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Terça-Feira, 13 de Novembro de 2018
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O clássico entre Avaí e Figueirense na memória

Torcedores recordam dos jogos em que adversários entravam e saíam juntos dos estádios

Paulo Clóvis Schmitz
Florianópolis

O frio da sexta-feira manteve as camisas de Avaí e Figueirense nas gavetas, surpreendendo quem esperava um mar de azul, branco e preto nas ruas de Florianópolis. Ainda assim, na antevéspera do clássico pelo Campeonato Brasileiro, não faltou quem relembrasse de tempos áureos do futebol da Capital, de raras participações em competições nacionais, mas com muitos “pratas da casa” em campo e as torcidas entrando e saindo juntas do estádio Adolpho Konder, localizado na esquina onde hoje fica o Beiramar Shopping. Se os anos eram de amadorismo na gestão, sobrava talento nos gramados e a rivalidade se restringia a gozações dos adversários a cada derrota, sempre na expectativa de revanche no próximo confronto.

Flávio Tin/ND
Antônio Fernando e José Cúrcio, alvinegro e avaiano convivem em paz

“Eu pegava o ônibus da Agronômica e via os atletas indo para o estádio com as chuteiras penduradas nas costas, junto com a torcida”, conta Carlos Alberto da Silva, o Paru, 60 anos, alvinegro que tem um arsenal de argumentos favoráveis ao seu clube nas estatísticas dos clássicos. “Quando os times entravam em campo, as pessoas estavam tão próximas que puxavam a camisa dos jogadores no alambrado. No final, os torcedores saíam abraçados e iam para o bar do Agapito e outros botecos da redondeza. Não havia o quebra-pau de hoje e nem as torcidas organizadas, que afastaram muita gente das arquibancadas”.

No Bar do Alvim da rua João Pinto, onde chegou paramentado com o agasalho completo do Figueirense, o bancário aposentado Antonio Fernando, 67, conhecido como Botafogo, discutiu com o avaiano e amigo de infância José Cúrcio, o Tio Zeca, 81, sobre a polêmica da doação do terreno do Adolpho Konder, chamado de Campo da Liga e depois de Pasto do Bode, ao Avaí, nos anos 70, pelo governo do Estado. Também Carlos Alberto da Silva, dono da Toca do Paru, em Itaguaçu, bateu nessa tecla, e teve a oposição de Olavo de Melo, 65, técnico de segurança do trabalho aposentado que preferiu falar dos craques do passado e das dificuldades dos times da Capital quando saíam para jogar fora, enfrentando a hostilidade das torcidas em Joinville, Chapecó, Lages e Blumenau.

Mais craques, mais torcida

A distância temporal favorece a nostalgia de épocas mais tranquilas e de atletas que, para os fãs, poderiam atuar hoje em qualquer clube do Brasil. Nessa constelação entram Pinga, Jaíco, Moenda, Tião Marino, Binha, Casagrande, Caco, Acácio, Adailton, Sabará, Toninho, Zenon e Balduíno. “Adailton jogou no São Paulo e o lateral direito Pinga, que nunca foi expulso, poderia jogar uma Copa do Mundo”, diz Olavo de Melo. “Muitos desses atletas morreram na miséria”, emenda Paru, como a condenar os salários astronômicos de muitos jogadores medianos nestes tempos de escândalos na Fifa e na CBF.

Nos relatos, emergem histórias como a expulsão dos 22 jogadores num clássico apitado pelo juiz Gilberto Nahas e as partidas com lotação total, contra os times cariocas, que sempre tiveram grande torcida em Florianópolis, em que quem levantasse não encontraria mais lugar para sentar. Hoje, bons jogos não atraem mais que sete ou oito mil pessoas. “Estou há dez anos sem ir a estádio por causa das encrencas”, diz Antonio Fernando, aposentado desde 2003.

Entre os mais jovens, o vínculo com o clube do coração nem sempre é muito profundo. O auxiliar de marceneiro Cesar Augusto, 36, é sócio do Avaí e não perde um jogo, mas diz que sua mãe é muito mais fanática do que ele. Cesar mora ao lado da Ressacada e já foi gandula do Avaí, mas não costuma acompanhar as torcidas organizadas em jogos fora da cidade. Ele aposta numa vitória azurra por 2 a 0 neste domingo.

Para Kely Amorim, promotora de eventos, o amor pelo clube pode ser exercido vendo os jogos pela televisão. Mesmo assim, brinca que já pediu ao marido que, quando morrer, quer a bandeira, a tolha, duas camisas e a jaqueta do Figueirense sobre o caixão. Ela acredita numa vitória alvinegra por 3 a 1 no clássico deste fim de semana.

 

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