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Quarta-Feira, 14 de Novembro de 2018
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Drama familiar dentro do futebol moldou promessa do Corinthians

Serginho, meio-campista do time sub-17, nasceu em 2000, alguns anos depois de seu primo ser vítima fatal da violência entre as torcidas de Corinthians e Palmeiras. A memória ficou

LANCE!
São Paulo (SP)

Entre 15 de dezembro de 1994 e 21 de janeiro de 2000 passaram-se mais de 1.800 dias, e a maioria deles cheia de dúvidas e sofrimento para a família Costabile Elia. Os aproximados cinco anos separam a data da morte de Paulo Sérgio Costabile Elia e o nascimento de Sergio Costabile Elia, primos que jamais se conheceram, mas que alimentaram pelo menos duas paixões em comum: o futebol e o Corinthians.

Nesta quarta-feira, às 16h, o primo nascido em 2000 estará no elenco da equipe sub-17 do Corinthians que enfrenta o Vitória pela volta das quartas de final da Copa do Brasil da categoria. Além de buscar a classificação após o empate em 0 a 0 na semana passada, na Arena Corinthians, Serginho seguirá trabalhando, entre outros motivos, para honrar a memória do primo que morreu em 1994.

- Meu primo foi um corintiano fanático. Meu pai me conta que ele ia em todos os jogos e que se ele estivesse vivo eu seria praticamente filho dele, porque ele teria muito orgulho de mim - conta Serginho, em entrevista ao LANCE!.

Paulo Sérgio, o primo de Serginho, foi vítima fatal de um dos casos de violência mais conhecidos da história do futebol brasileiro. Logo após o primeiro jogo da final do Campeonato Brasileiro entre Corinthians e Palmeiras, ele deixava o estádio do Pacaembu sentado na caçamba de uma picape ao lado de outros amigos corintianos quando foi atingido por um tiro na cabeça. O disparo foi feito no cruzamento da avenida Henrique Schaumann com a rua Artur de Azevedo, no bairro de Pinheiros. O responsável pelo tiro era um homem que se identificou como torcedor do Palmeiras e foi condenado em 2008 a 12 anos de prisão. A família da vítima carrega o sofrimento até hoje.

- Ele era bastante querido por todos, meu pai tinha uma relação próxima com ele e eu também queria ter conhecido. Isso impactou muito nossa família, porque ele morreu novo (aos 31 anos), tinha uma vida pela frente - conta Serginho, que foi moldado pelo drama familiar para amadurecer cedo.

- Violência é muito triste. Hoje em dia você tem tanta informação e tecnologia que a mente das pessoas também deveria evoluir. Sei que sempre vai existir rivalidade, mas briga e morte não deveria acontecer, porque sempre sobra para uma família, alguém que não tem nada a ver.

A trajetória - Serginho é bicampeão paulista nas categorias de base. Primeiro pelo Santos, no sub-11, e depois pelo Corinthians, no sub-13. Ele defendeu o Peixe por dois anos, mas uma fase de falta de oportunidades fez com que aceitasse uma oferta do Timão em 2013. Entre 2014 e 2015 ele foi convidado nove vezes para a base da Seleção Brasileira e traçou uma trajetória promissora no Corinthians, com três gols no Paulista sub-17 deste ano e boa projeção.

Relacionado para a partida desta quarta-feira contra o Vitória, no Barradão, Serginho se recuperou recentemente de uma lesão séria no joelho e já esteve no banco de reservas em duas partidas. Caso seja utilizado, jogará um pouco em memória de Paulo Sérgio.

- Jogo um pouco por ele, sim. Dentro do clube tem conselheiros e diretores que já me falaram dele, que lembram e associam. Se Deus quiser, lá na frente, em pouco tempo, vai ter um novo Elia brilhando no Corinthians.

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