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Projeto de vôlei sentado da Udesc ajuda deficientes físicos a ter melhor qualidade de vida

Equipe tem à disposição estrutura com ginásio, uniformes e fisioterapia, mas tem dificuldades para atrair novos adeptos

Matheus Joffre
Florianópolis
14/04/2017 às 19H05

O projeto de vôlei sentado do Cefid/Udesc mudou a vida de Robson Vieira, 35. Natural de Florianópolis, o motorista da prefeitura municipal encontrou no esporte paraolímpico uma forma de renovar as energias para superar as limitações do dia a dia e melhorar sua qualidade de vida. Robson sofreu um acidente de moto em 2004. Ele teve uma lesão que comprometeu o músculo junto à tíbia da perna esquerda, que hoje é 1,7cm mais curta do que a direita, e se locomove com o auxílio de uma muleta.

“Depois que comecei no projeto minha vida melhorou 100%. Eu estava sempre cansado, sem disposição para nada, agora sou outra pessoa. O vôlei sentado me ajuda no trabalho, nas pequenas coisas do dia a dia. Minha parte motora teve uma melhora também”, contou o atleta que está desde o início do projeto, que começou em junho do ano passado

Robson Vieira tem mais disposição depois que começou a praticar vôlei sentado - Marco Santiago/ND
Robson Vieira  (à esq.) tem mais disposição depois que começou a praticar vôlei sentado - Marco Santiago/ND

O projeto social não tem custo algum para quem pratica, mas o professor de educação física Evandro Nandi, 34, responsável pela modalidade, tem enfrentado dificuldades para atrair novos adeptos. “Temos todo o apoio necessário da empresa que banca o projeto em termos de estrutura, uniformes, fisioterapeuta, eu trabalho com um auxiliar estagiário do Cefid, o que nos falta é gente querendo praticar. Já tivemos que cancelar nossa participação em dois campeonatos porque não conseguimos formar um time com seis jogadores”, lamentou o técnico, que é treinador de vôlei desde 2007 e aceitou o desafio de trabalhar pela primeira vez com a modalidade paraolímpica no ano passado.

Após a proposta do patrocinador, que sugeriu a criação de uma equipe de vôlei sentado em Florianópolis, Evandro foi para Curitiba conhecer o time vice-campeão brasileiro e trouxe o grupo para uma apresentação na Capital, no lançamento do projeto em junho do ano passado. O trabalho de divulgação também foi intenso. O professor ligou para todos os deficientes físicos cadastrados na Aflodef, divulgou nas redes sociais, nas Universidades, nos hospitais de reabilitação, no Celso Ramos e no Regional.

“Eu estudei, me preparei. Fui para Curitiba conhecer a equipe vice-campeã brasileira, trouxemos eles aqui para uma apresentação. Procurei conhecer mais de perto a realidade das pessoas com deficiência física. Temos a chancela da Udesc, que é uma entidade de peso, e esperamos em um futuro próximo conseguir formar um time para disputar o Campeonato Brasileiro, que hoje tem até a Série C”, projetou.

Robson tem a perna esquerda 1,7cm menor do que a outra e tem dificuldades de locomoção - Marco Santiago/ND
Robson tem a perna esquerda 1,7cm menor do que a outra e tem dificuldades de locomoção - Marco Santiago/ND



Mais intenso que o vôlei olímpico, modalidade paraolímpica surgiu da fusão com esporte alemão

O vôlei sentado surgiu da fusão entre o vôlei olímpico e o sitzbal, um esporte alemão que não tem rede e jogado sentado por pessoas com pouca mobilidade. A modalidade surgiu na Holanda, na década de 50, e foi disputada pela primeira vez nos Jogos Paraolímpicos em Arnhem 1980. Até Sydney 2000, o vôlei paraolímpico tinha as divisões sentado e em pé, entre atletas de mobilidade limitada, mas, a partir de Atenas 2004, a competição passou a contar apenas com a categoria sentado.

A modalidade pode ser praticada por atletas amputados, com paralisia cerebral, lesão na coluna vertebral ou outros tipos de deficiência locomotora. Os atletas são divididos em diferentes classes, de acordo com o grau de comprometimento de cada um.

Utilizando basicamente as mesmas regras do esporte olímpico, o vôlei sentado tem um ritmo de disputa frenético. Uma das principais regras é que o atleta não pode bater na bola sem estar em contato com o solo. Diferente do vôlei convencional, é permitido bloquear o saque. A quadra também é menor e mede 10m x 6m. A rede é posicionada a 1,15m do chão para os homens e 1,05m para as mulheres.

Rio 2016

O Brasil fez bonito em casa no vôlei sentado na Olimpíada de 2016. A seleção brasileira feminina conquistou o inédito bronze, enquanto o masculino ficou com a quarta colocação, a melhor participação entre os homens na história dos Jogos.

As principais potências do vôlei sentado masculino são Irã, que tem três ouros olímpicos – o último deles conquistado na Rio 2016 – e Bósnia-Herzegovina, com duas medalhas douradas. No feminino, a hegemonia fica entre Estados Unidos, que levou o ouro no Brasil, e China, bicampeã olímpica em Pequim 2008 e Londres 2012.

Regras

A modalidade pode ser praticada por atletas amputados, com paralisia cerebral, lesão na coluna vertebral ou outros tipos de deficiência locomotora.

Não é permitido bater na bola sem estar sentado.

É permitido o bloqueio de saque.

A quadra é menor, mede 10m x 6m.

A rede é posicionada a 1,15m do chão para os homens e 1,05m para as mulheres.

Os sets têm 25 pontos corridos e 15 no tie-break.

Os atletas são divididos em diferentes classes, de acordo com o grau de comprometimento de cada um

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