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Idosos desportistas vivem por mais tempo e com mais qualidade

Intensidade da atividade física tem relação direta com o aumento dos riscos e dos benefícios

Michael Gonçalves e Matheus Joffre
Florianópolis
05/03/2017 às 20H21
Sempre disposto, Agenor Gomes Ferreira, aos 81 anos, joga bola três vezes na semana - Daniel Queiroz/ND
Sempre disposto, Agenor Gomes Ferreira, aos 81 anos, joga bola três vezes na semana - Daniel Queiroz/ND



Imagine-se aos 80 anos. Será que você estará praticando esportes? Se a resposta foi não é porque o leitor não conhece o aposentado Agenor Gomes Ferreira. Os cabelos pintados de castanho escondem a idade desse gaúcho que mora em Florianópolis. Aos 81 anos, ele joga futebol três vezes por semana com colegas que têm a metade da sua idade. Para Agenor, o segredo da longevidade no esporte está na alimentação, em hábitos saudáveis e nos suplementos. O doutorando do Geti (Grupo de Estudos da Terceira Idade) da Udesc Daniel Petreça explica que idosos ativos vivem por mais tempo e com mais qualidade.

Antes de se tornar empresário, o aposentado foi atleta de futebol e árbitro. Em Santa Catarina, ele defendeu o Marcílio Dias, de Itajaí, e o Cruzeiro, de Joaçaba. “Sempre tive uma vida sem vícios e não tomei cinco engradados de cerveja durante toda a minha vida. Cigarro nem pensar. O que faz a diferença de verdade é a alimentação. São de seis a oito tipos de verduras e de legumes todos os dias, além de três a quatro frutas. Nos últimos 15 anos comecei a tomar suplementos e comecei a me sentir bem melhor”, comenta.

Os pais de Agenor viveram até os 42 anos. O pai faleceu de uma doença no pulmão, e a mãe, do coração. Ele tem um irmão mais velho, de 83 anos, mas com a saúde fragilizada. Isso levanta a questão de que a genética não é o único fator determinante para a longevidade no esporte. Para contrariar os mais pragmáticos, ele também não toma qualquer tipo de medicação.

“Vou ao médico duas vezes por ano e não tomo remédios. Não tenho pressão alta ou qualquer outra doença. Talvez seja porque parei de comer carne vermelha e produtos industrializados há 15 anos. Também não abro mão de dormir pelo menos oito horas por dia e de consumir muita água”, conta o aposentado.

A mobilidade não é mais a mesma, mas Agenor compensa com força de vontade e bom humor. “Meu objetivo é jogar bola até os 90 anos”, completa.

Gerações futuras da terceira idade serão mais fracas

O doutorando do Geti (Grupo de Estudos da Terceira Idade) da Udesc Daniel Petreça explica que a atividade física na melhor idade retarda o envelhecimento. Ele ressalta também que as futuras gerações de idosos devem ser mais fragilizadas pela redução das atividades físicas na juventude e na fase adulta.

Daniel conta que as mulheres vivem mais, normalmente, por serem mais ativas. “O incremento da intensidade da atividade física tem uma relação direta com o aumento dos riscos e dos benefícios. O ideal é que a atividade seja de moderada a vigorosa. Os jovens de hoje realizam menos atividades físicas e isso reduz altura. Assim, deveremos ter uma geração de idosos mais fraca”, observa.

O pesquisador explica que o exercício desacelera o processo de perda de fibras musculares, e a consequência é o retardo do envelhecimento. Daniel acrescenta que a partir dos 40 anos começa a redução de massa muscular e de mobilidade. Também por isso, o ideal é que toda atividade física tenha o acompanhamento de um profissional da área da saúde.

Nada de pijamas: João Gré, aos 67 anos, surfa todas as manhãs - Flávio Tin/ND
Nada de pijamas: João Gré, aos 67 anos, surfa todas as manhãs - Flávio Tin/ND


 "Mente sã, corpo são" 

O professor aposentado da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) João Gré, 67, chama a atenção entre os surfistas da Joaquina. Todas as manhãs, o gaúcho que se estabeleceu há 40 anos em Florianópolis sai de casa com sua roupa de borracha e prancha embaixo do braço para pegar onda na Joaca.

Três vezes por semana, Gré faz academia para ganhar massa muscular e “não ficar com aspecto de velho”.  “Eu causo maior frisson na praia, as pessoas vêm falar comigo, trocar uma ideia, perguntam qual o segredo para continuar surfando. Tenho amigos de infância que têm a minha idade e estão acabados, passam o dia de pijama”, contou o surfista, que praticava remo em Porto Alegre antes de se mudar para a capital catarinense.

Além da atividade física regular, o segredo do surfista para manter-se ativo perto de completar 70 anos é a boa alimentação, o repouso e não exagerar em nada. “Eu tenho uma vida regrada, mas sou uma pessoa normal, tomo minha cervejinha, como de tudo, mas sempre sem exagero. O cigarro dei uma diminuída, até porque senão também não teria vigor para aguentar cair no mar todo dia”, revelou o aposentado, que mora no Beco dos Surfistas desde 1982. “É claro que o modo de vida aqui também ajuda: mente sã, corpo são”, reconhece.

 

 

 

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