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Olheiros são os responsáveis pelas joias de Avaí e Figueirense

Descobertos em campos de areia, descalços e jogando contra adultos, os jovens são recrutados pelos times cada vez mais jovens. Eles podem estar na Grande Florianópolis, no Norte ou no Nordeste

Michael Gonçalves
Florianópolis
17/03/2017 às 20H41
Hugo Machado é o gerente da base do Figueirense e passou por Corinthians e Santos - Marco Santiago/ND
Hugo Machado, diretor das categorias de base do Figueirense e passou por Corinthians e Santos, e o observador Adauto Freitas - Marco Santiago/ND


Juvenil, prata da casa, joia, revelação e promessa. Esses são alguns dos adjetivos utilizados para identificar os atletas das categorias de base, em Florianópolis. Na visão dos olheiros Diogo Fernandes, 36, do Avaí, e Adauto Freitas, 59, do Figueirense, eles são os patrimônios mais valiosos dos clubes. Descobertos em campos de areia, jogando descalços e contra adultos, esses jovens são recrutados pelos times cada vez mais jovens. Eles podem estar na Grande Florianópolis ou um bairro distante das regiões Norte e Nordeste.

Com 13 anos dedicados ao Leão da Ilha, Diogo Fernandes é o coordenador geral das categorias de base desde 2011. A partir daí, ele começou a receber dezenas de telefonemas e mensagens por celular diariamente. Somente durante a uma hora da entrevista, ele recebeu 104 mensagens de empresários oferecendo atletas em uma rede social. Além de avaliar os materiais enviados, o olheiro avaiano gosta é de observar os jovens jogando pelo Brasil.

O volante Walace Souza Silva, que foi campeão Olímpico pelo Brasil e profissionalizado pelo Grêmio (RS), foi descoberto na pequena cidade de Simões Filho, na região metropolitana de Salvador (BA). “Quando disputamos competições em outros estados, aproveitamos os dias de folga atrás de campos de pelada. Foi assim que encontramos o Walace, que estava jogando em um campo de terra contra adultos com cerca de 200 pessoas. Eles começaram jogando à tarde e viram a noite atrás de uma bola”, revela.

Diogo conta que demorou seis meses até encontrar uma posição para Walace, que hoje defende o Hamburgo, da Alemanha. No Avaí, todos os atletas da categoria juniores têm contrato profissional e no juvenil a maioria também possui esse vínculo. O objetivo é assegurar o patrimônio.

“Temos vários atletas descobertos que são negociados antes de chegarem ao profissional pela dificuldade financeira do clube. Além do Walace, o meia-atacante Dionathã, descoberto no interior do Paraná, foi outro negociado precocemente. Somente a venda do zagueiro Gabriel pagaria as despesas da base do Avaí por cinco anos”, revela.  

 

Avaí aproveita viagens para amistosos e torneios para descobrir talentos como  - Marco Santiago/ND
Avaí aproveita viagens para amistosos e torneios para descobrir talentos como Marco Antônio Moreira, de Arapongas (PR)- Marco Santiago/ND



Atleta precisa demonstrar quatro qualidades em uma avaliação

Os olheiros contam que um jogador de qualidade se destaca em poucos minutos de uma peneira ou de um amistoso. Para o coordenador da base do Avaí, Diogo Fernandes, o atleta avaliado precisa ter quatro habilidades dentro de uma partida. “Observo a parte técnica, a tomada de decisão, a resolução de problemas do jogo e a competitividade. Não levamos em conta a altura e o peso, mas para algumas posições é pré-requisito. Um bom goleiro com 1,70 metro de altura, dificilmente será aprovado”, explica o dirigente.

Um dos atletas descoberto é o zagueiro Marco Antônio Fioretto Moreira, 16, o Tonhão, que treinava em um centro de formação em Arapongas (PR). Ele foi avaliado em um torneio e hoje reside no alojamento. “No começo foi bem difícil, porque não tinha conhecidos. A saudade da família também é um grande problema, mas a gente supera em busca de um sonho. O meu é defender o Chelsea, da Inglaterra, que sempre aposta em atletas brasileiros”, afirma o jovem convocado para a Seleção Brasileira juvenil em 2016.

