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Presidente do COB se recusa a assumir comitê Rio-2016, em crise financeira

A comunicação oficial ocorre no momento em que o rombo financeiro do órgão se amplia

Folha de São Paulo
Rio de Janeiro
06/12/2017 às 10H14

ITALO NOGUEIRA E PAULO ROBERTO CONDE

RIO DE JANEIRO, RJ, E SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O presidente do COB (Comitê Olímpico do Brasil), Paulo Wanderley, enviou nesta terça-feira (5) uma carta ao comitê organizador Rio-2016 em que se recusa assumir o comando da entidade. A comunicação oficial ocorre no momento em que o rombo financeiro do órgão se amplia.

De acordo com a última auditoria, a sua dívida com fornecedores e funcionários chegou a R$ 218 milhões e pode aumentar. O maior débito é com a GL Events, de R$ 52 milhões. "Declaro minha intenção de dedicar-me integral e exclusivamente ao cargo de presidente do COB, o que me impede de assumir compromisso junto a outras entidades. Desta forma, venho informar a minha recusa em assumir a posição de presidente desta entidade", diz a carta assinada por Wanderley, à qual a reportagem teve acesso.

A rejeição do dirigente vai prolongar a penúria em relação ao comando do Rio-2016. Pelo estatuto do comitê organizador, seu presidente deve ser o chefe ou o vice-presidente do comitê nacional.

Antes vice do COB, Wanderley ascendeu ao posto de mandatário em razão da renúncia de Carlos Arthur Nuzman, no mês de outubro. O segundo maior cargo da entidade está vago. Nuzman foi preso e posteriormente liberado pela Polícia Federal, suspeito de atuar como "ponte" em esquema de compra de votos para eleger o Rio sede dos Jogos. Por ora, o Rio-2016 tem sido conduzido interinamente por Edson Menezes, vice-presidente do conselho diretor.

Além de Menezes, também fazem parte do conselho diretor da Rio-2016 Luiza Trajano (empresária), Bernard Rajzman (ex-jogador), Manoel Felix Cintra Neto (ex-presidente da BM&F) e José Antônio do Nascimento Brito (ex-presidente do conselho editorial do "Jornal do Brasil"). A interinidade, contudo, não pode mais ser exercida. Entra aí a figura de Wanderley que deveria assumir o posto de acordo com as regras estatutárias. Ainda não há uma definição sobre o que será feito em razão da recusa.

As regras do COB também previam o acúmulo de funções —estratégia do ex-presidente Carlos Arthur Nuzman para comandar, de forma inédita, as duas entidades—, mas Wanderley conseguiu tirar a obrigatoriedade na reforma do estatuto aprovado há duas semanas.

À reportagem, há dez dias, o presidente do COB já havia indicado a intenção de renunciar ao cargo no Rio-2016. "Há de se convir que eu não fui eleito para isso", comentou ele na ocasião. Wanderley afirmou que havia encomendado uma avaliação jurídica sobre o que seria possível fazer para não assumir o órgão endividado.

A recusa ocorre quando novos canais de diálogos haviam sido abertos com o COI (Comitê Olímpico Internacional) na tentativa de obter novo apoio financeiro para abater a dívida da entidade.

Sem dinheiro para quitar os débitos, o comitê organizador viu seus principais parceiros fecharem a torneira. A União disse que não vai repassar mais verbas. O mesmo foi dito pela Prefeitura do Rio e pelo governo do Estado. De acordo com o contrato da cidade-sede proposto pelo COI, prefeitura e Estado arcariam com eventuais déficits dos Jogos Olímpicos de 2016.

O Comitê Rio-2016 operou com uma receita de R$ 8,8 bilhões para realizar a Olimpíada, obtida entre repasses do COI, venda de ingressos e produtos licenciados. De acordo com seu estatuto, ele tem de ser encerrado até 2023.

ASSEMBLEIA

O COB faz nesta quarta (6) nova assembleia geral que deve garantir aos atletas 12 assentos no órgão que define o presidente do comitê.

A reunião foi marcada depois de polêmica na última sessão, em 22 de novembro. Na ocasião, a proposta de inclusão de 12 atletas foi derrubada após o voto dado pelo presidente da confederação de rúgbi, Eduardo Mufarej, que teve de deixar a reunião antes do fim, ser anulado. O pleito estava empatado em 15 a 15. Ele havia adiantado sua escolha pelos 12 atletas.

O presidente da confederação de tênis de mesa, Alaor Azevedo, pediu a impugnação do sufrágio e, depois de debate acalorado, foi atendido. O placar terminou 15 a 14 para os favoráveis a cinco atletas na assembleia.

O veto causou revolta de atletas e entidades que os representam, como Atletas pelo Brasil e Sou do Esporte. A confederação de rúgbi ameaçou acionar o COB judicialmente e apresentou recurso para validação do voto, o que fez com que o presidente da entidade, Paulo Wanderley, remarcasse a reunião.

Neste ínterim, as confederações de vôlei e levantamento de peso anunciaram publicamente que mudariam seus votos na nova assembleia.

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