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Terça-Feira, 22 de Janeiro de 2019
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Jogador japonês do São Paulo inspirou anime que popularizou clube no Japão

LANCE!NET
Divulgação

No Brasil, é muito mais fácil achar fãs do personagem Oliver Tsubasa, do desenho animado japonês Supercampeões, do que torcedores que se lembrem do meio campista Musashi Mizushima, nascido em Tóquio, que jogou por dez anos no São Paulo entre 1975 e 1985 e nunca entrou em campo. Não haveria Tsubasa, no entanto, se não houvesse Musashi.

Musachi veio ao Brasil aos 11 anos, determinado a tentar a carreira como jogador de futebol. Conseguiu entrar para o time juvenil do São Paulo, profissionalizou-se no clube, mas não chegou a jogar. No Japão, no entanto, virou ídolo do esporte e exemplo a ser seguido. O criador da série Supercampeões, Yoichi Takahashi, inspirou-se na história do ex-atleta para criar Oliver Tsubasa. Assim como Musashi, na história o garoto deixa o Japão na adolescência para tentar a sorte no Brasil, transfere-se para o São Paulo ("Brancos FC", no desenho), e mais tarde recebe a camisa 10 de Raí ("Radunga").

Supercampeões serviu para popularizar o São Paulo no Japão antes mesmo dos Mundiais de 1992 e 1993. Os títulos só aceleraram o legado de Musashi e Tsubasa. O desenho recebeu apoio da Associação Japonesa de Futebol. Tinha como objetivo promover o esporte no país, até então pouco praticado, e fez sucesso. Atletas da atualidade assumem que se inspiraram na história de Tsubasa para seguirem carreira no futebol.

O atacante Careca, que atuou com Musashi durante os anos em que o japonês esteve entre os profissionais no São Paulo (1984 e 1985), lembra-se do ex-companheiro, manteve contato até os últimos anos e tentou ajudar até a profissionalizar um dos filhos do ex-meia, sem sucesso. Não sabe explicar, no entanto, porque Musashi não teve tanta sorte no São Paulo como Tsubasa.

Nesta quarta-feira, o São Paulo enfrenta o Kashima Antlers pelo título da Copa Suruga na terra de Musashi Mizushima e Oliver Tsubasa, território construído sobre ídolos nacionais e são-paulinos.

MUSASHI MIZUSHIMA

Nascimento:10/9/1964, em Tóquio (JAP)

Carreira:São Paulo (1975 a 1985); São Bento (1986), Portuguesa (1987 a 1988); Santos (1988); Hitachi-JAP (1989 a 1990); Yokohama Flügels-JAP (conhecido antes como “All Nippon Airways” - 1991 a 1992).

No Brasil:Musashi se interessou pelo futebol no Japão, ainda quando criança. Como o esporte ainda não era popular no país na década de 70, veio ao Brasil aos 11 anos acompanhado da irmã mais velha para tentar seguir carreira, e conseguiu vaga nas categorias de base do São Paulo. Em 1984, subiu para o elenco profissional, ficou até 1985, mas não teve chances.

Careca, ao L!Net: 'Era difícil para ele competir naquele time'

L!Net: Em 1984 e 1985, você foi companheiro do meia japonês Musashi Mizushima no São Paulo. Lembra dele como jogador?Careca: Lembro, lembro... O chamávamos de “Musashi”, só. Lembro que ele ficou muito tempo no São Paulo, desde muito jovem, mas foi mais um estágio, ele não chegou a entrar em campo oficialmente. Jogava alguns amistosos, alguns como aspirante. Era um jogador habilidoso, muito rápido, aplicado taticamente como todos os japoneses. Chutava de esquerda, de direita, tinha boa velocidade. Chegou a jogar como ala-direito. No Japão, depois, jogou no Hitachi, no Yokohama.

L!Net: Ele ficou no São Paulo por dez anos, depois ainda jogou por Portuguesa, Santos. Ele era completamente adaptado ao Brasil? Falava português fluentemente?Careca: Falava, ele se virava bem. Era meio na dele, reservado, mas também era um cara que brincava, às vezes brincalhão. Quando chegou aos profissionais já tinha pegado a malandragem de um menino normal, diferente dos japoneses. Era um cara bem alegre no clube.

L!Net: Na época, Cilinho era técnico. Por que Musashi nunca teve uma chance em jogos oficiais?Careca: O time era muito bom. Os meias eram muito bons, os alas também. Era difícil para ele competir naquele time. Mas não sei dizer por que não teve chance com o Cilinho.

L!Net: No Japão, ele inspirou até a criação de um desenho animado. Tem falado com ele recentemente?Careca: Pois é, ele tem uma moral enorme lá, é parado na rua por algumas pessoas. Ele está morando em Yokohama. Nas últimas vezes que fui para lá, há três anos, cheguei a falar com ele. Tinha um filho, lateral-esquerdo, queria tentar seguir carreira, mas acabou não dando certo.

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