Publicidade
Domingo, 24 de Setembro de 2017
Descrição do tempo
  • 24º C
  • 19º C

De férias em Floripa, técnico da seleção feminina de basquete fala sobre vexame olímpico

Treinador foi desligado após os Jogos do Rio de Janeiro e garante que preparação oferecida pela CBB foi péssima

Diogo Maçaneiro
Florianópolis
20/02/2017 às 13H39

A história do basquete brasileiro, principalmente o feminino, se confunde com a de Antonio Carlos Barbosa, de 71 anos. Em 1976 ele assumiu a seleção brasileira pela primeira vez e 40 anos depois, após mais duas passagens, teve seu contrato encerrado após a pior campanha da história em olimpíadas, com cinco derrotas e nenhuma vitória diante da torcida. De férias em Florianópolis, Barbosa recebeu a reportagem do ND para uma entrevista exclusiva e deu o seu ponto de vista para o desempenho da equipe e a relação com a atual crise enfrentada pela CBB (Confederação Brasileira de Basketball), suspensa pela Federação Internacional da modalidade por causa de dívidas e falta de planejamento a médio e longo prazo. Ele apoia uma chapa nova para a presidência da entidade, mas garante que seu ciclo na seleção acabou e que pode ajudar como gestor.

Antônio Carlos Barbosa passou férias em Florianópolis e falou sobre a campanha da seleção feminina no Rio - Joyce Reinert
Antonio Carlos Barbosa passou férias em Florianópolis e falou sobre a campanha da seleção feminina no Rio - Joyce Reinert



Entrevista

Antonio Carlos Barbosa, ex-técnico da seleção brasileira feminina de basquete

PREPARAÇÃO PARA OS JOGOS

O ciclo olímpico não existiu. A CBB entrou numa crise financeira muito grande. Perdeu o patrocínio da Eletrobrás. Faltou uma adequação de receitas e despesas. Diminuíram-se as receitas e mantiveram-se as despesas e entrou-se numa crie financeira que não se possibilitou a fazer um ciclo olímpico.

AMISTOSOS NA BASE DO FAVOR

O basquetebol europeu faz uma programação com um ano de antecedência. Então nós fomos marcar jogos e ninguém queria jogar. Nos conseguimos três jogos contra a França porque a Adriana Santos, que era coordenadora de basquete, jogou lá e a técnica da seleção francesa foi treinadora do clube em que ela jogou. Então essa técnica, por uma deferência, arrumou esses três jogos, o que foi uma coisa de maluco. Nós jogamos três partidas em cinco dias. Imagina, numa distância São Paulo-Paris, são quase 12 horas de viagem.

ESVAZIAMENTO DE CAMPEONATOS

Eu peguei a seleção num momento de crise. Foram três passagens. Essa última eu avalio que fui bem, pode até parecer contraditório. ‘Como que você diz que foi bem se você não ganhou nenhum jogo, terminou em último em casa?’ Se você for considerar que os nossos campeonatos estão esvaziados. Vamos para a liga. Seis equipes para a liga. A liga num momento de criatividade decidiu fazer jogos dobrados. As competições internas esvaziaram. Não teve investimento o nível cai.

RIO-2016

Você deveria ter feito um ciclo olímpico para que essa ausência de competições internas fosse suprida pelas jogadoras por competições internacionais. Então, o que aconteceu? Tivemos três jogos nas mãos e perdemos os três porque o time não teve o equilíbrio emocional, referência, digamos assim, para decidir as partidas, porque não estavam acostumadas com isso.

SEM PODER DE DECISÃO

Com exceção do Japão, que foi uma porcaria de jogo, contra Austrália, Turquia, França e Bielorrússia nós lideramos o placar mais do que eles e não conseguimos ganhar o jogo. Demandou uma falta de preparação. Uma falta de ciclo olímpico.

CARLOS NUNES

Eu não acho o Carlos Nunes [atual presidente da CBB] o único culpado. Ele não trabalhava sozinho na CBB. Ele tinha um departamento financeiro, administrativo, então agora jogar a culpa nele de tudo isso é muito cômodo.  Mas a situação é muito ruim. Não sou eu quem está dizendo. A Fiba puniu. Imagina você está suspendendo uma confederação de terceiro mundo, mas que tem cinco medalhas olímpicas; tem três títulos mundiais. Não adianta jogar poeira debaixo do tapete. É uma situação vexatória. Temos que entrar numa situação de resgate.

ELEIÇÕES

Estou apoiando a chapa Transparência. Viajando, fazendo campanha. É um pessoal que pode dar um “up” no basquete. Jogadores e técnicos apoiam a gente. O Gui Peixoto [candidato a presidência da CBB] foi um jogador do Pará e veio jogar em Londrina e de lá para a seleção brasileira. Ele tem em favor dele o fato de ser um empresário extremamente bem sucedido e no momento em que a CBB está te que ser alguém com “bala na agulha”. Se precisar ele pode responder financeiramente, inclusive.

FEDERAÇÃO CATARINENSE

O que nós temos que entender é que temos um país continental muito heterogêneo. Não podemos comparar o poder financeiro da Federação Catarinense, muito bem administrada pelo Oscar Archer, que eu imagino ser uma das federações com melhor situação financeira dentro do Brasil. Em São Paulo, o novo presidente está tendo que correr para tapar o buraco que ele encontrou lá. Cada um, dentro das suas possibilidades... todos trabalham. O que falta realmente é uma intervenção maior da CBB no aspecto de ajudar e subsidiar as federações, que são as células do basquete.

PAULA E HORTÊNCIA

Como Paula e Hortência a gente não pode procurar outra porque são duas jogadoras fora da curva. Excepcionais. Eu ainda acho que duas jogadoras como elas é difícil. Nos Estados Unidos elas tem muito mais físico do que uma técnica da Paula. A Hortência aliava uma técnica com uma força incrível.

IZIANE

A Iziane só jogou essa Olimpíada porque eu era o técnico. Ela começou a seleção comigo quando tinha 21 anos. Ela já declarou que o técnico preferido dela fui eu. 

RETORNO À SELEÇÃO

Meu ciclo de seleção deu. Eu acho que agora ainda tenho muito a dar ao basquete, no departamento técnico. [Atualmente] Não existe o técnico formador. Porque o argentino que estava no Brasil, o [Rubén, da seleção masculina] Magnano, passou quatro, cinco anos e eu não vi ele acompanhar uma só seleção de base. Ele teria que ser responsável pela formação de técnicos. Se você não tem um técnico que dê orientação aos mais jovens, é difícil encontrar o seu caminho. Qualquer técnico que entrar lá hoje é um técnico sem experiência porque eu fiquei muito tempo. A verdade é que você ocupa a cadeira muito tempo e fica você muito experiente e os outros sem experiência alguma.

NOMES PARA ASSUMIR A SELEÇÃO FEMININA

Carlos Lima, assistente do Antônio Carlos Vendraminin [do Corinthians], o próprio Vendramin... o Crisitano Cedra [Auxiliar da seleção feminina], está na hora dele. Tem também o Roberto Dornelas, no Sport Recife e o Marco, técnico de Santo André

Publicidade

0 Comentários

Publicidade

Escolha seu time

  • Chapecoense
  • Criciúma
  • Figueirense
  • JEC
  • Avaí
Publicidade