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De preso político a dirigente da FCF por 31 anos: a trajetória de Delfim de Pádua Peixoto

Dirigente catarinense estava acompanhando a delegação da Chapecoense e está entre as vítimas fatais após queda do avião

Matheus Joffre e Mateus Vargas
Florianópolis
29/11/2016 às 22H29

Há 31 anos à frente da Federação Catarinense de Futebol, Delfim de Pádua Peixoto Filho, que também era vice-presidente da CBF desde 2015, não era unanimidade. Mas ninguém podia negar que não era um dirigente capcioso. Batalhava pelos clubes de Santa Catarina no cenário nacional, brigou pela criação da Primeira Liga, e sempre que podia acompanhava a delegação de equipes catarinenses em disputas importantes, como a que a Chapecoense teria pela frente nesta quarta-feira (29), em Medellín, na Colômbia.

O dirigente está entre os mortos do trágico acidente com o avião que transportava os jogadores da Chape rumo à cidade colombiana, onde o time disputaria o primeiro jogo da final da Copa Sul-Americana. Na lista das vítimas estão jogadores, jornalistas, comissão técnica, convidados e tripulantes. 

>> Autoridades da Colômbia encerram buscas e confirmam mortos em acidente com avião da Chape
>> O perfil dos jogadores e comissão técnica da Chape que sofreu o acidente na Colômbia

Delfim fez a foto antes do embarque no trágico voo - Reprodução Facebook/ND
Delfim fez a foto antes do embarque no trágico voo - Reprodução Facebook/ND


Natural de Itajaí, Delfim assumiu a presidência da FCF em 1985. Antes, foi deputado estadual em três legislaturas (1971-1975, 1975-1979 e 1979-1983) pelo MDB. Formado em Direito, também foi professor da Univali (Universidade do Vale do Itajaí). Era casado e pai de três filhos. Um deles, Delfim Peixoto Neto, funcionário da FCF e pivô de algumas polêmicas que envolveram a trajetória do dirigente. Delfinzinho, como é conhecido, é assessor da presidência desde 2007.

Nos últimos meses, Delfim de Pádua Peixoto Filho atraiu os holofotes não apenas por seu trabalho na FCF, mas por sua oposição ao presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, e pela possibilidade de assumir o posto mais alto da entidade. No ano passado, quando Del Nero foi afastado com suspeitas de corrupção, o dirigente catarinense, então com 74 anos, era o vice-presidente mais velho e deveria ficar com o cargo. Mas em uma manobra ardilosa, Del Nero conseguiu tornar vice seu aliado, o Coronel Nunes, do Pará, então com 77, que assumiu o comando da CBF na ocasião.

Combatente contra a ditadura militar

Antes de ser presidente da FCF, Delfim teve uma extensa carreira política e combateu a ditadura militar. Foi secretário da UCE (União Catarinense dos Estudantes), membro ativo da UNE (União Nacional dos Estudantes) e preso político em 1964 e 1965. Em 1966, aos 25 anos, se elegeu para seu primeiro mandato como vereador de Itajaí.

Em 1974, foi o candidato mais votado para o cargo de deputado estadual, com 20.089, mais de 5 mil à frente do primeiro colocado da ARENA (Aliança Renovadora Nacional) no Estado, Epitácio Bittencourt. A sua eleição pelo MDB, partido de oposição à ditadura, repetiu o sucesso nas urnas da sigla em todo o país naquele ano. Ainda que estivessem na legalidade, diversos membros da juventude do MDB participavam do clandestino PCB (Partido Comunista Brasileiro). 

Incomodado com o crescimento da oposição, o governo militar fechou o cerco sobre os opositores e iniciou uma série de operações contra os militantes pelo Brasil. Em São Paulo, houve a Operação Radar. No Sul do Brasil, as perseguições iniciaram pelo Paraná, com a Operação Marumbi. Em novembro de 1975, dezenas de militantes do PCB em Santa Catarina foram presos e torturados durante a Operação Barriga Verde.

Com carimbo de confidencial, o relatório da operação em Santa Catarina, elaborado pela 5ª Região Militar, apontou Delfim como candidato apoiado pelos comunistas da região do Vale do Itajaí. "O Comitê Municipal participou ativamente das campanhas eleitorais de 1972 e 1974 (...)". Conforme o documento, os militantes fizeram campanha para Delfim, que teria prometido defender a extinção do AI-5, eleições diretas, volta do Estado de Direito e revogação de leis de censura. 

Relatório da Operação Barriga Verde aponta Delfim como candidato dos comunistas - Arquivo Nacional/Reprodução/ND
Relatório da Operação Barriga Verde aponta Delfim como candidato dos comunistas - Arquivo Nacional/Reprodução/ND


Linha sucessória na FCF

Assim como na CBF, a sucessão na Federação Catarinense de Futebol segue o princípio do vice mais velho. A entidade, que decretou 30 dias de luto oficial e suspendeu as competições em curso no Estado, ainda não se manifestou sobre a linha sucessória, mas atualmente o vice mais velho é Rubens Angelotti, o Rubinho, de Criciúma, com 63 anos.

Rubinho foi diretor do Criciúma em várias ocasiões, desde 1995. A última delas entre 2011 e 2012, já na gestão do ex-presidente Antenor Angeloni.

No ano passado, quando Delfim se afastou da presidência da FCF por 30 dias, Ericsson Luef, vice da região de Blumenau e dono da Hemmer, assumiu o cargo temporariamente.

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