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Com surfe e skate na Olimpíada, Florianópolis pode ter atletas em Tóquio

Famosa pelas ondas da Joaquina, cidade também é considerada a capital do bowl no país

Matheus Joffre
Florianópolis

Florianópolis teve muito a comemorar com o anúncio da entrada do surfe e do skate na Olimpíada de Tóquio 2020, durante a Rio 2016. A cidade, que ficou famosa pelas ondas da Joaquina na década de 80 e que atrai surfistas do mundo inteiro, também é considerada a capital do bowl no Brasil, com o boom de pistas da modalidade nos anos 2000, e pode forjar alguns candidatos à medalha no Japão.

Flávio Tin/ND
Pedro Barros voa alto na Capital

 
Se hoje o atual campeão mundial da WSL (World Surf League) Adriano de Souza, o Mineirinho, escolheu Floripa para morar – assim como outros grandes nomes do surfe brasileiro – muito se deve ao trabalho iniciado pelo catarinense Teco Padaratz, 45, um dos precursores da profissionalização do esporte no país.

“Nós galgamos vários degraus dessa trajetória quando o surfe surgiu como esporte no Brasil no fim dos anos 70. Foi onde houve a grande revolução, o profissionalismo, a criação da Associação Brasileira de Surfe, os primeiros circuitos. Em 1986, teve o Mundial Hang Loose e logo depois teve o OP Pro de 87, que foi o primeiro campeonato brasileiro de surfe”, contou o surfista de Balneário Camboriú radicado em Florianópolis.

Teco e o paraibano Fabinho Gouveia, que também mora na Ilha desde 2002 e sempre teve uma relação próxima com a cidade, exerceram forte influência para o desenvolvimento do surfe no Brasil.

“Quando vim pela primeira vez a Floripa, estava começando a ter o primeiro boom de eventos, de êxodo de surfistas para cá, que eram aqueles famosos Festivais Olimpikus de surfe, e posteriormente o OP. Em 85, fiquei em quinto lugar em um OP Pro e foi o pontapé inicial para a minha carreira”, lembrou Fabinho. “Nosso legado para essa nova geração foi esse formato de surfista profissional que tem treinador, apoio psicológico, empresário, ressaltou Teco.

A Capital também forjou um dos maiores nomes do skate do país. Recentemente, o manezinho Pedrinho Barros, 21, conquistou seu sexto ouro nos X Games, em junho, no Texas. Uma história que começou a ser escrita quando o paulista Léo Kakinho chegou à Ilha em 1992.

“Eu já era referência. Eu e o Rafael [Bandarra] construímos a primeira pista de bowl de Floripa, que é essa da Pousada Hi Adventure, que nem era pousada ainda. Depois foram surgindo outras pistas de qualidade, feitas por skatistas”, recordou o skatista de Guaratinguetá.

Flávio Tin/ND
"Galgamos vários degraus dessa trajetória", disse Teco Padaratz


“O Pedrinho cresceu andando aqui e o lance de ele começar a ganhar campeonatos chamou a atenção para cá, atraiu investimentos. Surgiu também o Red Bull Generation, que é um campeonato diferente, por equipes, que reúne diferentes gerações e que já está na quinta edição”, destacou.

As promessas brasileiras (e da Ilha) na prancha e no shape para 2020

Com todo esse histórico nas duas modalidades, Florianópolis pode ter alguns representantes de peso na Olimpíada de 2020. No surfe, além dos paulistas Mineirinho, Gabriel Medina e Filipe Toledo, um nome que pode aparecer como possível candidato à vaga é o do manezinho Mateus Herdy, 15.

Mateus é sobrinho de Guilherme Herdy, que correu na elite por mais de uma década, e tem chamado a atenção nos campeonatos. “No surfe, temos grandes chances de conquistar medalhas, inclusive de fazer uma dobradinha e levar ouro e prata. Tem toda a galera dessa geração, que estão entre os melhores da elite mundial, e alguns nomes como o Mateus Herdy, que vai ter 19 anos em 2020, um moleque daqui, que surfa muito também e vai estar em uma idade boa”, destacou Teco.

No skate, Pedrinho Barros tem tudo para subir ao pódio no bowl, caso a modalidade que surgiu nas piscinas californianas seja contemplada. “A gente ainda não sabe como vai funcionar no skate, quais modalidades vão entrar, mas o Pedro, com certeza, é um nome forte se tiver bowl”, atestou Kakinho.

Dúvidas vão de modalidades no skate à utilização de piscinas artificiais no surfe

Ainda não se sabe ao certo como funcionarão as novas modalidades incluídas em Tóquio 2020. Além de surfe e skate, também vão entrar caratê, baseball/softball e escalada esportiva. Entre as principais dúvidas, estão questões como classificação e representatividade, as modalidades que serão contempladas (no caso do skate) e até a utilização de ondas artificiais, no surfe.

O COI (Comitê Olímpico Internacional) já sinalizou que não pretende utilizar ondas artificiais, mas a tecnologia de Kelly Slater – considerada a melhor onda artificial do mundo – pode mudar os planos até a próxima edição dos Jogos Olímpicos.

“A WSL, que estava em contato com o Comitê Olímpico e fez de tudo para o surfe entrar nos Jogos, comprou a piscina do Kelly Slater. Agora não tem mais um obstáculo porque dá para marcar data e horário. O sistema é perfeito”, avaliou Teco. “Essa tecnologia não é de hoje. Já teve até evento da ASP em piscina em 88, onde eu e Teco competimos. Apesar do Japão ter praia, acredito que vão usar a piscina”, afirmou Gouveia.

No skate, além das dúvidas quanto às modalidades incluídas, também há uma resistência de parte dos skatistas old school, que defendem o esporte como estilo de vida. “É claro que vai chamar a atenção, vai ter mais investimentos e estamos precisando dessa retomada no mercado do skate, mas ao mesmo tempo há aquele receio que transformem nosso esporte em algo chato”, ponderou Kakinho.

 

Confira a galeria com fotos de Flávio Tin/ND:

 

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