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Terça-Feira, 18 de Setembro de 2018
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Atleta catarinense disputará o Mundial de Surfe Adaptado nos Estados Unidos

Robson Gasperi, o Bill, reaprendeu a surfar após acidente de trânsito

Daniel Silva
Florianópolis

O surfista Robson Gasperi, 32 anos, é mais uma vítima da imprudência no trânsito. No fim de 2012, quando retornava para casa da praia de Ingleses, onde trabalhava como guarda-vidas, foi atropelado por um motorista que trafegava na contramão e perdeu grande parte dos movimentos do braço direito, esmagado pelo acidente.

Ao custo de muita fisioterapia, treino funcional específico para o esporte e dedicação, o atleta conseguiu ficar sobre uma prancha novamente. O talento nato para rasgar as ondas o presenteou com uma segunda chance e, em outubro, Gasperi, conhecido como Bill, disputa na Califórnia, nos Estados Unidos, o Mundial de Surfe Adaptado.

Eduardo Valente/ND
Bill começou a surfar aos nove anos, na praia de Palmas


Em vez de lamentar o ocorrido, o atleta prefere agradecer por estar vivo, apesar da fratura no úmero (maior osso do braço) e da ruptura do plexo braquial, complexo de nervos que movimentam o membro superior. A lesão de Bill é irreversível, mas a cada manobra que consegue executar, segurando a mão para se equilibrar, o peso do acidente fica menor.

“No hospital vi que tinham muitas pessoas piores que eu. Recuperei alguns movimentos depois da cirurgia, mas não mexo a mão, o pulso e o antebraço. Serei sempre deficiente, mas tentarei me aprimorar para ser o melhor possível. O surfe é a minha vida”, disse. 

Ranqueado pela Adaptasurf, associação sediada no Rio de Janeiro que desenvolve a inclusão social pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida por meio do surfe, Bill sonha alto. O atleta quer voltar de La Jolla (San Diego) com o título no Mundial e trabalhar na divulgação da modalidade.

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“O intuito é ser campeão, mostrar o meu potencial e repertório de manobras variado, algumas que conseguia fazer antes do meu acidente. Eu quero fazer um projeto social nessa área, organizar campeonatos e fomentar o surfe adaptado”, falou Bill, local da praia de Palmas, em Governador Celso Ramos. 

Inspiração gringa 

Quando a ficha de que poderia não surfar mais caiu, Bill estava 25 quilos acima do peso. O atleta encontrou motivação para voltar ao mar na família, nos amigos e, no filme “Soul Surfer” (Surfista de Alma), que conta a história da norte-americana Bethany Hamilton, hoje com 26 anos. Ela sobreviveu ao ataque de um tubarão, mas perdeu o braço esquerdo. A tragédia, que aconteceu em 2003, não a impediu de competir o circuito profissional. 

“Aquele filme me fez voltar para o surfe. Estava praticamente um ano sem surfar. Para um cara que nadava cinco quilômetros todo dia foi um baque. Fui seguindo os passos dela, o trajeto de volta. A primeira vez que vi me empolgou, mas era difícil. O filme passou de novo, na madrugada, e fiquei vendo, foi emocionante. Chorei. As pessoas falavam que não conseguiria dar as manobras. Comecei a adaptar, segurar o braço, e deu certo. O meu surfe mudou bastante. Algumas manobras ainda não dou, mas pretendo dar”, concluiu o surfista.

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