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Neymar vive segundo revés em Copa e vê melhor do mundo distante

Na próxima Copa, em 2022, camisa 10 do Brasil terá 30 anos de idade

Folha de São Paulo
Kazan, Rússia
06/07/2018 às 17H48

Neymar não conseguiu ser o protagonista que se esperava nesta Copa do Mundo, a segunda de sua carreira. O jogador, que saiu do Barcelona para o PSG pelo sonho de ser o melhor jogador do mundo, deixa a Rússia após o Brasil cair ainda nas quartas de final.

Neymar se ajoelha no gramado - Luis Acosta / AFP
Neymar se ajoelha no gramado - Luis Acosta / AFP


Em sua segunda eliminação de um Mundial, o atacante volta para casa com dois gols marcados, 23 faltas sofridas e uma assistência. Ele não foi nenhuma vez escolhido para ser capitão e colecionou polêmicas ao longo dos 25 dias em solo russo. Criticado, se irritou com a imprensa e usou as redes sociais para responder.

No Mundial passado, quando também era a esperança da conquista do hexacampeonato, Neymar se machucou nas quartas de final contra a Colômbia e não jogou na derrota por 7 a 1 contra a Alemanha, na semi. A Copa do Qatar, em 2022, terá o camisa 10 do Brasil mais velho, com 30 anos de idade.

Neymar passou os três meses antes do Mundial em recuperação de uma lesão no pé direito que o obrigou a realizar procedimento cirúrgico no quinto metatarso, após se machucar em confronto entre PSG e Olympique Marselha. A CBF concentrou atenções no seu atacante. O médico da confederação, Rodrigo Lasmar, esteve à frente do tratamento do jogador e colaborou no seu processo de recuperação.

Na operação, Neymar teve um parafuso colocado no pé, que serviu para aproximar os fragmentos do osso separados pela fissura para facilitar a cicatrização. Desde então, a comissão técnica dizia que o trabalho que seria feito era ter o craque bem nas oitavas de final. Depois de 98 dias fora, o jogador voltou a atuar na véspera da Copa, em amistosos contra Croácia (vitória por 2 a 0) e Áustria (triunfo por 3 a 0). Marcou gol nos dois jogos e animou Tite.

Na Rússia, contudo, penou diante da Suíça na estreia, quando sofreu 10 faltas - um recorde de infrações em um mesmo atleta em uma única partida de Copa desde 1998 -e deixou o estádio mancando. Reclamou das pancadas e levou alguns dias para se recuperar.

Também foi mal na segunda partida, diante da Costa Rica. Recebeu cartão amarelo por reclamação, e ainda ficou marcado por ter simulado um pênalti. O árbitro do duelo chegou a marcar, mas logo depois anulou, com auxílio do VAR (árbitro de vídeo). Mesmo com desempenho abaixo do esperado, conseguiu marcar seu primeiro gol da Copa, o segundo da vitória por 2 a 0.

Contra a Sérvia, melhorou e finalizou sete vezes a gol, mais do que nos outros jogos, quando somou seis chutes. Deu a assistência para o gol de Thiago Silva, em cobrança de escanteio, mas não brilhou.

Queixas e simulações marcaram as atuações do atacante. Foi criticado por ex-jogadores estrangeiros, que reclamaram que o brasileiro tentava enganar árbitros e prejudicar rivais. "É absolutamente patético. Ninguém duvida das suas habilidades, é um jogador magnífico. Ainda assim, é realmente patético quando começa a rolar como se estivesse em agonia. Por que ele acha que precisa fazer isso?", questionou o britânico Alan Shearer. Veículos de imprensa estrangeiros atacaram o brasileiro. O periódico USA Today afirmou que "Neymar é um constrangimento ao futebol".

Contra o México, o jogador fez sua melhor exibição, como os médicos previam, e foi eleito o melhor em campo ao fazer o primeiro e participar do segundo gol do Brasil. Mas não repetiu o feito diante da Bélgica.

E se não convenceu pelo futebol, o craque virou assunto em quase todos os jogos do Mundial, por motivos diferentes. Além da simulação do pênalti, ele descoloriu o cabelo, reclamou muito com os árbitros e caiu muitas vezes durante as partidas, provocando reclamações de adversários.

Sem brilhar, o atacante Neymar entrou em rota de colisão com a imprensa durante o Mundial. O estopim foram as críticas, após os dois primeiros jogos, que levaram até o pai do jogador a tentar colocar panos quentes. 

A eliminação, agora, o deixa distante do troféu de melhor jogador do mundo em 2018. Seus principais concorrentes, Cristiano Ronaldo e Messi, caíram nas oitavas de final. 

O português marcou quatro gols, mas perdeu pênalti decisivo diante do Irã e esteve apagado contra Uruguai. O argentino, por sua vez, balançou as redes só uma vez e não resolveu na queda diante da França.

Por outro lado, Ronaldo conquistou a Liga dos Campeões como protagonista, enquanto Messi levou o Campeonato Espanhol com sobras.

Neymar foi campeão francês, mas sem jogar nos dois meses finais por conta da lesão. E, agora, volta a Paris, onde decide se continua no PSG ou se transfere para o Real Madrid.

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