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Domingo, 16 de Dezembro de 2018
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Kelson Pinto, o artista do nocaute, supera drama e ensina boxe em Florianópolis

Ex-campeão, que conheceu a fama internacional, mora em Floripa, onde trabalha com jovens carentes

Daniel Silva
Florianópolis

Alexandro Albornoz/ND
Kelson e o filho Kauan, com medalhas e cinturões

As mãos castigadas do ex-pugilista Kelson Pinto, que já derrubaram muitos oponentes e o fizeram ser reconhecido nos Estados Unidos como o “Artista do Nocaute”, hoje servem para ensinar o caminho do bem para jovens carentes que têm o sonho de ser atleta. Professor de boxe do lutador de MMA Thiago Tavares, Kelson, a Fera, como também ficou conhecido, se aposentou dos ringues em 2005.

Hoje, este sergipano de 34 anos mora em Florianópolis e dedica parte do seu tempo ao projeto social Resgatando com os Punhos. “O objetivo é formar bons cidadãos, atletas e futuros campeões com apoio do governo e do setor privado. Pretendo para o futuro formar atletas olímpicos como eu fui”, afirmou.   

Antes de se profissionalizar, em 2000, Kelson disputou 98 lutas como amador, vencendo 94, 60 delas por nocaute. As únicas derrotas foram no Pan-Americano de 1999, em Winnipeg, no Canadá, quando ficou com a prata, na segunda rodada da Olimpíada de Sydney-2000, e em duas finais. “Qualquer atleta amador sonha em ir para o Pan e para os Jogos Olímpicos. A minha trajetória como amador foi de muitas vitórias, eu era respeitado no mundo”, disse Kelson, que apesar do sucesso que teve como pugilista, não enriqueceu na profissão.   

Com toda a sua experiência, o agora aposentado dos ringues viu na carreira de treinador a oportunidade de seguir fazendo o que mais gosta. A Fera veio morar na Capital este ano a convite de Thiago Tavares, para prepará-lo para a disputa do UFC Rio.

Kelson também dá aulas particulares de boxe e é técnico também do boxeador Kevin Souza. “A diferença de ser atleta é que tinha de me dedicar ao boxe dia e noite, ter disciplina. Como treinador me dedico aos meus atletas passando a minha experiência. O bom é que ainda continuo no ringue, o ruim é que não luto mais”, avaliou.

Divulgação/ND
Kelson (E) perde a primeira luta como profissional

A queda

O início de Kelson Pinto como profissional foi avassalador. Em dezembro de 2000, no México, fez a sua primeira luta, mas não deu chances a Francisco Alberto Martínez e nocauteou o adversário logo no primeiro round.

E assim foram as 20 lutas seguintes, todas com vitória, 18 delas por nocaute. O boxeador só foi conhecer a derrota como profissional em 2004, quando encarou o porto-riquenho Miguel Angel Cotto, que lutou em casa, diante da torcida, e conseguiu derrubar Kelson no sexto round.

Para se preparar para a luta, Kelson treinou nos Estados Unidos. Ele revelou que não conhecia essa experiência de cair na lona. Vaidoso, treinava para não apanhar. Mas a estratégia de bater mais do que o normal não deu certo desta vez e Kelson foi derrotado.

A perda do título mundial foi um baque para a carreira do atleta, que nunca mais se recuperou. “Estava muito confiante, estava no peso, não estou dando esculpas. O Cotto foi superior, mesmo depois de ter lutado e nocauteado ele duas vezes, mas o que não é para ser não tem como mudar”, comentou.

O drama

Depois de tantos anos se preparando para ser o melhor do mundo na sua categoria, Kelson Pinto perdeu a motivação de continuar lutando e, além dos patrocínios, foi acometido por um problema que até hoje ninguém sabe explicar.

A partir de 2004, o ex-pugilista foi perdendo a voz paulatinamente e acredita que as lutas constantes tenham sido o motivo para ter ficado afônico. “Fiz dez tomografias e não apareceu nada. A voz foi acabando aos poucos. Desconfio que seja por causa do boxe. Não tenho esperança que volte ao normal”, afirmou.

Apesar dos problemas de comunicação, Kelson leva uma vida normal. Além de treinar, seus passatempos são conversar com os amigos nas redes sociais e ficar com a família. Casado há oito anos com Daniela, o ex-pugilista apoiaria o filho Kauan, de quatro anos, se ele quiser ser boxeador no futuro. “Sou um cara muito família. Minha esposa é parceira, me ajuda muito. Amo minha família. Vou apoiar meu filho e treiná-lo com muita rigidez, como eu treino os meus atletas”, disse.

Sparring de Popó

Nascido há 34 anos em Aracaju, Kelson Pinto foi com a família ainda pequeno para a Bahia. Em Salvador, começou a treinar aos 17 anos na Academia Champions, do técnico Luiz Carlos Dórea, responsável por descobrir Acelino Freitas, o Popó.

Na época em que treinava com Popó, o aspirante a pugilista recebia R$ 100. “Aprendi muito com ele. Ele era muito bom. A minha relação com Popó era boa, treinávamos muito juntos. Sempre viajava para as defesas de título dele. Hoje nos falamos por e-mail”, declarou.

Popó, hoje deputado federal pela Bahia, lembra com carinho do tempo em que ele e Kelson treinavam juntos em Salvador, e disse que está disposto a ajudá-lo no seu projeto social, apesar de um desentendimento no passado. “Em 1999 eu estava disputando o meu primeiro título mundial e ele ganhou prata em Winnipeg. O Kelson fez sparrings comigo. Éramos amigos de academia. Tivemos o mesmo treinador, mas pelo meu rompimento com o Dórea ele deixou de falar comigo. Se ele precisar de material, eu ajudo”, prometeu Popó.

Vizinho especial

Antes de Kelson vir morar em uma academia em Coqueiros, o bancário Diego Moritz Andrade não fazia a mínima ideia de que o seu vizinho era um ex-pugilista conhecido internacionalmente. Quando soube de quem realmente se tratava, Andrade não perdeu tempo e começou a aprender boxe com a Fera.
Nos últimos cinco meses, Andrade tem tido a honra de aprender a modalidade com um dos maiores nomes do boxe brasileiro dos últimos anos. “Conheci o Kelson por acaso. Sou amigo de infância do Thiago Tavares e ele ia para o Rio de Janeiro treinar com o Kelson porque o boxe é muito fraco aqui em Florianópolis. O boxe dele é diferenciado, tem a técnica apurada. É o segredo do campeão”, comentou.

PERFIL
Mais sobre o ex-boxeador 

Nome: Kelson Carlos Santos Pinto
Nascimento: Aracaju, em 26 de novembro de 1976
Categoria: Meio-médio ligeiro (até 64 kg)
Títulos: Campeão norte-americano, sul-americano e brasileiro, medalha de prata no Pan de Winnipeg (1999)

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