir do judô”, contou Claudio. 

Em 2015, João Victor foi campeão dos Joguinhos Abertos de Santa Catarina, mas saiu do tatame direto para a sala de cirurgia para um novo procedimento no joelho. “Sou muito grato a eles por isso. Eles me incentivaram bastante. Eu passei por um momento bem difícil, passei por duas cirurgias, coloquei dois pinos no joelho e eles estiveram o tempo todo ao meu lado”, lembrou João Victor.

Espírito familiar forma campeões e cidadãos

Sem custo algum para os praticantes, o projeto Ippon São José surgiu de uma conversa informal entre o mestre Fabio Maciel e a superintendente de Esportes Andrea Grando, em 2013.

Durante esses cinco anos de atividade, a equipe de São José conquistou diversos títulos e chegou a treinar com a seleção brasileira que disputou a Olimpíada do Rio de Janeiro. Apesar do treinamento de ponta, o grupo de judocas sempre manteve uma relação familiar e Fabio é considerado um grande paizão por vários atletas. “O judô é muito família. O sensei meio que adota o atleta porque é muito tempo junto. Sofre junto, chora junto e comemora junto. A gente acaba pegando os atletas desde muito pequenos, treina todo dia, sabe o perrengue de todo mundo, muitos deles não têm condições. E o judô é uma alternativa para as crianças e jovens não irem para o tráfico”, ressaltou o mestre.  

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