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Presidente da CBT, catarinense Jorge Lacerda vira réu por desvio de dinheiro público

Dirigente é acusado de utilizar ilegalmente dinheiro captado para torneio em São Paulo em 2011 e diz que assunto já foi esclarecido anteriormente

Folha de São Paulo e Redação ND
Brasília/Florianópolis
07/10/2016 às 18H58

BRASILIA, DF (FOLHAPRESS) - A Justiça Federal de São Paulo aceitou denúncia feita pelo Ministério Público Federal contra o atual presidente da Confederação Brasileira de Tênis, Jorge Lacerda. Agora réu, o dirigente responde a acusação de desvio de desvio de dinheiro público.

De acordo com os dois procuradores que assinam a denúncia, Gustavo Torres Soares e Priscila Pinheiro de Carvalho, houve uma fraude por meio de um convênio com o Ministério do Esporte que desviou R$ 440 mil.

Jorge Lacerda disse que finalmente poderá se defender na Justiça - Divulgação CBT
Jorge Lacerda disse que finalmente poderá se defender na Justiça - Divulgação CBT


"Mediante expediente fraudulento [confecção de falsos comprovantes de despesas e falsa prestação de contas ao Ministério do Esporte] desviaram recursos para proveito indevido", afirma a denúncia do MPF, ao qual o Jornal Folha de S.Paulo teve acesso.

Outras pessoas também são acusadas de terem participado da fraude, entre elas está o ex-tenista Dacio Campos, que hoje trabalha como comentarista do SporTV.

De acordo com os documentos, o desvio teria acontecido durante a organização de um torneio de tênis em 2011. A confederação captou, por meio de um convênio, dinheiro com o ministério para a realização do campeonato, mas mentiu, segundo a acusação, no uso do recurso.

O aluguel da quadra saiu de graça, mas a entidade colocou em notas o valor de R$ 400 mil e deu outro comprovante, no valor de R$ 40 mil, como se houvesse tido reforma no local, o que também não aconteceu, dizem os procuradores. Esses valores foram depositados para empresas ligadas ou de posse do próprio denunciado.

Em uma investigação do TCU e do Ministério do Esporte, o desvio também foi detectado, o que obrigou a confederação a devolver o dinheiro, conforme está descrito na denúncia feita. O dinheiro que voltou para a União saiu dos cofres da entidade e não do bolso do acusado.

A Justiça aceitou a acusação no último dia 3 de outubro. A partir de agora, o réu terá que fazer sua defesa.

Jorge Lacerda é catarinense de Tubarão, advogado,  presidente da confederação desde 2004 e está terminando o seu terceiro e último mandato à frente da entidade. Ele será substituído em 2017 por Rafael Westrupp, eleito em julho, que atualmente preside a Federação Catarinense de Tênis (FCT) e é diretor executivo da confederação.

Em nota, CBT afirma que questionamentos já foram esclarecidos por Lacerda

A assessoria de imprensa da Confederação Brasileira de Tênis enviou nota ao Notícias do Dia sobre o assunto:

"Mediante as informações que saíram na imprensa, o presidente da Confederação Brasileira de Tênis, Jorge Lacerda, declara que conversou com os advogados do caso e que os mesmos irão requerer oficialmente os documentos para se interarem dos andamentos, visto que não houve intimação até o presente momento. Pelas informações não oficiais que foram publicadas na imprensa, Jorge afirma que já explicou cada um dos pontos, tanto que a prestação de contas do projeto junto ao Ministério do Esporte foi aprovada, com comprovação de que não houve dano ao erário. Jorge complementa que agora, finalmente, terá a oportunidade de se defender na Justiça", diz o texto.

Ao UOL, Dacio Campos rejeitou a acusação de que a CBT teria agido como intermediária para a captação da verba. Segundo o comentarista, ele realizou serviços para a CBT e emitiu uma nota fiscal. Campos afirmou também que possui todas notas fiscais de terceiros contratados por ele. Inicialmente, o torneio aconteceria no WCT São Paulo, mas mudou para o Clube Harmonia por determinação da ATP (Associação dos Tenistas Profissionais).

"Eu sou produtor, não sou promotor do evento. E eu só mudei o evento porque a ATP me mandou mudar. No Harmonia, eles me cederam uma quadra, e não uma arena como constava no projeto. Então tudo que compõe uma arena eu tive que montar. Eu tive que montar banheiros, fazer restaurante, área VIP. No WTC, eu não precisaria porque estaria tudo pronto. Então o dinheiro sairia da CBT para o WTC. Estaria tudo certo", disse o comentarista.

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