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Domingo, 17 de Fevereiro de 2019
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Fla-Flu à inglesa! LANCE! mostra laços do clássico com a Inglaterra

Conheça Seth Burkett, bisneto de técnico do Fluminense na época do primeiro dérbi. Ele se profissionalizou no Brasil 100 anos depois de o bisavô ter deixado marca no país

LANCE!NET

Assim como muitos capítulos da história do futebol brasileiro, o início do Fla-Flu também teve influência inglesa. O clássico, que tem nesse domingo seu jogo de número 402 (segundo contas do Tricolor; para o Rubro-Negro são 389), começou com o protagonismo de um certo Charles Williams, técnico do Fluminense quando nove titulares do time decidiram abandonar o clube e fundar o futebol do Flamengo. O LANCE! localizou um dos descendentes de Williams e descobriu que o jovem Seth Burkett, hoje jogador de futsal na Inglaterra, também tem raízes no Brasil: chegou a se profissionalizar no futebol de campo brasileiro.

Isso mesmo, Burkett jogou uma partida como profissional do Sorriso Esporte Clube, do Mato Grosso após passar um ano nas divisões do time entre 2009 e 2010. Apesar de não ter sido aproveitado pelo clube brasileiro, a experiência rendeu muito ao inglês, que escreveu um livro sobre a experiência de jogar futebol no Brasil. Mas ele não sabia que sua ligação com o futebol brasileiro era muito maior do que imaginava:

- Não tinha ideia que meu bisavô havia feito parte da história de um dos maiores clássicos do Brasil. Isso me encheu de orgulho, especialmente porque Charles sempre foi tido como uma espécie de ovelha negra na família. Tínhamos poucas informações sobre ele e isso nos ajudou a entender um pouco mais de sua vida.

Quando soube que Charles havia participado de um momento histórico do futebol brasileiro, Seth Burkett se inspirou a tentar uma carreira no esporte. Mesmo não dando certo como jogador de campo, ele trabalha na Nike da Inglaterra, além do futsal, e seu livro segue ganhando prêmios locais.

- Muito do que sei sobre Charles foi esclarecido à nossa família por um artigo do Arsenal, clube pelo qual ele jogou. Sei que nossa família era muito pobre e, como ele ganhava bem, havia um sentimento de raiva pois ele não dividia seu ordenado, nem mandava dinheiro para casa - comentou.

Seth é entrevistado por equipe de TV no Mato Grosso durante passagem pelo Sorriso (FOTO: Arquivo Pessoal)


O rompimento entre Williams e a família se deu, no entanto, por conta de uma mulher brasileira:

- Quando ele trouxe para a Inglaterra sua esposa brasileira foi o ponto final na relação de Charles com a família. Não havia preconceito por ela ser brasileira, mas sim porque ele já havia se casado e, na época, era impensável a questão do divórcio.

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CARREIRA DE CHARLES WILLIAMS

Entrou para a história mundial
Antes de entrar para os livros de história como um dos personagens centrais do início do Fla-Flu, Williams já havia colocado seu nome no folclore futebolístico: foi o primeiro goleiro a marcar um gol em todo o esporte.

Grandes clubes no currículo
Como jogador, Charles teve passagens marcantes por Arsenal e Manchester City, hoje grandes clubes do futebol inglês.

Técnico de nível mundial
Antes de chegar ao futebol brasileiro, Williams foi medalha de prata sendo treinador da Dinamarca, nas Olimpíadas de 1908, perdendo apenas para a poderosa Grã-Bretanha.

Depois do Fluminense
Curiosamente, Charles também treinou o Flamengo em seu tempo no Brasil. Ele deixou o Fluminense, passou por América e pelo Fla antes de encerrar a carreira.

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Capa do premiado livro de Seth Burkett sobre sua experiência no Brasil (FOTO: Reprodução)


BATE-BOLA COM SETH BURKETT

L!: Seth, o que você faz atualmente?
SB: Trabalho com marketing na Nike, e também jogo futsal pelo Loughborough (terceiro lugar no Inglês).

L!: Como você acabou no Sorriso, do Mato Grosso?
SB: Meu time da época, o Stamford, fez um tour pelo Brasil. Mas eu era muito velho para jogar no torneio e acabei treinando no Vitória (BA) um tempo. Joguei um amistoso lá e olheiros do Sorriso me chamaram para jogar lá.

L!: Por que não permaneceu lá depois de se profissionalizar?
SB: Houve alguns problemas com meu visto de trabalho e, como faltava pouco para meu contrato acabar, resolvi voltar para a Inglaterra.

L!: Você já sabia que seu bisavô tinha essa ligação com o Brasil quando foi para o Sorriso?
SB: Não sabíamos de nada, só que ele havia ido para o Brasil. Minha avó sempre disse que ele havia jogado pelo Arsenal, mas não acreditávamos nela (risos). Foi um choque.

L!: E o seu livro, como se deu a inspiração de escrevê-lo?
SB: Todo mundo ama o futebol brasileiro na Inglaterra e, quando voltei, as perguntas não paravam. Resolvi escrever porque tive uma experiência fantástica no Brasil e adoraria ter voltado para lá. 

L!: Uma última pergunta: Flamengo ou Fluminense no domingo?
SB: Acho que vou de Fluminense, o clube que fez meu bisavô se apaixonar pelo Brasil e pelo futebol brasileiro.

 

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