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Entrevista: Guga vê o Brasil como favorito na Copa Davis

Ex-tenista será conselheiro da seleção brasileira no torneio, que será disputado no Costão do Santinho, a partir desta sexta-feira

Daniel Silva
Florianópolis

Atualizada às 10h47 

O tenista Gustavo Kuerten, maior brasileiro em todos os tempos no esporte, jogou 11 edições da Copa Davis (entre 1996 e 2007), cinco delas em Florianópolis. Nesta sexta-feira, Thomaz Bellucci, atual número 30 do mundo, abre a disputa contra o croata Mate Delic (499º do ranking), às 10h, no Costão do Santinho. Na última vez que a Capital sediou o torneio, Guga estava em quadra. Mesmo sem poder ajudar a seleção jogando, o ídolo estará nas arquibancadas do complexo esportivo que leva o seu nome para incentivar o nosso time, que conta ainda com João “Feijão” Souza e a dupla Marcelo Melo e Bruno Soares. 

Eduardo Valente/ND
Guga aposta no bom momento de Bellucci para o Brasil passar de fase


Sem Marin Cilic, principal jogador e campeão do US Open do ano passado, a seleção da Croácia perde bastante da sua força. O desfalque de última hora, aliado a outras questões, como a torcida a favor, aumentou ainda mais o favoritismo do Brasil para voltar ao grupo mundial da Copa Davis. “Se o Cilic viesse seria impossível dizer ou determinar um favorito. Não representa nada na hora do jogo, de fato, mas temos uma margem de favoritismo. O Delic é um jogador para os próximos dez anos. Com essa ascensão do Bellucci novamente no circuito, o Brasil se tornou um time muito perigoso. A dupla também dá segurança”, disse. 

No papel de conselheiro, Guga faz questão de passar um incentivo para os tenistas brasileiros. A presença do treinador João Zwetsch, que voltou a trabalhar depois de quatro anos com Bellucci, no comando da seleção, deve fazer a diferença na quadra – a palavra tem força. “O Bellucci voltou a jogar muito bem por causa do João, que é em quem ele mais confia. O Larri falava ‘vai, cavalo’. Essa frase não tem significado, mas tem impacto. Me tornava um jogador praticamente imbatível. Ter esse papel de poder estar próximo deles e contribuir de alguma forma para o Brasil vencer é uma oportunidade que o tênis ainda me proporciona”, afirmou.

 

"Esperava a Davis chegar"

Na sua biografia “Um brasileiro”, em diversas passagens Guga cita o seu gosto pela Copa Davis. No coração do ex-tenista, somente Roland Garros, competição que foi três vezes campeão (em 1997, 2000 e 2001), tem mais valor. Jogar o torneio era a chance de matar as saudades de casa. “Até 2000 eu nunca jogava no Brasil, só pela Copa Davis. Gostaria que tivessem 20 torneios por ano como nos Estados Unidos. Eu teria muito mais possibilidade de ser número um do mundo. Ficava esperando a Copa Davis chegar. Servia como um respiro, pois viajávamos o ano inteiro”, falou. 

O “casamento” com a Copa Davis teve uma crise em 2004. A seleção brasileira não participou do torneio por conta de divergências com a diretoria da confederação, e, apesar da tristeza em não representar o país, Guga acreditou que estava fazendo o melhor pela modalidade. “Preferi abdicar do meu maior desejo para dar melhores opções para o futuro. Não compactuávamos mais com a confederação. Foi triste. Eu faria da mesma forma. Foi o momento de pensar um pouco menos no individual e não compactuar com uma situação que estava matando o tênis”, declarou.

 

Cenário do tênis mudou pouco

Mesmo tendo o melhor do mundo, o Brasil não soube aproveitar o bom momento e formar novos talentos. De todos que tentaram chegar perto do que Guga alcançou no tênis, Bellucci foi mais longe: em 2010, esteve em 21º no ranking da ATP. O que impede o atleta de entrar no grupo dos 20 melhores do mundo, segundo Guga, é o seu temperamento. “É um cara introvertido. O cara mais extrovertido busca força na torcida. Na Copa Davis ele consegue reagir, entra no jogo na marra. O vejo mais maduro. O que aconteceu com ele é comum, recuar um pouco e conseguir subir. É mérito dele. É difícil chegar nesse ranking”, falou.

Apesar das dificuldades, Guga acredita que o cenário pode ser revertido e o Brasil não depender mais do surgimento de um nome. Para o tênis crescer novamente no país são necessários dois fatores: acabar com a cultura do resultado e investir no conhecimento. “Desenvolver o conhecimento não traz resultado a curto prazo. Nós vivemos de resultado no Brasil. O René Simões não foi embora? Um treinador tinha de ficar três anos para entender o clube. O esporte é muito mais que isso”, concluiu o ídolo.

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