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Pipoca, supercampeão no judô, reencontra o prazer de competir no paradesporto

Ex-judoca, tricampeão brasileiro, abandonou os tatames por causa de uma artrose. Voltou no atletismo, nos Parajasc

Daniel Silva
Florianópolis
Alexandro Albornoz/ND
Pipoca ganhou duas medalhas nos Jogos Paradesportivos de Santa Catarina


O ex-judoca Dulcimar Antônio Grando, o Pipoca, tem uma história de vida que poderia virar filme, tanto pelas inúmeras conquistas no tatame quanto pelas dificuldades que teve de enfrentar e ainda enfrenta. Impedido de competir no judô por conta de uma artrose, Pipoca, 46 anos, hoje técnico da modalidade da FME (Fundação Municipal de Esportes) de Florianópolis, descobriu no paradesporto um novo sentido para continuar lutando e fazendo o que mais gosta: praticar esporte.

Pipoca nasceu em Veranópolis (RS) e veio para Floripa em 1981, ano em que começou a treinar judô e atletismo. Em apenas um ano, foi campeão dos Jasc (Jogos Abertos de Santa Catarina), em Itajaí.

Os resultados no atletismo nunca apareceram, mas contribuíram na sua carreira como atleta. “Fazia corrida, trabalhava com halteres. O atletismo me deixou bom no judô. Parei com o atletismo em 1989 para focar mais no judô. O atletismo demora mais tempo para dar resultado. No judô, nunca deixei de ganhar medalha”, contou.

Pipoca conquistou 15 medalhas de ouro nos Jasc e foi três vezes campeão brasileiro. Em 1988, participou da seletiva para a Olimpíada de Seul, na Coreia do Sul, perdendo a vaga para Aurélio Miguel. Isso não abalou o ex-judoca, pois sua carreira foi mais que vitoriosa.

“Na época só iria um judoca. Ele (Aurélio Miguel) era muito superior, foi o nosso primeiro campeão olímpico no judô”, disse Pipoca, formado em educação física pela UFSC. “Tive uma carreira gratificante. Conheci o Brasil inteiro, alguns países do mundo. Sou profundamente realizado. Poderia ter sido um drogado, mas optei pelo esporte”, completou.

Dores e o fim do judô

Em 1996, Pipoca começou a sentir as primeiras dores no quadril. Seguiu lutando até 2002, quando não suportou mais o ritmo de treinos e competições. Descobriu que tinha artrose e que não poderia mais ser um judoca.

Há dois anos, colocou próteses de titânio, porcelana e polipropileno no quadril. “Meu fêmur estava grudado no quadril. É doença de quem tem mais de 60 anos. Não tinha o que fazer, nem raspagem nem nada. Tive de fazer redução de estômago, pois a prótese não aguentaria o meu peso. A dor que eu sentia não existe mais, mas tenho limitação de movimentos”, revelou.

Naquele mesmo ano, descobriu que sofre de câncer no palato (céu da boca). O tumor é maligno, mas existe tratamento e a doença pode ser controlada. Ainda restam alguns exames para saber o tipo de procedimento que terá de passar. “A tolerância é maior, mas temos os nossos medos. Não sou mais do que ninguém. Esporte não é sinônimo de saúde. Se eu tivesse que fazer algo diferente, não treinaria tanto, cuidaria mais da minha saúde”, comentou.

Em outro ritmo

Ironicamente, após ficar impossibilitado de lutar, Pipoca voltou para o atletismo e, dessa vez, foi campeão. Com uma leve deficiência, foi classificado para participar do Parajasc (Jogos Paradesportivos de Santa Catarina) 2011, em junho, e foi campeão no lançamento de disco, bronze no peso e quarto lugar no dardo.

“Foi uma lição de vida, um tapa na cara. São vários níveis de deficiência. Eu tenho uma prótese no quadril, mas tem gente que não tem as duas pernas. Foi uma grata surpresa voltar a competir com as pessoas e diferenças”, avaliou. Florianópolis terminou os Parajasc em terceiro lugar, com 67 medalhas (32 de ouro, 16 de prata e 19 de bronze), atrás de Joinville (76 medalhas) e Itajaí (83).

Projeto social

 Pipoca tem se dedicado ao projeto social “Judô na Vila”, dando aulas para crianças carentes do bairro Vila Aparecida. Para ele, o judô agrega valores que estão perdidos na sociedade como respeito, integridade, disciplina e honestidade.

“Ter um aluno meu campeão é melhor do que eu ter sido campeão. Achei que seria tão bom quanto, mas é mais. Tem que dar oportunidade”, disse. “Os jovens passam a ter outra perspectiva. O judô mostra o caminho, tem foco social”, finalizou.

O projeto tem apoio da FME, Carioca Calçados e Massa Viva.

PERFIL
Mais sobre Pipoca

Nome: Dulcimar Antônio Grando
Nascimento: 30 de maio de 1965, em Veranópolis (RS)
Conquistas: Três títulos brasileiros no judô (1983, 1985 e 1987), 15 medalhas de ouro no judô dos Jasc e campeão no atletismo do Parajasc em 2011

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