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Quarta-Feira, 19 de Setembro de 2018
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Bodyboard está cada vez mais popular em Santa Catarina

Esporte está em ascensão em Santa Catarina

Daniel Silva
Florianópolis
Rafael Lambertcopia/Divulgação/ND
André Carvalho é adepto do free surfe

 

 

O bodyboard é um esporte relativamente novo, apesar das suas raízes seculares. Em Santa Catarina, pela questão geográfica, qualidade das ondas e existência de uma cultura do surfe, o Estado tem hoje um dos melhores atletas do Mundo, Eder Luciano, natural de Itapema. Com apenas 26 anos, o bodyboarder participa de competições fora do Brasil desde 2005 e coleciona títulos. São cinco catarinenses, dois paranaenses, dois gaúchos, brasileiro, vice-campeão europeu, entre outras conquistas. A ascensão do esporte no Brasil, de certa forma, se deve muito ao talento do atleta.

Por causa do bodyboard, Luciano tem realizado muitos sonhos, como estar entre os top no ranking do Tour Mundial e representar Santa Catarina nas competições. “Já conheci lugares incríveis e surfei muitas das melhores ondas. É muito bom você estar entre os melhores do seu esporte. Fico muito contente em representar o meu estado nas etapas do Tour Mundial. A cada ano que passa o bodyboard vem ganhando o seu espaço e se tornando um esporte de ponta”, revelou.

Patrocinado pela Prefeitura de Itapema, através do projeto Bolsa Atleta, o atleta destaca o apoio da Fecab (Federação Catarinense de Bodyboard) no desenvolvimento do esporte em SC. “O esporte tem melhorado muito com o novo presidente da Fecab (José Jarbas Soares). Este ano já tivemos quatro etapas do Circuito Pro, com premiações em dinheiro, algo muito para os atletas profissionais. Espero ser mais uma vez campeão do meu Estado”, informou Luciano, que é líder do ranking da Federação em 2012.

 

Daniel Queiroz/ND
André e Ronaldo Figueiredo em momento de descontração na praia Brava

 

 

Viajando o mundo

 

O gaúcho André Centeno Broll Carvalho, de 30 anos, começou a praticar o bodyboard para valer aos 13 anos. A entrada tardia no circuito de competições, somente seis anos depois, o fez abandonar o sonho de ser um atleta profissional. “Não tive uma estrutura de base. Na primeira competição nem sabia o que fazer. Vi que não tinha o nível técnico para competir”, reconheceu. Carvalho, então, partiu para o free surf, ou seja, a prática do bodyboard sem a competição. Começou então a viajar em busca das melhores ondas, seja no México, em Bali (Indonésia) ou no Rio de Janeiro.

O surfista passou a registrar a sua peregrinação, que resultou no projeto Mares e Lugares. O objetivo é fomentar o esporte através de produção de fotos e vídeos, que são publicados no página www.mareselugares.blogspot.com.  “Não morava na praia, então chegava final de semana e eu só pensava em viajar para pegar onda. Morei três anos no Hawaii e não tenho nenhuma foto minha surfando. Nosso esporte precisa de material. Não existiam referências antes, e a evolução do bodyboard passa pela produção de material. É um ciclo”, comentou.

 

 

Para sempre bodyboarder

 

Aos 40 anos, Ronaldo Figueiredo pode ser chamado de veterano. Melhor seria tratar dele como pioneiro no bodyboard, afinal, começou a competir em 1988, ano do primeiro Circuito Brasileiro, que teve uma etapa na Praia Mole. Fã de Mike Stewart, oito anos mais velho, o atleta não pensa em parar tão cedo. “O Mike está aí até hoje, extremamente competitivo. O meu objetivo é ver até onde o meu corpo aguenta. É mais difícil manter o ritmo hoje, mas a mente é algo muito forte. Estou bem, faço coisas que não conseguia com 20 anos”, disse.

Apaixonado pelo esporte, Figueiredo, que é bicampeão catarinense (1998 e 2000) e já foi top 5 do Brasil em 1996, passa a sua experiência para os aspirantes a atleta na sua escolinha na Praia Brava, a Lobo Guará. “Peguei o bichinho dessa doença e estou até hoje. Dar aula é muito importante para mim. Todos esses anos que eu levei para aprender, tento fazer com que se torne fácil. Eles aprendem muito mais rápido do que eu”, disse o atleta, que hoje não tem patrocínio.

 

Bodyboard x surf

 

Se tem uma coisa que os bodyboarders não gostam é de comparar o seu esporte com o surf. Apesar de usar prancha, ser praticado no mar e compartilharem uma cultura semelhante, com um código de ética entre os surfistas, um esporte é totalmente diferente do outro. “O bodyboard é mais fácil de começar e o mais seguro, mas o mais difícil de fazer parecer bonito. É um esporte muito específico, feito para ondas cavadas (tubulares). Depois que se consegue fazer as manobras, queremos aperfeiçoar a técnica, pegar ondas maiores”, disse Carvalho.

 

Futuro promissor

 

Após o sucesso comercial, o esporte teve uma queda nos últimos anos. Mas a entressafra serviu, segundo Carvalho, para unir os praticantes do bodyboard que, vem trabalhando em prol do engrandecimento da modalidade. “Isso criou uma identidade. Tem bastante gente que tem marca própria, tem escolinha, compete, produz foto, vídeo, e isso vai girando o negócio. Criou-se uma comunidade bem sólida que vai fazer no futuro uma expansão bem legal do bodyboard. É o que eu penso”, afirmou.

 

Curiosidades

 

O bodyboard surgiu no Hawaii há centenas de anos. Era o esporte do povo, que surfava com pranchas feitas de madeira, que eram chamadas de pipe. Os primeiros registros datam do século XVIII. Somente os reis havaianos podiam ficar sobre a prancha, o restante descia as ondas deitado. Em 1971, o músico, engenheiro e surfista norte-americano Tom Morey teve a prancha quebrada e, ao moldar o objeto partido com ferro de passar roupas, chegou ao que as pessoas chamam de Moreybug, que foi patenteado e teve uma explosão comercial a partir dos anos 80.

O tipo de prancha é definido através de cinco variáveis e é específica para cada praticante: tamanho, peso, nível técnico, tipo de onda e temperatura da água. O tamanho das pranchas podem variar de 38 a 43 polegadas (até 1,10 metro) e custam entre R$ 400 e R$ 1000 para um nível profissional. O preço de uma prancha apenas para recreação têm o preço de até R$ 100.

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