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Sexta-Feira, 21 de Setembro de 2018
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Ex-remador filho de primeiro catarinense a ir para a Olimpíada irá conduzir tocha em Florianópolis

Décio Filho vai homenagear seu pai, o ex-remador Décio Klettenberg Couto, que participou dos Jogos de Berlim 1936

Matheus Joffre
Florianópolis

O dia 10 de julho será especial para Décio Couto Filho, 81. Filho do primeiro catarinense a disputar uma Olimpíada, em Berlim 1936, o ex-remador irá participar do revezamento da tocha em Florianópolis e homenageará seu pai, Décio Klettenberg Couto, também ex-atleta do remo e que morreu em 1984. Serão 200 metros de emoção, boas lembranças e, principalmente, de resgate de uma história pouco conhecida pelas novas gerações e que quase não aconteceu.

Marco Santiago/ND
Aos 81 anos, Décio Couto Filho irá carregar a tocha olímpica em Florianópolis no dia 10 de julho

 

Campeã brasileira no quatro com timoneiro em Salvador, na Bahia, em 1936, a guarnição do Clube Náutico Riachuelo ganhou o direito de representar o Brasil nos Jogos Olímpicos, na Alemanha, naquele ano. Mas ao chegar em solo alemão, a embarcação catarinense foi surpreendida pelos cariocas, que haviam rompido com a CBD (Confederação Brasileira de Desportos) – órgão responsável por todas as modalidades olímpicas brasileiras na época – e também pleiteavam a vaga.

As duas guarnições tiveram que disputar uma seletiva para ver quem representaria o país no quatro com timoneiro, mas o barco catarinense, doado pelo então governador de Santa Catarina, Nereu Ramos, só chegou na véspera da prova e, sem tempo hábil para treinar, os catarinenses acabaram eliminados. Mas por ironia do destino, o timoneiro da guarnição carioca sofreu um acidente de bicicleta dias antes da estreia olímpica e Décio Couto foi chamado para substitui-lo no comando da embarcação.

Estas e outras lembranças do Clube Náutico Riachuelo, que completou 101 anos em junho, estão eternizadas em um painel com fotos e recortes de jornais da época, feito por Décio Couto Filho, e em uma cápsula do tempo com documentos históricos, que só será aberta em 2065. “As pessoas não conhecem esta história. Está completando 80 anos da Olimpíada de Berlim e coincidiu com os Jogos do Rio. Será muito emocionante participar do revezamento da tocha e lembrar do feito do meu pai, que me ensinou a ser uma pessoa íntegra, honesta e de quem herdei a paixão pelo remo”, afirmou.

Revistas com propaganda nazista foram queimadas na Segunda Guerra

Desde pequeno, Décio Couto Filho sempre acompanhou o pai nas regatas, que, antes do aterro da baía sul na década de 70, reunia multidões no trapiche do Terminal Rita Maria e no cais do Miramar. Ele até tentou seguir os passos de seu progenitor. Remou de 1952 a 1956, também como timoneiro, disputou provas em Florianópolis, Joinville e Porto Alegre, mas como o próprio costuma dizer nunca foi um atleta de ponta.

Na Olimpíada de Berlim 1936, Décio Couto tinha apenas um ano, mas lembra bem das revistas alemãs que o pai teve que queimar durante a Segunda Guerra, por conta das propagandas do governo nazista. “A gente morava ao lado do Exército. Todas as páginas tinham propaganda do Hitler e, com medo de ser considerado simpatizante do nazismo, meu pai queimou tudo. Só sobraram duas revistas que não tinham propaganda nazista”, revelou.

Em 1952, seu pai foi vice-campeão sul-americano com uma guarnição mista de remadores do Riachuelo, do Martinelli e do Aldo Luz, em Porto Alegre, – perdeu para a Argentina – e depois abandonou o esporte. “Ele remou até os 50 anos. Depois disso o esporte começou a decair e o aterro prejudicou muito também. Mas ele marcou época, foi um grande remador e tenho muito orgulho disso”, ressaltou.

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