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Terça-Feira, 25 de Setembro de 2018
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Título mundial de Adriano de Souza entusiasma comunidade do surfe em Florianópolis

“Eu, que acompanho o surfe desde 1978, vi 2015 como uma quebra de paradigma”, disse dono de loja de pranchas no Rio Tavares

Rafael Thomé
Florianópolis

O atual campeão mundial Adriano de Souza percorreu um longo caminho desde a infância quando pegava onda no Guarujá, litoral paulista. Foram 10 anos de surfe profissional até a conquista dessa quinta-feira em Pipeline, superando grandes nomes do esporte como Kelly Slater e Mick Fanning.

Eduardo Valente/ND
“Para nós do surfe, foi uma final de Copa do Mundo", disse Cenoura


Para aperfeiçoar o surfe, Mineirinho se mudou há alguns anos para Florianópolis, onde fez uma legião de fãs. Um pouco por isso, um pouco mais pelo fato de a Ilha ser a “cidade do surfe” no país, apaixonados pelo esporte assistiram à decisão do campeonato mundial (World Surf League) com a ansiedade de quem torce pela seleção brasileira de futebol.

“Para nós do surfe, foi uma final de Copa do Mundo”, contou João Carlos “Cenoura”, gerente de uma loja de pranchas no Rio Tavares.

Perto dali, no Campeche, o servidor público Athos Faria, de 47 anos, surfista há 40 anos, havia reunido os filhos e alguns amigos para torcer pelos brasileiros. No fim da tarde de quinta-feira não deu outra: comemoração por um título mais do que merecido.

“As coisas conspiraram a favor do Adriano de uma maneira... Foi sensacional. Ele é um cara raçudo, muito esforçado, inteligente, que sabe competir e evoluiu muito nos últimos anos. É um exemplo para o Brasil, uma coisa pura e genuína”, afirmou Faria.

Mas não foi apenas Mineirinho quem deu alegrias aos brasileiros em 2015. Neste ano, além do segundo título mundial, o país consagrou seu primeiro Pipemaster (Adriano de Souza)– campeão da tradicional etapa de surfe no Havaí –, levou prêmio de “novato do ano” (Ítalo Ferreira), faturou a primeira Tríplice Coroa Havaiana (Gabriel Medina) – melhor surfista em três campeonatos disputados na ilha norte-americana – e classificou 10 atletas para o circuito no ano que vem, além do título mundial de Stand Up Paddle (Caio Vaz).

Uma temporada como essa pegou os gringos “na curva”, mesmo que eles já estivessem avisados da “Brazilian Storm”.

“Eu, que acompanho o surfe desde 1978, vi 2015 como uma quebra de paradigma”, afirmou Cenoura.

Para o surfista e gerente de vendas, australianos, americanos e europeus estão assustados com a invasão brasileira. “A galera que se prepare. Veio esse boom e eles vão sentir ainda mais. Os gringos ficaram mordidos”, comentou.


Carinho das lendas

Quando começou a temporada, ninguém apostava que Adriano de Souza seria o campeão mundial de 2015, nem mesmo quando ele venceu a etapa de Margaret River (Austrália) em condições épicas.

Para muitos especialistas e fãs do esporte, o brasileiro não tem o surfe mais vistoso do tour, teoria que se refletiu nas redes sociais depois da decisão de quinta-feira, principalmente entre os australianos.

Em entrevista logo após o título, o próprio Mineiro reconheceu que outros surfistas têm estilos mais bonitos, mas esqueceu de mencionar que ninguém é páreo para sua competitividade.

“É o cara que melhor compete no circuito. Tem um ou outro detalhe que poderia melhorar, mas ele ‘quebra’. O título é incontestável”, disse Faria.

Se no Brasil ninguém duvida do merecimento, entre os rivais de circuito mundial não é diferente. Pouco depois da decisão, o maior campeão da história, com 11 títulos, exaltou o “trabalho duro” de Mineiro.

“Não existe substituto para trabalho duro e vontade. Não há ninguém mais apaixonado ou aplicado ou disposto a viajar quilômetros e semanas a mais no caminho para a vitória. Parabéns pela realização de um objetivo de vida hoje, meu amigo”, escreveu Kelly Slater em sua página do Facebook.

Rival direto na luta pelo campeonato e, para muitos, merecedor do título por tudo o que passou no ano – ataque de tubarão e falecimento do irmão na véspera da decisão do título –, o australiano Mick Fanning postou uma foto sua abraçando Adriano de Souza e disse estar orgulhoso do amigo.

“Sim, Adriano de Souza! Eu estou muito orgulhoso de você, parceiro. Não importa de onde você vem... Trabalho duro e coração prevalecem. Muito obrigado pela amizade. Te amo, irmão”, escreveu o surfista.

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