Diogo também revelou atletas como o lateral Rodinei (Flamengo), o atacante Raphinha (Vitória de Guimarães), entre outros. No clube existe um comitê que decide pela dispensa ou contratação dos atletas. “Na Grande Florianópolis não existe categoria de base que treine três vezes na semana. E aqui as opções são muitas para afastar o jovem do futebol. Em cidades menores do interior, o futebol é muitas vezes a única opção de lazer e os jovens praticam sete dias por semana e, por isso, estão mais preparados”, justifica.

 

Mudança no sistema de avaliação para conter custos

Depois de trabalhar 10 anos nas categorias de base do Corinthians e mais dois no Santos, Hugo Machado, 59, é o diretor das categorias de base do Figueirense. Ao lado do observador Adauto Freitas, eles são os responsáveis pela captação de atletas alvinegros. Em 2017, eles anunciaram uma nova postura para avaliar as promessas. “Gastamos muito com avaliações e o retorno foi mínimo e a partir deste ano adotaremos uma nova prática. Solicitaremos imagens e se o jogador chamar a nossa atenção, ele será chamado para uma semana de treinamentos”, explica.

Com mais de uma década no Figueirense e com passagens também pelo Avaí, Adauto Freitas tem o dom de encontrar talentos. Ele conta que descobriu o goleiro Edson Bastos sem querer. “Fui a Tubarão ver um atleta, mas não gostei. Na volta parei em um campo de futebol amador em Palhoça e encontrei um ótimo goleiro. Tive a certeza de que era a pessoa certa e, assim, ganhamos o Edson Bastos”, conta.

Adauto também conta que acertou com o meia-atacante Marcelo Silva apenas pela maneira de andar. O jovem de Garopaba apareceu no Figueirense para fazer uma avaliação no fim do ano e foi informado para retornar em janeiro. “Quando ele foi se afastando com o pai, percebi que ele tinha qualidade só pela maneira de andar. Pedi para segurá-lo na portaria e descobrimos mais um atleta de qualidade”, informa.

O observador conta que também já fez apostas erradas. Adauto não gosta de peneirões e prefere organizar amistosos para avaliar os atletas. Foi assim que ele descobriu o atacante Roberto, em São João Batista. “Era um amistoso do juniores, o Roberto era bem novinho e não queria colocá-lo em campo para a sua segurança. O pai dele insistiu e na sua primeira jogada ele passou pelo marcador, pelo zagueiro e fez o gol”, recorda.

No Avaí e no Figueirense todos os atletas de base estudam, porque é uma obrigatoriedade da CBF para se tornar um clube formador.

 

Lateral Felipe veio do interior de São Paulo

Uma das aposta do alvinegro é o lateral-esquerdo Felipe Camargo, 18, de Pirajuí (SP). Ele foi descoberto em um torneio disputado no interior de São Paulo e, hoje, reside no alojamento do Figueirense. Em 2016, o jovem também foi convocado para a Seleção Brasileira sub-18. Com 1,85 metro de altura, o lateral está no segundo ano do ensino médio e quer prestar o vestibular para educação física.

“Foi uma experiência inesquecível passar uma semana de treinamento na Granja Comary, com atletas de diferentes clubes do Brasil. Meu objetivo é ser profissional no Figueirense e retribuir tudo o que o clube faz pela gente. Sou grato pela oportunidade”.       

  

       

Base do Avaí

Categorias                          Atletas

 Juniores                             27

Juvenil                                 35

Infantil                                 21

Mirim                                   21

Total                                     104

 

Alojados                             68

Não alojados                     36

 

Atletas com idade de base, mas à disposição do profissional: 12

Atletas da base emprestados: 7

Convocados para a Seleção Brasileira: 9 jogadores (últimos dois anos)

 

Base do Figueirense

Categorias                          Atletas

Juniores                              30

Juvenil                                 30

Infantil                                 30

Mirim                                   20

Total                                     110

 

Alojados                             65

Não alojados                     45

 

Convocados para a Seleção Brasileira: 6 (somente em 2016)

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