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O retorno do homem de ferro rumo ao Mundial em Kona

Após 2016 difícil, Igor Amorelli chega ao Ironman Floripa em seu auge como triatleta

Matheus Joffre
Florianópolis
09/06/2017 às 21H09

“Ninguém vai bater tão duro quanto a vida. Mas não se trata de bater duro, se trata de quanto você aguenta apanhar e seguir em frente, o quanto você é capaz de aguentar e continuar tentando”. O discurso inspirado do personagem Rocky Balboa no filme homônimo de 2006 e que se tornou um viral das redes sociais recentemente pode muito bem se aplicar à trajetória do triatleta Igor Amorelli, um dos brasileiros que disputará o Mundial de Ironman em Kona, no Havaí, em outubro.

Em 2017, Amorelli já conquistou um terceiro lugar no Ironman 70.3 de Buenos Aires - Daniel Queiroz/ND
Mineiro radicado em Balneário Camboriú, o triatleta foi o melhor brasileiro no Ironman Floripa - Daniel Queiroz/ND


Campeão do Ironman Floripa em 2014, sub8h na edição do ano seguinte e terceiro este ano (há duas semanas), o mineiro radicado em Balneário Camboriú teve um 2016 marcado por lesões e dificuldades. Em março, Amorelli sofreu um grave acidente durante um treino de bicicleta, colocou duas placas e 13 pinos no braço esquerdo e teve toda sua preparação para a temporada comprometida. Ainda assim, o triatleta competiu no Ironman Florianópolis, em maio, completou a natação, mas abandonou a prova após pedalar os primeiros 100 quilômetros.

A sonhada vaga para o Mundial de Kona, que seria disputado em outubro, veio um mês antes com um quinto lugar no Ironman da Dinamarca, somado à quarta colocação no Ironman 70.3 da Itália e à vitória no Ironman da Holanda. No Havaí, depois de sair entre os três primeiros da água e estar pedalando no pelotão da frente, Igor teve um problema na bicicleta, foi obrigado a parar a prova para consertá-la, chegou a completar os 180 quilômetros do ciclismo, mas desistiu no início da corrida.

Mineiro radicado em Balneário Camboriú, Amorelli foi o melhor brasileiro no Ironman Floripa - Daniel Queiroz/ND
Em 2017, Amorelli já conquistou um terceiro lugar no Ironman 70.3 de Buenos Aires - Daniel Queiroz/ND


Percalços que tornaram Amorelli um triatleta “mais cascudo”. Este ano, ele já conquistou um terceiro lugar no Ironman 70.3 de Buenos Aires, venceu o Ironman 70.3 de Palmas e, aos 32 anos, foi o terceiro em Florianópolis no auge de forma física. “Essas provas serviram bem como parte do treinamento. Sem contar que você tem que pegar ritmo de prova. Tem que conciliar os treinos e o ritmo de prova. Deu tudo certo no nosso planejamento até agora, as metas que a gente tinha nos treinos, pegar ritmo de prova. Estou me sentindo muito bem, acho que estou hoje na minha melhor fase e tenho tudo para fazer a melhor prova da minha vida”, afirmou.

O triatleta também se condira psicologicamente melhor preparado após enfrentar as adversidades do ano passado. “O acidente foi consequência de um começo de ano muito difícil. Eu estava passando por uma fase meio ruim, a cabeça não estava muito boa e quando as coisas não vão bem acaba dando nisso. Mas voltei muito mais forte. Mentalmente estou muito melhor. Minha cabeça hoje é muito mais forte e, com certeza, para uma prova longa como o Ironman faz muita diferença”, ressaltou.

Superação, treinamento sobre-humano e coração de Ironman

A preparação de Igor Amorelli para um ironman é puxada. O triatleta acorda às 6h, toma um café da manhã reforçado, pedala cerca 160 quilômetros, corre outros 20 e nada entre três e quatro. Às vezes, faz uma pausa para o almoço e um rápido descanso. Às vezes, toca direto e come algo em cima da bicicleta mesmo. “É o treino mais duro. É até um simulado da prova. Num dia desses, começo às 7h e vou até umas 15h sem parar, como em cima da bike, me alimento, me hidrato. Acaba o dia e você está bem cansado, já está quase de noite e você não almoçou. Esse é o dia mais duro, mas que eu gosto bastante, que simula bem a prova”, explicou.

Às vésperas da prova, a intensidade do treino diminui e o triatleta prioriza o descanso e a alimentação. “Quinze dias antes da prova não tem mais muito o que treinar, é descansar mesmo, se alimentar bem, não ficar inventando nada de novo. Muita gente quer testar coisa  na semana da prova, não é o melhor momento, tinha que ter testado antes. Então é descansar, se alimentar bem e se preparar mentalmente também para chegar na prova 100%”, ponderou.

Segundo Amorelli, seu diferencial para o sucesso é a estrutura que ele tem por trás, o apoio da família e sua força de vontade. “Tem toda uma equipe por atrás de mim. Tenho dois treinadores, um fisioterapeuta, um coaching, sem falar em outras pessoas que me aconselham nas modalidades, como um cara que nada que me dá uns toques na natação. E minha família também, que me apoia demais, me aguenta quando estou cansado dos treinos, mal-humorado, eles estão sempre lá me dando força. E a vontade. Você tem que querer mais que todo mundo, é a tua energia, motivação de todo dia lá, com tempo ruim, tempo bom, cansado, se sentindo bem, se sentindo mal, tem que estar lá”, resumiu. 

Dor faz parte da rotina

Nadar com uma dorzinha na lombar, pedalar com um desconforto no cóccix ou correr com uma um incômodo na coxa. Tudo isso faz parte da rotina de um triatleta que compete o Ironman.

Para o triatleta, o apoio da família e a força de vontade são diferenciais para o sucesso - Daniel Queiroz/ND
Para o triatleta, o apoio da família e a força de vontade são diferenciais para o sucesso - Daniel Queiroz/ND


Segundo Amorelli, a dor faz parte da vida do atleta de alto rendimento, mas é preciso conhecer bem os limites do corpo para não transformar um pequeno incômodo em uma séria lesão.  “No Ironman você que tem meio que aprender a conviver com a dor. Porque dor de treino é normal, é uma dor que a gente até passa a gostar um pouco. Mas quando é dor de lesão, essas coisas aí já é um pouco mais complicado. Você tem que saber o que dá para fazer o que não dá, até quando dá para ignorar a dor ou quando tem que segurar porque pode prejudicar depois. É uma questão bem delicada”, avaliou.

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