Publicidade
Segunda-Feira, 19 de Novembro de 2018
Descrição do tempo
  • 24º C
  • 18º C

"Milagre", descreve socorrista que atendeu torcedor do Figueira que caiu na Ressacada

Sargento do Corpo de Bombeiros conta detalhes e celebra o sucesso do atendimento do próprio vizinho no acidente que repercutiu em todo o País

Diogo de Souza
Florianópolis
02/09/2018 às 21H46
Douglas Cirimbelli encontra bombeiro e vizinho: história inacreditável - Marco Santiago/ND
Douglas Cirimbelli encontra bombeiro e vizinho: história inacreditável - Marco Santiago/ND


“Tu és um milagre de Deus, pode comemorar o dia 1º de setembro como teu aniversário”, lançou, como uma espécie de benção, o sargento Paulo César Aguieiras, lotado no 1º Batalhão do Corpo de Bombeiros. O oficial foi a primeira pessoa a socorrer Douglas Cirimbelli, 26 anos, torcedor do Figueirense que caiu de uma altura de aproximadamente cinco metros de altura, no setor destinado à torcida visitante do estádio da Ressacada, no clássico deste sábado (1).

Há quem acredite e defenda um ser onipresente e responsável por roteirizar a vida de cada ser humano. Os acontecimentos registrados desde os 20 minutos do primeiro tempo no jogo entre Avaí e Figueirense, válido pela 24ª rodada da Série B, ajudam a entender essa crença.

“Eu estava a uns cinco ou dez metros do local onde o Douglas caiu, ele não apresentou nenhum tipo de reação. Nosso medo inicial era de traumatismo craniano já que ele apresentava todos os sinais para isso”, contou o sargento. “Eu vi a pancada e eu posso dizer: você nasceu de novo”, assegurou o bombeiro, apontando o dedo indicador à Douglas que estava com o braço enfaixado, o nariz arranhado e os olhos marejados.

Esse coincidente encontro aconteceu na residência do torcedor alvinegro. Morador de um condomínio no bairro Serraria, em São José, Douglas na companhia da esposa, filho, cunhada e sogra, discorria sobre suas lembranças das últimas horas, quando foi interrompido pela campainha de casa: era o sargento Aguieiras, vestido com a camiseta do Figueirense e identificado como vizinho de Douglas. “Jamais passou pela minha cabeça que éramos vizinhos, eu cheguei em casa agora e o porteiro me revelou. Eu nem acredito que eu estou na casa dele e olhando para a mesma pessoa que atendi naquela circunstância”, confessou.

Momento em que o sargento Aguieiras atende Douglas, ainda no gramado - Marco Santiago/ND
Momento em que o sargento Aguieiras atende Douglas, ainda no gramado - Marco Santiago/ND


Questionado, Douglas revelou que não lembra de nada após a queda. Suas últimas recordações residem em um churrasco no Sul da Ilha, antes do jogo, o pênalti e o gol de João Paulo, com 1’. Só. Depois disso, só recorda dos médicos e seus pais, já na manhã deste domingo.

“Eu lembro de perguntar onde estava, encontrar meu pai e minha mãe e chorarmos um pouco, juntos. Depois, fiquei mais feliz por que soube que o Figueira ganhou o clássico. Ainda bem, né?!”, se deu ao luxo de brincar o auxiliar administrativo e “recém-nascido” Douglas.

“Se tu me ama, tu não vai mais para o estádio”

Assim como as marcas no corpo depois do incidente, o trauma psicológico de Douglas é quase inexistente diante de todo contexto. Inicialmente, garantiu que, no estádio da Ressacada, não põe mais seus pés. Por outro lado, revelou que já marcou até um churrasco para o próximo sábado, dia que completa uma semana de uma quase tragédia e, mais que isso, do próximo jogo do Figueirense em casa: recebe o CSA, às 16h30.

Existe uma pessoa, contudo, que segue meio sem palavras com tudo que aconteceu. Paulo César Miranda, o Paulinho, pai de Douglas, não conteve a emoção ao descrever os momentos de terror no desenrolar dos fatos.

“Foi a hora mais longa da minha vida, do momento que eu soube que era ele até eu conseguir informações precisas sobre o meu filho”, confessou.

Paulinho, ex-funcionário público, estava em casa com a família, olhando o jogo pela televisão. Ao ver o acidente, procurou ligar para o filho e teve que recorrer até o genro.

“Meu genro é Avaí e meu filho é Figueirense. Vi a cena do helicóptero e mandei mensagem, não obtive resposta. Liguei, chamava, chamava e ele não atendia. Foi aí que liguei para meu genro que não sabia e pediu para ligar mais tarde. Ao tentar mais uma vez, passou a cair na caixa de mensagem e foi aí que eu vi que era ele”, contou.

O pai da vítima, depois de toda angústia pela espera até o encontro e o abraço na manhã do domingo, revelou uma espécie de pedido:

“O Douglas, por mim, não vai mais para o estádio. Um dia eu falei para ele, ‘se tu me ama, não tira carteira de moto’. Ele não tirou. Vou fazer o mesmo, ‘se tu me ama, não vai mais para o estádio’”, prometeu.

Douglas Cirimbelli, torcedor do Figueirense que já está em casa - Marco Santiago/ND
Douglas Cirimbelli, torcedor do Figueirense que já está em casa - Marco Santiago/ND



Publicidade

1 Comentário

Publicidade

Escolha seu time

  • Chapecoense
  • Criciúma
  • Figueirense
  • JEC
  • Avaí
Publicidade