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Sábado, 22 de Setembro de 2018
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Sem recursos, ginástica rítmica da Capital pode ficar de fora do Brasileiro

"A gente faz o que pode. Sobrevive de rifa, de ação social ou da boa vontade de um ou de outro", diz a técnica Maria Helena Kraeski

Matheus Joffre
Florianópolis

Bolas, arcos e fitas começam a voar pelos ares do ginásio do Instituto, em Florianópolis, assim que a técnica Maria Helena Kraeski aperta o play e inicia o samba da nova série. Com um sorriso no rosto e desenvoltura encantadora, as meninas da ginástica rítmica repetem os movimentos várias vezes em busca da perfeição. Mas sem recursos suficientes às vésperas do Campeonato Brasileiro da modalidade, a equipe da Capital ainda não sabe se terá condições de participar da competição.

Marco Santiago/ND
Marco Santiago/ND
Maria Helena: "O dinheiro da prefeitura é gasto basicamente na nossa manutenção"


Com o corte no repasse da verba municipal, em setembro do ano passado, a Adiee acumulou várias dívidas nos últimos meses e só renovou o convênio com a prefeitura no início deste mês. No entanto, os R$ 10 mil mensais disponibilizados mal cobrem a manutenção da equipe, dos aparelhos e da infraestrutura. “O dinheiro da prefeitura é gasto basicamente na nossa manutenção. Apenas em uma viagem, gastamos cerca de R$ 15 mil, dependendo do tamanho da delegação”, explicou Maria Helena.

Dispostos a ajudar, atletas, pais e amigos lançaram uma campanha no Facebook para auxiliar a financiar a viagem. “A ideia partiu da mãe de uma atleta. A gente faz o que pode. Sobrevive de rifa, de uma ação social ou da boa vontade de um ou de outro. Já arrecadamos quase R$ 2 mil. Não é muito, mas já dá para ajudar na alimentação das meninas”, contou a treinadora.

 

Marco Santiago/ND
Marco Santiago/ND
Letícia Karolina Dutra: "Fazemos o nosso melhor, mas o esporte é pouco valorizado”


A equipe juvenil embarca nesta quarta-feira para Vitória, no Espírito Santo. Já na próxima semana, são as meninas do adulto que competem na capital capixaba. E, na metade de agosto, é a vez do infantil disputar o Brasileiro da categoria em Aracaju, em Sergipe. “É um pouco frustrante treinar tanto para chegar na hora e não saber se poderemos ir. Será uma pena se todo nosso esforço for em vão”, lamentou Sanara Schusler, 15, campeã estadual no individual geral juvenil.

Ex-atleta da seleção brasileira tenta ajudar a conseguir recursos

Os olhos de Letícia Karolina Dutra, 20, brilham quando ela fala da ginástica rítmica. Sobrinha da técnica Maria Helena, a atleta, que já fez parte da seleção brasileira, é uma das principais responsáveis pela mobilização para a arrecadação de recursos para financiar as viagens da equipe da Adiee/Florianópolis.

Letícia começou no esporte com apenas oito anos e conquistou cerca 115 medalhas nos quase doze anos de carreira. “É triste ver que não há um reconhecimento. A ginástica rítmica é tudo para mim, é minha vida. A gente vive representando Florianópolis e o Brasil, fazemos o nosso melhor nas competições, nos doamos nos treinos, mas, infelizmente, nosso esporte é pouco valorizado”, desabafou.

Campeã estadual, em Criciúma, no individual adulto, na semana passada, a ginasta tem se esforçado para ajudar a equipe a bancar as viagens. “Eu chego em casa, depois do treino e não consigo parar de pensar nisso. É ruim, além de treinar, ter que ficar se preocupando com essa questão financeira. Mas, tenho certeza, que irão nos ajudar e que vamos conseguir representar bem Florianópolis, mais uma vez”, afirmou.

Equipe é referência no Brasil

Apesar da falta de estrutura, a Adiee/Florianópolis é uma das equipes mais tradicionais do país. Celeiro de atletas de ponta como Luísa Matsuo e Bianca Mendonça, que conquistaram o quinto lugar com a seleção brasileira na Universíade de Kazan, na Rússia, na semana passada, a equipe é referência no país.

Três vezes medalha de ouro no Pan-Americano de Guadalajara, em 2011, e outras três no Pan do Rio de Janeiro, em 2007, Luísa serve como inspiração para as jovens atletas que estão em início de carreira. “A Luísa é um exemplo para todas nós. A própria seleção brasileira também sofre com a falta de recursos, mas é um sonho. Desde o primeiro dia em que entrei no ginásio e vi a fita voando para o alto, eu soube que era isso que eu queria fazer”, contou a ginasta Sanara Schusler.

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