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Terça-Feira, 25 de Setembro de 2018
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Vitrine de grandes atletas no passado, Jogos Abertos estão em baixa

Rivalidade, amor à camisa e confraternização deram lugar a marasmo, dinheiro e individualismo

Matheus Joffre
Florianópolis

Os olhos da técnica de ginástica rítmica Maria Helena Kraeski brilham ao falar sobre suas participações como atleta nos Jogos Abertos de Santa Catarina. Foram dez anos de competições, pódios, viagens de ônibus, alojamentos e amigos para uma vida toda. Um tempo que ficou para trás. Sem o mesmo apelo de outras épocas os Jasc perderam em importância. A rivalidade acirrada, o amor à camisa e as confraternizações saíram de cena e deram lugar ao marasmo, ao dinheiro e aos individualismos.

A 53ª edição dos Jasc, que será realizado entre 20 e 30 de novembro, em Blumenau, promete resgatar esses valores. “Este ano, recebemos a missão de recuperar os Jogos Abertos. Blumenau tem tradição no esporte, é a cidade com mais títulos e tem tudo para valorizar novamente os JASC”, afirmou o presidente da Fesporte, Erivaldo Nunes Caetano Júnior, o Vadinho.

Marco Santiago/ND
Marco Santiago/ND
Maria Helena Kraeski: "O clima era muito legal. Fiz grande amigos"


Com experiência tanto dentro como fora do tablado, Maria Helena sonha há anos com essa melhora. “Os Jasc era uma coisa mágica. Era o evento mais esperado, mais importante. O clima também era muito legal. Fiz grande amigos naquela época. Hoje, o esporte virou uma questão política e as pessoas não competem mais pela cidade, mas sim pelo dinheiro”, lamentou a técnica, que foi a primeira medalhista individual da ginástica rítmica de Florianópolis, em 1984.

Grandes nomes deram seus primeiros passos no esporte nos Jasc: Fernando Scherer, Eduardo Fischer, Sérgio Galdino, Márcia Narloch, Márcio May e Gustavo Kuerten. “Os Jogos Abertos representam muito na minha história. Não só pela experiência em competições, mas pela vivência, pelo aprendizado. É uma competição que se perdeu ao longo do tempo, mas temos que resgatar e preservar essa tradição porque o esporte é uma das ferramentas sociais mais importantes”, afirmou Guga.

Multiatleta do Jasc

Paulista de São Bernardo do Campo, Marli Müller veio para Florianópolis logo após formar-se em educação física, aos 21 anos, e fez história nos Jogos Abertos. Atleta de handebol, no início, teve ainda mais destaque no atletismo, que lhe rendeu três títulos. Depois, como técnica de basquete, conquistou outros cinco títulos para Florianópolis.

Professora de educação física da rede municipal e afastada das competições, Marli sente com pesar a situação dos Jasc e do basquete, especificamente. “Eu dediquei minha vida, dei minha juventude ao esporte. É triste ver a que ponto isso chegou, com o basquete, inclusive, fora dos Jasc”, lamentou.

 

Marco Santiago/ND
Marco Santiago/ND
Eduardo Gomes: "Grandes atletas saíram dos Jogos Abertos" 


A menos de três anos para a Olimpíada de 2016, no Rio de Janeiro, Marli esperava ver um cenário diferente. “As autoridades deveriam aproveitar este momento e massificar o esporte. O esporte pode ser um grande instrumento de educação, faz bem para a saúde, é bom para tudo e tinha que ser mais incentivado”, afirmou a professora, que trazia consigo o livro “Ensinar esporte, ensinado a viver”, do escritor João Batista Freire.

Treinador que usar Jasc como trampolim para Olimpíada

Atleta do remo e treinador da modalidade, Eduardo Gomes de Azevedo Filho não chegou a ganhar nenhum título nos Jogos Abertos. Mas ficou no quase. Em seu primeiro Jasc, em 1992, em Chapecó, liderava a regata até mais da metade da prova, no 2x100, mas bateu em um barranco e acabou desclassificado.

Funcionário do Besc, na época, Eduardo teve que abrir mão de muitas competições por conta do trabalho. Mas aposentado, hoje, dedica-se exclusivamente ao esporte e vê os Jogos Abertos como uma grande vitrine. “Grandes atletas saíram dos Jogos Abertos. O Jasc é uma miniolimpíada e deveriam ser mais valorizados. Este ano, infelizmente, não vou conseguir levar nenhuma equipe para Blumenau. Mas temos um trabalho de base bom em andamento e na próxima edição teremos uma equipe forte. O foco é a Olimpíada e os Jogos Abertos podem ser o primeiro passo”, afirmou.

Miniolimpíada catarinense

O Jasc foi fundado em 1960 por Arthur Schlösser. O atleta de Brusque se inspirou nos Jogos Abertos do Interior, realizados anualmente no estado de São Paulo e trouxe o modelo para Santa Catarina.

Ao todo, cerca de 25 modalidades são disputadas durante um período normalmente de dez dias. A cidade de Blumenau é maior campeã dos Jasc, com 39 títulos. Atual tetracampeã da competição, Florianópolis vem logo atrás com oito e Joinville aparece depois com quatro.

Apesar das dificuldades, os Jogos Abertos só deixaram de ser realizados em dois anos, em 1983 e 2008, por conta das enchentes.

Presente em mais de 30 edições, jornalista acompanhou retrocesso do Jasc

O jornalista Mário Medalha acompanhou de perto todo o retrocesso dos Jogos Abertos. Cobriu mais de 30 edições dos Jasc, entre jornal O Estado, Jornal de Santa Catarina, assessor da Fesporte e freelas. A primeira vez foi em 1971, em Rio do Sul.

 

Marco Santiago/ND
Marco Santiago/ND
Mário Medalha: "Era um outro tempo, uma época mais romântica"


“Na época, no O Estado eu fazia de tudo, escrevia as matérias, editava o esporte e me mandaram cobrir os Jogos Abertos em Rio do Sul. Era tudo muito novo pra mim também e lembro que a primeira sensação que tive foi a de estar numa Olimpíada. Era um outro tempo, uma época mais romântica. Depois, à medida que a coisa foi se profissionalizando, foi perdendo essa coisa mais mágica”, afirmou.

Para o jornalista, o grande problema dos Jogos Abertos é a falta de política efetiva para o esporte. “Para organizar um evento desse porte, precisa-se de planejamento. E com essas mudanças que têm na Fesporte a cada governo é complicado. O grande erro do ano passado foi fazer os Jogos em Caçador, uma cidade que não tinha estrutura nenhuma para ser sede. Este ano, em Blumenau, que é uma cidade que tem o DNA do esporte, os Jasc deve melhorar”, avaliou.

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